Enchentes, ondas de calor, temporais e interrupções prolongadas de energia já afetam o funcionamento dos serviços de saúde.
Por isso, construir hospitais resilientes significa garantir que pacientes continuem recebendo atendimento mesmo quando a cidade enfrenta uma emergência climática.
Em 4 de agosto, a Organização Mundial da Saúde promoveu um diálogo internacional sobre a capacidade das unidades de saúde de enfrentar emergências e desastres.
O debate é especialmente relevante para o Brasil, onde eventos extremos podem bloquear estradas, alagar instalações, interromper o abastecimento de água e comprometer equipamentos médicos.
Segundo levantamento da OMS realizado em 19 países, unidades localizadas em áreas sujeitas a desastres apresentam quase o dobro da probabilidade de sofrer interrupções operacionais.
Além disso, 13% das instalações atingidas nos últimos cinco anos permaneciam fora de funcionamento.
Breve resumo
- Eventos climáticos como enchentes e ondas de calor afetam os serviços de saúde, tornando essencial a construção de hospitais resilientes.
- Hospitais resilientes garantem atendimento contínuo durante emergências e demandam infraestrutura além de reforços físicos.
- Geradores e reservas de água devem estar sempre prontos para manter serviços vitais em situações de crise.
- Medicamentos, especialmente aqueles que precisam de controle de temperatura, também enfrentam riscos e requerem planejamento para armazenamento seguro.
- Planos de evacuação e protocolos de segurança são essenciais tanto para hospitais quanto para Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O que caracteriza hospitais resilientes
Hospitais resilientes são aqueles capazes de antecipar riscos, manter serviços essenciais durante uma emergência e retomar rapidamente as atividades depois do impacto.
Para isso, não basta reforçar paredes ou evitar a entrada da água. A preparação envolve energia, abastecimento, logística, comunicação, equipes treinadas e integração com outros serviços públicos.
A OMS recomenda avaliar a segurança estrutural, os equipamentos, os estoques de medicamentos, as rotas de acesso e a disponibilidade de água, alimentos e eletricidade.
O organismo também desenvolveu o Índice de Segurança Hospitalar, instrumento que estima a possibilidade de uma unidade permanecer segura e operacional durante um desastre.
Geradores e reservas de água precisam funcionar de verdade
Hospitais dependem de energia contínua para manter respiradores, centros cirúrgicos, sistemas de climatização, computadores e equipamentos de diagnóstico.
Portanto, geradores devem passar por testes frequentes e contar com combustível suficiente para períodos prolongados.
Da mesma forma, reservas de água precisam atender às necessidades de higiene, alimentação, esterilização e cuidado dos pacientes. Em uma emergência, falhas nesses sistemas podem obrigar a transferência de pessoas internadas.
O Ministério da Saúde reconhece que interrupções de energia e água podem comprometer equipamentos, medicamentos e atendimentos emergenciais.
Além disso, falhas de climatização durante ondas de calor ameaçam tanto o conforto térmico quanto a conservação de produtos sensíveis.

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Medicamentos também enfrentam riscos climáticos
Vacinas, insulinas, hemoderivados e outros produtos exigem temperaturas controladas. Consequentemente, a perda de energia ou o superaquecimento de uma sala pode inutilizar estoques inteiros.
Cada unidade deve identificar os medicamentos mais vulneráveis, instalar sensores de temperatura e estabelecer locais alternativos para armazenamento.
Também é necessário prever rotas seguras de reposição, já que enchentes e deslizamentos podem interromper o transporte de insumos.
Planos de evacuação devem sair do papel
Hospitais e unidades básicas precisam de protocolos específicos para incêndios, inundações, calor extremo e danos estruturais.
Esses planos devem indicar rotas de saída, áreas seguras, hospitais de retaguarda e procedimentos para transportar pacientes com mobilidade reduzida.
Além disso, simulações periódicas ajudam a identificar problemas antes de uma emergência real. Equipes bem treinadas tomam decisões mais rápidas e reduzem riscos para pacientes, acompanhantes e profissionais.
UBS também precisam de proteção
A resiliência não pode ficar restrita aos grandes hospitais. As Unidades Básicas de Saúde mantêm vacinação, acompanhamento de doenças crônicas, pré-natal e distribuição de medicamentos.
Quando uma UBS fecha durante um desastre, hospitais já sobrecarregados recebem ainda mais pacientes.
Portanto, municípios devem mapear quais unidades estão em áreas alagáveis, quais dependem de uma única via de acesso e quais não possuem energia de reserva.
Preparação climática deve integrar o planejamento do SUS
O Brasil criou, em 2025, uma sala nacional permanente para monitorar emergências climáticas com impacto na saúde.
A estrutura acompanha eventos como enchentes, estiagens e queimadas e coordena medidas de prevenção e resposta no SUS.
Entretanto, a preparação precisa chegar ao território. Cada hospital e UBS deve conhecer os riscos de sua região, estabelecer responsabilidades e revisar periodicamente seus planos.
Investir em hospitais resilientes não representa apenas uma despesa com infraestrutura.
Trata-se de proteger vidas, evitar a perda de medicamentos e assegurar que o sistema de saúde permaneça disponível justamente quando a população mais precisa dele.
Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa
Fontes consultadas: Organização Mundial da Saúde e Ministério da Saúde.
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