Histórias de cuidadores esquecidos - Cultura Alternativa

O Brasil terá profissionais de saúde suficientes para cuidar de uma população mais velha?

O Brasil está envelhecendo em ritmo acelerado, mas ainda não estruturou uma rede de cuidados compatível com essa transformação.

Enquanto cresce o número de pessoas que precisam de acompanhamento prolongado, o país enfrenta desigualdades na distribuição de profissionais, sobrecarga dos serviços e baixa oferta de atenção domiciliar.

A questão, portanto, não é apenas formar mais médicos. Será necessário ampliar equipes com enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, geriatras, gerontólogos, assistentes sociais e cuidadores de idosos. Esses profissionais precisarão trabalhar de maneira integrada.

Breve resumo

A Organização Mundial da Saúde estima que poderá haver uma escassez global de 11 milhões de trabalhadores da saúde até 2030.

O déficit deverá atingir principalmente países de renda baixa e média, justamente aqueles que costumam apresentar maiores dificuldades de financiamento, infraestrutura e distribuição de profissionais.

Nas Américas, o alerta também é significativo. A Organização Pan-Americana da Saúde calcula que a região poderá enfrentar uma falta de 600 mil a 2 milhões de trabalhadores da saúde até 2030, dependendo do parâmetro de cobertura adotado.

Embora o Brasil tenha uma ampla rede pública, a presença desses profissionais não ocorre de forma equilibrada.

Enquanto grandes centros concentram especialistas, municípios pequenos, áreas rurais e regiões mais afastadas enfrentam dificuldades para manter equipes completas.

O tabu social do envelhecimento - Cultura Alternativa

Profissionais de saúde para população idosa

Segundo as projeções do IBGE, aproximadamente 37,8% da população brasileira poderá ter 60 anos ou mais em 2070. Além disso, o número de brasileiros idosos já cresceu de 22 milhões, em 2012, para 34,1 milhões, em 2024.

Esse avanço da longevidade deve ser comemorado. Contudo, também exige mudanças no modelo assistencial.

Pessoas mais velhas podem conviver durante décadas com hipertensão, doenças cardiovasculares, limitações de mobilidade, perda auditiva, demências ou outras condições crônicas.

Por isso, consultas isoladas e atendimentos emergenciais não serão suficientes. O país precisará fortalecer a atenção básica, a reabilitação, o acompanhamento domiciliar, os cuidados paliativos e a prevenção da perda de autonomia.

Nesse cenário, a formação de cuidadores de idosos ganha relevância. Esses profissionais auxiliam na higiene, alimentação, mobilidade, organização da rotina e observação de alterações no comportamento ou no estado de saúde.

Entretanto, cuidar não pode ser tratado como uma atividade improvisada. É necessário oferecer formação adequada, definir responsabilidades e criar condições dignas de trabalho.

Ao mesmo tempo, muitos familiares assumem os cuidados sem orientação e acumulam funções domésticas, profissionais e emocionais.

Como consequência, podem enfrentar cansaço, isolamento e adoecimento. Assim, redes de apoio e serviços de acolhimento temporário também precisam fazer parte das políticas públicas.

Profissionais de saúde para população idosa

Por outro lado, o envelhecimento populacional abre espaço para novas carreiras e especializações.

Áreas como enfermagem gerontológica, fisioterapia geriátrica, terapia ocupacional, psicologia do envelhecimento, tecnologia assistiva e adaptação de residências devem ganhar importância.

A tecnologia também poderá apoiar o cuidado por meio da telemedicina, do monitoramento remoto e de dispositivos capazes de detectar quedas ou alterações de saúde.

Ainda assim, essas ferramentas não substituem a presença humana, especialmente nos momentos de fragilidade, dependência ou sofrimento emocional.

O Brasil poderá formar mais profissionais de saúde. Porém, isso não resolverá o problema se eles permanecerem concentrados nas mesmas cidades ou trabalhando em condições que favoreçam o abandono das carreiras.

Portanto, o planejamento deve reunir educação, saúde, assistência social e políticas de trabalho. Será necessário ampliar vagas de formação, melhorar salários e jornadas, incentivar a permanência em regiões desassistidas e reconhecer a importância dos cuidadores.

Preparar o país para envelhecer não significa apenas aumentar o número de profissionais.

Significa construir uma rede capaz de acompanhar cada pessoa antes que ela perca autonomia, apoiar as famílias e garantir que viver mais também represente viver com dignidade.

Fontes

OMS, informações sobre força de trabalho em saúde. (Organização Mundial da Saúde)

Organização Pan-Americana da Saúde, projeções sobre a escassez de profissionais nas Américas. (Paho)

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Projeções da População e dados sobre pessoas idosas. (Agência de Notícias IBGE)