A segurança cibernética deixou de ser uma preocupação restrita às equipes de tecnologia.
Em 2026, ela está presente na rotina de quem usa bancos pelo celular, faz compras on-line, acessa serviços públicos, trabalha remotamente ou mantém informações pessoais nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial tornou algumas fraudes mais convincentes. O desafio, portanto, não consiste apenas em proteger computadores.
É preciso proteger identidades, dados, dinheiro e até a confiança no que vemos e ouvimos no ambiente digital.
Comece lendo por aqui
- A segurança cibernética se tornou uma preocupação diária para todos, com o aumento das fraudes digitais.
- A inteligência artificial gera fraudes mais convincentes, como deepfakes e ataques de engenharia social.
- O Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, um aumento significativo.
- O governo brasileiro busca fortalecer a cibersegurança através da Estratégia Nacional de Cibersegurança e da proteção de dados pessoais sob a LGPD.
- Atitudes simples, como confirmações de pedidos e uso de senhas seguras, são essenciais para aumentar a proteção na Segurança Cibernética.
Inteligência artificial muda o cenário da segurança cibernética
A inteligência artificial generativa permite produzir textos, imagens, vídeos e áudios cada vez mais realistas.
Em março de 2026, a Anatel lançou uma campanha específica para alertar sobre deepfakes capazes de imitar vozes, rostos e comportamentos com o objetivo de obter dados ou causar prejuízo financeiro.
Além disso, o Data Breach Investigations Report 2026, da Verizon, mostra uma mudança importante no cenário internacional: 31% das violações analisadas começaram pela exploração de vulnerabilidades de software.
Pela primeira vez na série do relatório, esse caminho superou credenciais roubadas como principal forma de entrada. O ransomware, por sua vez, esteve presente em 48% das violações observadas.
Phishing continua, mas ficou mais sofisticado
Apesar da evolução tecnológica, uma estratégia antiga permanece eficiente: a engenharia social. O criminoso explora urgência, medo ou confiança para convencer alguém a clicar em um link, fornecer informações ou transferir dinheiro.
Agora, porém, o falso boleto, a mensagem sobre uma encomenda, o perfil clonado ou o pedido financeiro podem chegar acompanhados de voz e imagem manipuladas por IA.
O próprio Banco Central recomenda confirmar pedidos de transferência por telefone ou presencialmente, especialmente quando chegam por aplicativos de mensagens.
Assim, uma regra simples ganha importância: diante de uma solicitação inesperada, interrompa o contato e procure a pessoa ou instituição por um canal que você já conheça.
Fraudes digitais crescem no Brasil
Os números brasileiros reforçam o alerta. A Serasa Experian identificou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, crescimento de 32,9% na comparação com o mesmo período de 2025.
O levantamento considera ocorrências detectadas durante cadastros e validações de identidade, não a totalidade das fraudes praticadas no país.
Além do consumidor, empresas e órgãos públicos enfrentam riscos.
Em maio de 2026, o CTIR Gov alertou para o aumento de credenciais válidas comercializadas ilegalmente, que podem facilitar phishing, disseminação de programas maliciosos e ataques de ransomware.
Segurança Cibernética
+ Estratégias para Evitar Armadilhas Financeiras na Black Friday
+ Golpes na internet: saiba quais são os mais aplicados
Brasil fortalece sua política de cibersegurança
Em agosto de 2025, o governo federal instituiu uma nova Estratégia Nacional de Cibersegurança, a E-Ciber.
Ela organiza a atuação brasileira em quatro eixos: proteção da sociedade, resiliência de serviços essenciais, cooperação entre setores público e privado e soberania e governança.
Em 2026, o Comitê Nacional de Cibersegurança também avançou em iniciativas relacionadas ao Plano Nacional de Cibersegurança, incluindo ações sobre golpes digitais, educação, maturidade cibernética e proteção de serviços essenciais.
Nesse contexto, a LGPD complementa a proteção. Quando um incidente com dados pessoais puder provocar risco ou dano relevante, o controlador deve comunicar a ocorrência à ANPD e aos titulares afetados.
Segurança cibernética começa nos hábitos cotidianos
Nenhuma ferramenta elimina todos os riscos. Entretanto, atitudes simples aumentam a proteção:
- ativar a verificação em duas etapas;
- usar senhas diferentes e um gerenciador confiável;
- manter celular, computador e aplicativos atualizados;
- evitar links recebidos de origem duvidosa;
- nunca compartilhar códigos de autenticação;
- confirmar pedidos financeiros por outro canal;
- utilizar passkeys, ou chaves de acesso, quando disponíveis.
As passkeys usam chaves criptográficas armazenadas nos dispositivos e reduzem a dependência das senhas tradicionais. Governo Federal
Desconfiar também virou uma forma de proteção
A transformação digital trouxe conveniência, rapidez e acesso a novos serviços. Entretanto, ampliou também as possibilidades de ataque.
Por isso, segurança cibernética exige tecnologia, educação digital, políticas públicas e atenção cotidiana.
Em uma época na qual até uma voz familiar pode ser artificialmente reproduzida, verificar antes de clicar, compartilhar ou transferir dinheiro tornou-se parte da cidadania digital.
Agnes ADUSUMILLI
REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA
Fontes consultadas: E-Ciber, Governo Federal; Verizon DBIR 2026; Serasa Experian, Mapa da Fraude 2026; ANPD, Deepfakes; Anatel, campanha sobre deepfakes.
REDES SOCIAIS

