O viés de confirmação: Vivemos na era da burrice?

era da burrice

Será verdade que realmente estamos vivendo a era da burrice?

“Você já teve a impressão de que as pessoas estão ficando mais burras?” – E os jornalistas Eduardo Szklarz e Bruno Garattoni respondem:

“Talvez você esteja certo. Estudos feitos em vários países apontam que, sim, a inteligência humana começou a cair.”

Na edição do mês de outubro, a Revista Super Interessante nº. 394 trouxe uma excelente matéria dessa dupla de jornalistas, que talvez quisessem explicar, ao menos em parte, a ascensão de um fascista na política brasileira. Intitulada

Era da burrice

“A Era da Burrice”. Os autores buscam identificar em algumas atitudes contemporâneas as possíveis causas do fenômeno do aumento da burrice no mundo, considerando, por exemplo: Discussões inúteis, intermináveis e agressivas; Gente defendendo as maiores asneiras, e se orgulhando disso; Pessoas perseguindo e ameaçando as outras; Um tsunami infinito de informações falsas; Líderes políticos imbecis.

O antropólogo inglês Edward Dutton, autor de uma revisão analítica das principais pesquisas já feitas a respeito da inteligência humana chegou à conclusão que “Há um declínio contínuo na pontuação de QI ao longo do tempo. E é um fenômeno real, não um simples desvio.”

E foi a partir de estudos realizados com dezenas de milhares de pessoas, em vários países, que revelaram que aparentemente, a inteligência humana começou a cair. No Brasil, um estudo realizado pelo Ibope Inteligência revelou que 29% da população adulta ser analfabeta funcional, ou seja, não consegue ler sequer um cartaz ou um bilhete.

Será que o salto tecnológico dos últimos 20 anos, além de transformar o cotidiano da sociedade, está afetando efetivamente a inteligência humana? É sabido que, hoje em dia, até as nossas crianças já crescem com o celular ou tablet fazendo parte de sua educação e formação enquanto indivíduo e futuro cidadão.

O acesso a essa tecnologia tão antecipadamente se dá porque os pais de hoje querem oportunizar sua agenda, seu tempo e diversão, e por negligencia educacional, é mais fácil colocar a tecnologia como intermediário entre o controle da educação, a formação do indivíduo e controle das atitudes e quereres da criança que vinha exigindo mais atenção e dedicação dos pais para sua formação.

E isso está acontecendo justamente no período em que as crianças deveriam estar consolidando o hábito de ler, interpretar texto e adquirir vocabulário. Será que o hábito de impor o uso indiscriminado e obtuso de smartphones e tablets na infância talvez já esteja causando efeitos negativos na maneira de se consolidar o senso crítico desses futuros indivíduos?

Será que o uso intensivo das redes sociais, que são projetadas para consumo rápido, e vem tomando boa parte do tempo útil da população esteja corroendo a capacidade do indivíduo prestar atenção às outras informações, ou mesmo ter um senso crítico para averiguar as fontes e entender o conteúdo do que se ler? Ou será mesmo que haja um sentido próprio, uma predestinação de que cada vez vai ficar mais difícil ler um texto por completo, saber interpretá-lo ou até mesmo ver um vídeo até o fim compreendendo a real mensagem que ele tenta incutir em nossas mentes?

“O viés de confirmação” é um fenômeno muito conhecido na psicologia e consiste no fato de que uma pessoa irracional, nada obstante “diante dos argumentos mais irrefutáveis”, sempre mantém “a própria opinião.”

É a velha tendência humana “de abraçar informações que apoiam suas crenças, e rejeitar dados que as contradizem.” Este fenômeno foi estudado pelo psicólogo americano, Kevin Dunbar, da Universidade de Stanford: “Há informações demais à nossa volta, e os neurônios precisam filtrá-las. Há até uma região cerebral, o córtex pré-frontal dorsolateral, cuja função é suprimir informações que a mente considere ‘indesejadas’.

Tem mais: nosso cérebro libera uma descarga de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer, quando recebemos informações que confirmam nossas crenças. Somos programados para não mudar de opinião. Mesmo que isso signifique acreditar em coisas que não são verdade.”.

Irracionalidade à parte, mas nada justifica um comportamento alheio da razão que esfrega aos nossos olhos a verdade pura, sem dissimulações, e uma grande maioria do país permanecer com seu comportamento programado pra não mudar de opinião, mesmo acreditando em inverdades… são fake News, uma insanidade antipestita, e a extrema direita jogando todo futuro do legado conquistado pela democracia ao lixo, que após décadas de lutas e muitas dificuldades conseguiu consolidar avanços sociais significativos na evolução de uma sociedade, para que essa se torne mais justa e menos violenta.

Estamos ou não menos inteligentes? Ou somos apenas uma mera massa de manipulação das redes sociais, consumistas acomodados de conteúdos os quais não verificamos as fontes veracidade dos fatos? É uma atrofia cerebral de descuido pela incapacidade de utilizar a inteligência pela preguiça de apurar os fatos, refletir e de conferir a verdade o seu digno lugar no embate do certo e o errado, do bem versus o mal. E agora? O que concluir de tido isso?

Será que daria para entender a ascensão fascista no Brasil e os efeitos de uma gestão dilapidadora do patrimônio nacional? Infelizmente, além dos verdadeiros fascistas que realmente exaltam as ideias do fascista, há também os cegos funcionais, os irracionais, os preguiçosos cerebrais que não querem gastar os mínimos esforços de raciocinar em prol de um protagonismo consciente e enxergar a verdade e os efeitos do consumismo indiscriminado da alienação política.

Wellington de Mello – Escritor, Redator, Publicitário, Designer Gráfico e Fotógrafo

Especial para o Cultura Alternativa