A produção de conteúdo sobre livros ganhou espaço nas redes sociais. Entretanto, transformar essa atividade em fonte de renda continua sendo um desafio.
Uma pesquisa com 543 criadores de conteúdo literário aponta que 64% dos participantes não recebem renda mensal por suas publicações. Além disso, apenas 5% afirmam viver exclusivamente da atividade.
O levantamento, divulgado em 5 de novembro de 2026, foi desenvolvido pelos pesquisadores Gabriel Mattos, da Universidade de São Paulo (USP), e Bruna Paiva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A iniciativa contou com a parceria da Estante Virtual, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Segue o fio 🧶
- A produção de conteúdo sobre livros é popular, mas apenas 5% dos criadores de conteúdo literário conseguem viver exclusivamente disso.
- Pesquisa revela que 64% dos criadores não recebem renda mensal, apesar da visibilidade nas redes sociais.
- 82,7% dos participantes são mulheres e 68,3% têm até 10 mil seguidores, mostrando um perfil recente no segmento.
- Romances lideram as preferências literárias, com 61,9% das menções, seguidos por fantasia e literatura brasileira contemporânea.
- O estudo destaca a necessidade de discutir remuneração, transparência e condições de trabalho para criadores de conteúdo literário.
Criadores de conteúdo literário e o desafio da renda
Embora as redes sociais ampliem a circulação de recomendações literárias, a visibilidade nem sempre resulta em remuneração.
Segundo o levantamento, 64% dos participantes declararam não obter renda mensal com seus conteúdos. Por outro lado, somente 5% disseram depender exclusivamente dessa produção para viver.
Esses indicadores mostram situações diferentes. Afinal, receber algum pagamento por publicações não significa, necessariamente, conseguir sustentar-se com a atividade.
Para Gabriel Mattos, os resultados abrem espaço para discutir profissionalização, diversidade e saúde mental dos criadores.
Além disso, a pesquisa estimula uma reflexão sobre as relações comerciais entre editoras, plataformas digitais e produtores de conteúdo.
Quem produz conteúdo sobre livros?
Entre os participantes, 82,7% se identificam com o gênero feminino. Além disso, 68,3% possuem até 10 mil seguidores, considerando a soma de suas audiências nas diferentes plataformas.
Outro dado chama a atenção: 48,2% dos respondentes produzem conteúdo há menos de dois anos. Portanto, a amostra reúne uma parcela expressiva de pessoas com trajetória relativamente recente nesse segmento.
O Instagram aparece como plataforma preferida de 63% dos participantes. Em seguida, o TikTok registra 27,3% das preferências.
Esses números ajudam a compreender as escolhas dos respondentes. Contudo, não permitem determinar a distribuição dos criadores literários em todo o país.

Romances lideram as preferências
O levantamento também investigou os gêneros literários abordados nas publicações.
O romance lidera, com 61,9% das menções. Na sequência, aparecem a fantasia e a literatura brasileira contemporânea, ambas com 40,7%.
Enquanto isso, a romantasia, que combina elementos românticos e fantásticos, alcança 38,1%. O suspense também apresenta participação expressiva, com 37,6%.
Entre os autores favoritos, Clarice Lispector ocupa a primeira posição. Rebecca Yarros, Abby Jimenez, Agatha Christie e Ali Hazelwood aparecem entre os nomes destacados.
Assim, os resultados mostram uma convivência entre obras consagradas, autores contemporâneos e tendências de leitura.
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Diversidade e concentração regional
A composição racial dos respondentes também merece atenção.
Segundo a pesquisa, 73,3% se autodeclaram brancos, enquanto 18% se identificam como pardos e 7,4% como pretos.
Além disso, São Paulo concentra 38,1% dos participantes com respostas válidas para o recorte geográfico. O Rio de Janeiro reúne outros 16,2%.
Portanto, os dois estados representam 54,3% desse conjunto de respondentes.
Entretanto, essa concentração não comprova que o mercado nacional apresente exatamente a mesma distribuição. Ela caracteriza, antes de tudo, o grupo que participou do levantamento.
O que a metodologia permite concluir?
A pesquisa utilizou um questionário on-line, aplicado entre setembro e outubro de 2026, com abordagem quantitativa e descritiva.
Sua amostra de 543 participantes é não probabilística. Por isso, os percentuais não podem ser generalizados estatisticamente para todos os criadores de conteúdo literário brasileiros.
Da mesma forma, não cabe atribuir ao levantamento uma margem de erro típica de pesquisas com amostragem probabilística.
Ainda assim, os resultados oferecem informações relevantes sobre experiências, preferências e dificuldades dos participantes.
O futuro da influência literária
O estudo apresenta uma questão importante para o mercado editorial: como reconhecer economicamente o trabalho de quem aproxima livros e leitores?
Embora os criadores contribuam para divulgar obras e estimular conversas literárias, muitos participantes ainda não conseguem transformar essa dedicação em renda.
Consequentemente, a discussão ultrapassa o número de seguidores. Ela envolve remuneração, transparência nas parcerias, diversidade e condições de trabalho.
O levantamento não oferece respostas definitivas sobre todo o setor. Entretanto, cria uma oportunidade para aprofundar o debate sobre a valorização de quem produz conteúdo cultural no ambiente digital.
REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA
Fontes
- Estante Virtual — comunicado à imprensa divulgado em 5 de novembro de 2026.
- Gabriel Mattos e Bruna Paiva — relatório da pesquisa sobre criadores de conteúdo literário: https://ponteleitura-df2ipray.manus.space/#metodologia
- PublishNews — Estante Virtual realiza primeiro mapeamento de creators literários do Brasil, 3 de setembro de 2026: https://www.publishnews.com.br/materias/2026/09/03/estante-virtual-realiza-primeiro-mapeamento-de-creators-literarios-do-brasil-saiba-como-participar
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