Dia Internacional das Florestas - Cultura Alternativa

Dia da Árvore: por que arborização urbana é essencial diante do calor extremo

Celebrado em 21 de setembro no Brasil, o Dia da Árvore chama atenção para a preservação da vegetação e para a importância das áreas verdes na qualidade de vida.

Atualmente, porém, a data ganhou um novo significado diante das mudanças climáticas, do aumento das temperaturas e da expansão das cidades.

Nesse cenário, as árvores cumprem várias funções ao mesmo tempo. Além de protegerem a biodiversidade, elas oferecem sombra, ajudam a reduzir temperaturas, aumentam a umidade do ar e contribuem para cidades mais confortáveis e resilientes.

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Tradicionalmente, o Dia da Árvore antecede a chegada da primavera no Hemisfério Sul. Entretanto, a comemoração deixou de ser apenas uma campanha simbólica de plantio.

Hoje, a arborização também faz parte das estratégias de adaptação ao calor extremo.

Estudos realizados em municípios brasileiros mostram que áreas com maior presença de árvores podem apresentar temperaturas mais baixas do que regiões muito impermeabilizadas e com pouca vegetação.

Além disso, uma revisão científica publicada em 2025 apontou benefícios associados à redução da temperatura do ar e das superfícies, embora os resultados variem conforme clima, espécies utilizadas, densidade da arborização e características urbanas.

Dessa forma, a presença de árvores passou a ser também uma questão de saúde, conforto térmico e planejamento urbano.

No Dia da Árvore, as grandes florestas brasileiras também entram no debate. Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram redução do desmatamento na Amazônia Legal nos últimos levantamentos consolidados.

Ao mesmo tempo, os alertas de perda de vegetação também apresentaram recuo em períodos recentes na Amazônia e, em menor intensidade, no Cerrado.

Ainda assim, milhares de quilômetros quadrados de vegetação nativa continuam sendo perdidos anualmente.

Portanto, uma redução pontual não elimina a necessidade de fiscalização, recuperação ambiental e proteção de áreas já preservadas.

A discussão sobre árvores não pode ficar restrita às grandes florestas. Afinal, a maior parte da população brasileira vive em áreas urbanas.

Segundo dados do Censo Demográfico 2022 sobre o entorno dos domicílios, cerca de 66% dos moradores avaliados viviam em vias com presença de árvores. Consequentemente, uma parcela expressiva da população ainda convive com ruas pouco ou nada arborizadas.

Na prática, essa desigualdade pode mudar completamente a experiência de viver em uma mesma cidade.

Enquanto bairros mais arborizados oferecem sombra e ambientes mais amenos, regiões com grande concentração de concreto e asfalto tendem a acumular calor por mais tempo.

Por isso, a arborização urbana também se conecta à desigualdade socioambiental.

Nesse sentido, o governo federal lançou o Plano Nacional de Arborização Urbana, conhecido como PlaNAU, com diretrizes para orientar estados e municípios na ampliação e melhor distribuição das áreas verdes.

Além disso, iniciativas como o programa ArborizaCidades buscam apoiar projetos municipais destinados a ampliar a cobertura vegetal e reduzir os impactos do calor urbano.

Paralelamente, o Brasil mantém a meta de recuperar milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 por meio do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa.

Assim, o Dia da Árvore também serve para lembrar que preservar exige políticas de longo prazo, planejamento e continuidade.

O plantio de mudas continua sendo uma ação relevante. Contudo, plantar por si só não garante uma cidade mais verde.

É necessário escolher espécies adequadas, acompanhar o desenvolvimento das árvores e considerar fatores como calçadas, redes elétricas, disponibilidade de água e espaço para crescimento das raízes.

Além disso, árvores adultas possuem um valor ambiental difícil de substituir imediatamente. Por isso, preservar exemplares já estabelecidos deve receber a mesma atenção dedicada ao plantio de novas mudas.

Por fim, o Dia da Árvore deixa uma mensagem cada vez mais atual: plantar continua sendo importante, mas conservar árvores adultas, ampliar áreas verdes e garantir que novas mudas sobrevivam talvez seja uma das formas mais concretas de preparar as cidades brasileiras para um futuro mais quente.

Fontes

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE
IBGE, Censo Demográfico 2022
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Plano Nacional de Arborização Urbana, PlaNAU
Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, Planaveg
Revista GEOUSP, Universidade de São Paulo

Agnes ADUSUMILLI

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA