Silvano Colli e a arte de contar histórias com emoção
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Silvano Colli e a arte de contar histórias com emoção representa a trajetória de um autor que construiu sua identidade literária a partir da sensibilidade, da observação e do envolvimento direto com o público. Desde o início, sua relação com a escrita não seguiu caminhos convencionais, pois nasceu da paixão pela leitura e pela vivência artística. Assim, sua produção literária reflete uma conexão autêntica com a emoção e com o imaginário humano.
Tabela de conteúdos
Da paixão à consolidação no cenário literário
A formação do escritor não teve origem em sua atuação na Secretaria de Educação, mas sim na experiência com a leitura e com o teatro. Sua trajetória começou de forma espontânea, quando decidiu escrever uma história para seus filhos. Esse impulso inicial, embora despretensioso, revelou um talento significativo, já que o texto alcançou posição de destaque ao se tornar finalista em um concurso literário. Dessa maneira, a escrita passou a ocupar um espaço mais relevante em sua vida.
Um ponto de virada ocorreu em 2018, durante a FELIB, quando já havia publicado sua primeira obra, O Herdeiro Supremo. Nesse contexto, o encontro com a escritora Ironita Mota ampliou suas perspectivas no universo literário. A partir do convite para integrar o GAEB – Grupo Associado de Escritores Brasileiros, ele passou a participar de eventos literários importantes em todo o país. Consequentemente, conquistou novos leitores e encontrou motivação para seguir publicando.
Com o lançamento de seis obras, sua carreira passou por transformações relevantes. Convites para eventos culturais e visitas a escolas tornaram-se frequentes, permitindo que ele desenvolvesse o trabalho de contação de histórias. Além disso, o contato com leitores e outros autores contribuiu para um amadurecimento consistente de sua escrita, fortalecendo sua presença no cenário literário brasileiro.
Aprendizado institucional e vivência cultural
A experiência de presidir o GAEB trouxe uma compreensão mais ampla sobre o funcionamento do mercado editorial. Esse papel exigiu aprendizado sobre organização de estandes em grandes bienais do livro, bem como sobre a gestão da participação de outros escritores nesses eventos. Nesse sentido, ele passou a entender melhor os desafios financeiros e logísticos envolvidos na promoção literária em larga escala.
Ao mesmo tempo, sua participação em entidades como APLAC e AIAB ampliou o contato com artistas de diferentes áreas. Esse convívio constante favoreceu o aprendizado e estimulou novas formas de expressão criativa. Como resultado, retomou a escrita de poesias, prática iniciada ainda na adolescência. Atualmente, reúne mais de 100 poemas, demonstrando a força dessa retomada.
Esse ambiente colaborativo também contribui para o desenvolvimento artístico contínuo. A troca de experiências com outros criadores permite que novas ideias surjam e que talentos antes adormecidos sejam redescobertos. Dessa forma, a trajetória evidencia um crescimento que vai além da produção individual, refletindo uma construção coletiva dentro do campo cultural.

Processo criativo e múltiplas linguagens
O processo criativo do autor é marcado pela liberdade e pela intuição. Ele não segue um método rígido de organização, pois permite que as ideias surjam de maneira espontânea. Muitas vezes, essas ideias nascem de situações cotidianas, diálogos inesperados ou até mesmo de sonhos, que frequentemente apresentam estruturas semelhantes às de narrativas cinematográficas. Assim, a escrita se desenvolve de forma orgânica e dinâmica.
Essa abordagem resulta em uma produção significativa, incluindo materiais ainda inéditos. Embora já tenha publicado um livro de contos, mantém um acervo com mais de 50 histórias não publicadas, além de um romance de ficção. Portanto, sua criatividade não se limita ao que já foi lançado, mas continua em constante expansão, impulsionada pela intensidade do momento.
Ao escrever para diferentes públicos, adapta a linguagem sem perder a essência. Nos textos infantis, utiliza métrica e aborda temas educativos, como o combate ao preconceito. Em contrapartida, nas obras destinadas ao público adulto, explora o universo fantástico, o sobrenatural e o humor. Além disso, a poesia transita entre o romantismo, a crítica e o humor, revelando uma identidade autoral flexível e multifacetada.
Emoção, humor e generosidade na narrativa
Para o autor, contar histórias representa um ato de generosidade. Essa visão se manifesta principalmente durante apresentações para crianças, quando observa o brilho nos olhos e o sorriso espontâneo do público. Nesse momento, ocorre uma troca emocional direta, na qual o contador de histórias recebe de volta a energia que transmite. Dessa maneira, a narrativa se transforma em uma experiência compartilhada.
O mesmo fenômeno se repete quando o público é adulto. Em muitos casos, os espectadores demonstram emoções intensas, resgatando sentimentos da infância. Algumas histórias provocam risos, enquanto outras despertam lágrimas que não expressam tristeza, mas sim emoção genuína. Nesse contexto, a narrativa atua como um elo capaz de reconectar o indivíduo com sua essência mais sensível.
O humor desempenha papel central nesse processo, pois está profundamente ligado à vivência pessoal do escritor. A rima, por sua vez, contribui para tornar a narrativa mais fluida e agradável, facilitando a escuta. Por fim, ao recitar poemas ou contar histórias, ele valoriza a emoção como elemento principal, embora reconheça que a técnica é essencial para garantir a transmissão completa da mensagem, por meio do controle do ritmo, das pausas e da respiração.
Anand Rao
Editor Chefe
Cultura Alternativa

