Torcida do Fluminense fala: Vicente Gouveia Júnior

Vicente Gouveia Júnior

Vicente Gouveia Júnior

Vicente é um prazer te entrevistar pelo WhatsApp sobre o Fluminense. Primeiro para que nosso leitor possa te conhecer me dia seu nome e sobrenome, um pouco da sua formação e como você se tornou fluminense?

Meu nome é Vicente Gouveia Júnior, Brasiliense, casado, pai de duas filhas, militar por formação e civil por circunstâncias da vida. Sou formado em computação, pós graduado em redes de computadores, MBA na FGV em administração estratégica de sistemas de informação. No dia de hoje estou colando grau em Engenharia civil. Uma guinada na meia idade.

Sou tricolor de coração desde 1978, quando meu pai teve um enfarto após a derrota no Carioca para o Flamengo por 4 x 0… Acordei para o futebol neste dia. Não tinha como ser diferente. Saudações tricolores.

No meu tempo não havia salvo engano, a figura do sócio torcedor. Se o Fluminense publicasse os balancetes orçamentários mensalmente, eu seria sócio torcedor. Como isso não ocorre, não sou. O que pensa sobre a questão de ser sócio torcedor?

A gestão moderna implica na transparência das informações. Compliance tornou-se departamento obrigatório das instituições privadas e públicas. A entidade Fluminense ainda precisa desenvolver isso de forma coerente e racional. Infelizmente é uma atitude que implica reestruturação na cultura vitalícia ainda preponderante no quadro societário. Sócios não são donos. Precisamos de contra partida para abraçarmos, repito, a entidade Fluminense. Seria sim, sócio, não doador.

Bela resposta mestre. Agora me fale sobre o Fluminense atual no futebol. Estão corretos os rumos que o clube está seguindo? Quais os caminhos corretos e quais os que precisam ser melhorados no Fluminense Futebol Clube na atualidade?

O Fluminense, como grande parte dos clubes brasileiros, é deficitário, não cabendo maiores comentários sobre o porquê. Impossível contratarmos um plantel competitivo imediatista, como reza a cartilha do torcedor. O primeiro passo está no berço de formação dos atletas, garantindo renovação constante e implementando políticas voltadas a proteção do clube e de seus formandos, retirando ou pelo menos, limitando, a atuação dos intermediários ditos “empresários”.

A lei Pelé veio como fomento a este esforço, mas foi deturpada ao longo do tempo. Jeitinho brasileiro. Não podemos criticar quando contratamos um medalhão em final de carreira, porque o intuito real é pelo menos gerarmos renda com a imagem e captarmos patrocínio. É triste, mas real. Sobre nossa atuação nos campeonatos programados para este ano, racionalmente acredito no mediano. Passionalmente, ganharemos tudo.

A razão e o lado passional na vida, encantam. Agora, pergunto, o Brasil não tem moeda para manter jogadores jovens e bons, todos vão para o circuito europeu. Então pergunto, qual é o futuro do Fluminense? Há futuro?

O descompasso é geral, quase absurdo. O estatuto do torcedor realmente causa um desequilíbrio na balança do certo ou errado. A manipulação de torcidas sobre determinadas decisões estritamente esportivas só reflete o passional, como dito anteriormente. Neste quesito, dou razão à CBF. Tenta respeitar suas regras, leia-se, consensuais por todos os que participam, e ao mesmo tempo, de instâncias técnicas superiores.

Precisamos é montar um verdadeiro tribunal arbitral exclusivamente esportivo, com força final e sem recursos protelatórios. Bem diferente do judiciário comum atual. Quanto aos jogadores, não tenho como opinar positivamente ou negativamente. Tudo por causa da falta de transparência nos contratos. Compliance.

 Vicente Gouveia Júnior, Fluminense
Fluminense

O que você acha dos grupos políticos do Fluminense? Eu abomino. Acho que estão destruindo o Fluminense. E sinto mais pena do militante que fica inimigo, discute, perde amigos por causa deste ou daquele candidato. Este é o manipulado sob todos os aspectos.

Enquanto o candidato quando eleito tem o poder e quando perde segue na sua profissão. E outra, será que há desvios financeiros por quem está no poder? Enfim… Eu acho que este ponto está acabando com o Fluminense. Quem perde a eleição torce para o eleito se lascar. Lastimável.

Concordo com você. A política nunca foi um mal em si, mas quem a conduz e da forma que conduz é que deturpa o fim. Precisamos do executivo e do fiscalizador, são independentes e complementares. No nosso caso, são dependentes e excludentes. Não fez como eu queria, não posso fazer porque o outro não aceita. Não há ajuste. Acredito nesta gestão, e acreditei nas outras. Tô errado? Não. Só não podia desmerecer quem ainda não havia trabalhado, julgar e condenar sem avaliar. Todos cometeram erros crassos. O que não pode é perpetuar o erro.

Vanguarda, unido e forte, frente ampla… Nomenclaturas mais do mesmo. A retaguarda é a mesma. Triste assim. Quero um Fluminense forte, construtivo e com capacidade de mostrar a médio e longo prazo viabilidade, confiança. Um primeiro passo está sendo dado com a priorização de dúvidas, mas ainda assim recebemos uma pancada de penhoras por questões trabalhistas, o que dificulta qualquer ação. Paciência. O torcedor realmente é o caminho a trilhar, mas precisa ser respeitado. Não somos ignorantes.

E o que você acha do time de futebol ou do clube se tornar uma empresa? Eu acho uma ideia extremamente interessante, pois, há que se fazer algo rentável, com metas, gestores capazes, orçamento público para os sócios, senão, estamos fadados à eterna sensação de impotência econômica no futebol?

Sinceramente, nos primórdios do futebol a situação era amadora, com intuito de diversão, esporte como modelo de integridade e sociabilização. Os tempos há muito são outros, perdeu-se o sentido de fidalguia, de mérito, de competição saudável. É claro que devemos nos tornar empresa, e acho tardiamente.

O futebol profissional é privado, independente do setor público, devendo resposta única e exclusivamente aos associados em suas respectivas agremiações. O formato filantrópico e social só serve para angariar subsídios governamentais. E para quê? Quanto mais devo, mais dependo? Ciclo vicioso. O nome Fluminense é grandioso, é imortal, é único: tricolor das Laranjeiras.

Mas temos que entender que empresa pode falir se não houver gestão consciente, transparente, com análise de riscos e lastro para tempos magros. Temos de tratar o torcedor como ativo patrimonial, mantê-lo no quadro por gerações. Profissionalizar o jogador? Básico. Já é assim. A gestão? Só com punições aos atos temerários, seja por negligência, imperícia ou imprudência, como diz a lei. Tremei, paraquedistas, porque só como empresa o peso da lei gera o respeito pelo, novamente, nome Fluminense futebol clube.

Agradecemos a excelente entrevista e pedimos para compartilhar o link da publicação no Cultura Alternativa assim que for publicada no Portal de Notícias. Muito obrigado mesmo por esta exclusiva.

Eu que agradeço e espero ter expressado de forma coerente meu pensamento e esperança para com o Fluminense.

Saudações tricolores.

Paz e bem.

ANAND RAOAnand Rao

Editor do Cultura Alternativa