Mulheres que viajam sozinhas - Cultura Alternativa

Mulheres que viajam sozinhas

Viajar sem companhia já não significa necessariamente falta de alguém para dividir o roteiro. Para muitas brasileiras, significa justamente poder escolher.

O destino, o horário, o restaurante, o ritmo e até o momento de mudar os planos.

Um levantamento com 2.712 brasileiras ajuda a dimensionar esse comportamento. Entre as participantes, 72,6% apontaram o lazer como uma das motivações para viajar sozinhas, enquanto 65,1% citaram independência e liberdade. Além disso, 41,4% mencionaram o autoconhecimento.

Os dados integram o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, lançado pelo Ministério do Turismo e produzido em cooperação com a UNESCO.

A pesquisa ocorreu entre agosto e setembro de 2025 e reuniu mulheres de todas as regiões do país.

Em poucas linhas…

A liberdade também está nas pequenas decisões

A autonomia de uma viagem solo começa antes mesmo do embarque.

Uma mulher que viaja sozinha não precisa conciliar férias, negociar horários ou escolher um destino que agrade ao grupo. Pode permanecer mais tempo em um museu, acordar tarde, alterar o roteiro ou simplesmente não fazer nada.

Por isso, a viagem pode representar mais do que turismo. Ela também cria um espaço de decisão individual que nem sempre existe na rotina.

Esse aspecto ganha outra dimensão entre mulheres maduras. Na pesquisa, a faixa de 45 a 54 anos correspondeu a 22,1% das participantes, ficando atrás apenas das mulheres entre 35 e 44 anos.

Além disso, o próprio guia identifica um mercado de turismo solo feminino maduro e em expansão.

Viajar depois dos 50 ou 60 anos

A primeira viagem sozinha não precisa acontecer aos 20 ou aos 30 anos.

Depois dos 50 ou 60, mudanças profissionais, filhos adultos, aposentadoria ou simplesmente maior disponibilidade podem abrir espaço para experiências antes adiadas.

Nesse momento, viajar sozinha pode significar descobrir que autonomia também se aprende.

Para quem ainda sente insegurança, começar por uma viagem curta pode ajudar. Um destino conhecido, boa infraestrutura urbana, hospedagem bem localizada e deslocamentos simples tornam a experiência mais confortável.

Grupos femininos e excursões com momentos livres também podem funcionar como uma etapa intermediária entre a viagem acompanhada e uma experiência totalmente solo.

Liberdade não elimina o medo

Entretanto, os dados também revelam uma contradição importante.

Entre as mulheres pesquisadas, 62,1% afirmaram que já deixaram de realizar uma viagem por questões de segurança. Além disso, 60,6% disseram ter vivido alguma situação de insegurança durante uma viagem sozinhas.

Portanto, a liberdade feminina no turismo ainda encontra limites que muitos homens provavelmente não precisam considerar da mesma maneira.

Escolher uma hospedagem, voltar ao hotel à noite ou utilizar um carro por aplicativo pode exigir planejamento adicional.

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Segurança começa antes do embarque

O guia recomenda pesquisar previamente o destino e os meios de transporte, além de verificar a localização da hospedagem.

Ao utilizar transporte por aplicativo, vale conferir placa, modelo do veículo e identificação do motorista. Compartilhar o trajeto com alguém de confiança também amplia a segurança.

Na hospedagem, outra recomendação simples chama atenção: pedir que funcionários não anunciem o número do quarto em voz alta.

Além disso, o Cadastur permite consultar empresas e prestadores de serviços turísticos cadastrados no Ministério do Turismo.

Que destinos são mais amigáveis?

Não existe uma lista definitiva de melhores cidades brasileiras para mulheres que viajam sozinhas.

Entretanto, alguns critérios ajudam muito mais do que rankings: transporte acessível, boa localização das atrações, opções de hospedagem, iluminação, internet disponível, circulação de pessoas e facilidade para pedir ajuda.

Destinos com museus, centros históricos e atrações próximas também podem facilitar a primeira experiência.

Não por acaso, 68,3% das mulheres pesquisadas demonstraram preferência por viagens culturais, enquanto 64,2% escolheram natureza e ecoturismo.

Mulheres que viajam sozinhas

Viajar sozinha não significa estar só

Talvez essa seja uma das mudanças mais interessantes observadas no turismo feminino.

Uma mulher pode viajar sozinha e, ainda assim, conhecer pessoas, participar de passeios, conversar com moradores e compartilhar experiências pelo caminho.

Ao mesmo tempo, pode escolher quando deseja companhia e quando prefere ficar consigo mesma.

Por isso, o crescimento das mulheres que viajam sozinhas revela algo que as estatísticas tradicionais do turismo dificilmente conseguem medir: o valor de poder decidir.

Em alguns casos, a lembrança mais importante da viagem talvez nem seja o destino.

É descobrir que era possível ir.

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA

Fontes

Ministério das Mulheres. “Dia Mundial do Turismo: guia reúne orientações para mulheres que viajam sozinhas”, publicado em 27 de setembro de 2026. Serviços e Informações do Brasil

Ministério das Mulheres. “Guia inédito reúne dados, orientações e perfil de mulheres que viajam sozinhas no Brasil”, 5 de março de 2026. Serviços e Informações do Brasil

Ministério do Turismo e UNESCO. “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas”, 2026. Serviços e Informações do Brasil

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