Senado Memorável: Maria José Bezerra da Silva (Zeza)
Do sertão pernambucano às Forças Armadas, enfermeira e gestora relembra sua trajetória e três décadas de dedicação ao Senado Federal.
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Valores que nasceram no sertão
Senado Memorável: Maria José Bezerra da Silva apresenta a trajetória de uma pernambucana que construiu sua carreira nas Forças Armadas, na enfermagem, na educação e na administração pública. Sua história começou no sertão de Pernambuco, onde aprendeu simplicidade, coragem, respeito e responsabilidade. Esses princípios, segundo a entrevistada, acompanharam suas escolhas e estabeleceram as bases de sua formação pessoal e profissional.
As dificuldades fizeram parte desse começo, mas não determinaram os limites de suas ambições. A disposição para estudar e trabalhar, ao contrário, abriu possibilidades e fortaleceu sua autonomia. “Minha origem me ensinou que as dificuldades não precisam definir o nosso destino”, afirma. A lembrança traduz a determinação que levou para ambientes desconhecidos e responsabilidades crescentes.
Cada mudança exigiu aprendizado e adaptação. A pernambucana manteve, contudo, o compromisso de respeitar as pessoas e contribuir positivamente nos lugares onde atuou. Sua trajetória reúne instituições e atividades distintas, enquanto preserva uma orientação comum: cumprir suas atribuições com dedicação e reconhecer o valor das relações humanas no cotidiano profissional.
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Coragem para ocupar novos espaços
O ingresso na Força Aérea Brasileira aconteceu aos 18 anos. Naquele período, conforme recorda, as mulheres começavam a conquistar espaço em um ambiente predominantemente masculino. A jovem militar precisou enfrentar a rotina de formação e demonstrar sua competência. A experiência representou, portanto, uma conquista profissional e uma oportunidade de afirmar a capacidade feminina naquele contexto.
A chegada ao posto de Segundo-Sargento exigiu esforço, disciplina e perseverança. A FAB ensinou a trabalhar sob pressão, respeitar hierarquias e cumprir responsabilidades. A vivência militar, além disso, fortaleceu sua capacidade de enfrentar dificuldades. “Foi conquistar um espaço e provar, diariamente, que nós, mulheres, também éramos capazes de assumir responsabilidades”, relata.
A passagem seguinte pelo oficialato da Marinha do Brasil ampliou sua compreensão sobre liderança. Comandar significava, sobretudo, assumir responsabilidades, dar exemplo e ouvir. A confiança entre os integrantes da equipe tornou-se um princípio de sua atuação. Essa experiência ajudou a desenvolver uma postura firme, mas apoiada no diálogo e na valorização das pessoas.
Conhecimento a serviço do cuidado
A graduação em Enfermagem pela Universidade de Brasília consolidou sua formação técnica. A busca por aperfeiçoamento prosseguiu, paralelamente, com pós-graduações em Auditoria em Sistemas de Saúde, Enfermagem do Trabalho, Educação Coletiva e Educação em Saúde. Esses estudos ampliaram sua compreensão sobre assistência, prevenção, educação e administração dos serviços.
As experiências nos Correios, em Furnas e no Senac permitiram aplicar conhecimentos em diferentes ambientes. A profissional percebeu, dessa maneira, que o cuidado ultrapassa o atendimento individual. Orientar trabalhadores, planejar atividades e avaliar procedimentos também fazem parte da atenção à saúde. O aprendizado acadêmico encontrou, assim, oportunidades de aplicação nas necessidades concretas de cada instituição.
A formação também fortaleceu seu interesse pela qualidade e pelo uso dos recursos disponíveis. Uma assistência adequada depende, igualmente, de organização e acompanhamento. Essa perspectiva integrou sua preparação para o serviço público, onde passaria a relacionar as demandas dos usuários às responsabilidades administrativas de uma instituição de alcance nacional.

O ingresso e a assistência no Senado
O ingresso no Senado Federal ocorreu em 16 de fevereiro de 1993, por concurso público, como Técnica Legislativa na área de saúde. A servidora chegou à Secretaria de Assistência Médica e Social com experiência acumulada e disposição para aprender. O trabalho envolvia, sobretudo, a responsabilidade de cuidar dos servidores e de seus dependentes.
A atuação no SAMS e no Sistema Integrado de Saúde, o SIS, incluiu atendimento, auditoria, fiscalização, controle e gestão. Essas funções permitiram, por sua vez, conhecer diferentes dimensões da assistência. Segundo seu relato, uma mudança importante foi o fortalecimento de uma visão mais estruturada da gestão da saúde, associada ao acompanhamento dos serviços.
O usuário precisava receber atenção adequada, enquanto os profissionais necessitavam de condições para desempenhar suas atividades. A instituição, ao mesmo tempo, deveria manter mecanismos de avaliação e controle. A experiência consolidou uma convicção que a enfermeira preserva: “Gestão eficiente também é uma forma de cuidar das pessoas”.
Economicidade e formação de jovens
A responsabilidade pelos custos assistenciais esteve entre os assuntos que mobilizaram sua participação. A gestora contribuiu, nesse contexto, para discussões sobre auditoria, fiscalização e racionalização dos gastos. Seu objetivo consistia em equilibrar a qualidade dos serviços com a aplicação responsável dos recursos, evitando desperdícios e fortalecendo a transparência.
O depoimento não informa valores economizados nem detalha medidas específicas. A entrevistada explica, entretanto, o princípio que orientou sua contribuição: “Economicidade não significa oferecer menos. Significa fazer melhor com os recursos disponíveis”. Para ela, o controle deveria assegurar que as necessidades dos usuários encontrassem resposta em uma administração organizada e eficiente.
A atuação na Secretaria de Gestão de Pessoas trouxe outra oportunidade de contribuição, com estágios e desenvolvimento de jovens talentos. A servidora procurou, nessa etapa, incentivar os estudos, a responsabilidade e a confiança dos participantes. Em sua avaliação, o serviço público também constitui um espaço de aprendizagem e formação de novos profissionais.
Retorno, aposentadoria e legado
A primeira aposentadoria ocorreu em 2016. O desejo de continuar contribuindo, porém, motivou o retorno em 2018. A profissional assumiu a chefia do Serviço de Atendimento ao Usuário e passou brevemente pela Secretaria de Relações Públicas, na área de visitação. Compartilhar conhecimento e colaborar com a gestão marcaram esse último período.
A aposentadoria definitiva chegou em 2023, após um percurso de aproximadamente três décadas ligado ao Senado. A disposição para trabalhar permaneceu, entretanto, presente. Atualmente, atua como executiva de vendas na área de saúde suplementar, dando continuidade a uma trajetória que aproxima cuidado, conhecimento técnico e relacionamento com as pessoas.
Os filhos Daniele e Artur, o neto Júlio César e as futuras gerações ocupam lugar especial em sua reflexão. O legado desejado reúne, acima de tudo, coragem para começar, humildade para aprender e determinação para continuar. A contribuição que pretende deixar encontra síntese em suas palavras: “deixar o lugar onde passei um pouco melhor do que encontrei”.
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Anand Rao
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