Gastos das famílias com saúde: quanto custa cuidar da saúde mesmo tendo SUS?
Mais de 2,1 bilhões de pessoas no mundo enfrentam dificuldades financeiras provocadas por despesas com saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde.
O dado integra a campanha de 2026 sobre cobertura universal e chama atenção para um problema que também faz parte da realidade brasileira: mesmo com o SUS, cuidar da saúde continua gerando gastos importantes para muitas famílias.
Medicamentos, planos de saúde, consultas particulares, exames, tratamentos odontológicos, transporte e cuidadores podem comprometer uma parcela considerável do orçamento doméstico.
Dessa forma, adoecer também pode se transformar em um problema financeiro.
Para saber em poucas llinhas
- Mais de 2,1 bilhões de pessoas enfrentam dificuldades financeiras devido a gastos com saúde, mostrando a relevância do tema no Brasil.
- Em 2021, o Brasil gastou R$ 872,7 bilhões com saúde, sendo que 5,7% do PIB vieram de despesas das famílias.
- Os medicamentos pesam mais nas famílias de menor renda, enquanto planos de saúde são mais comuns entre as de maior renda.
- Além de mensalidades, as famílias têm despesas com consultas, exames, transporte e cuidadores, afetando outras áreas do orçamento.
- O SUS é essencial, mas limitações de acesso e custos no setor privado ampliam o impacto financeiro da saúde nas famílias.
Quanto as famílias brasileiras gastam com saúde?
A Conta-Satélite de Saúde do IBGE mostra que, em 2021, o Brasil gastou R$ 872,7 bilhões com bens e serviços de saúde, valor equivalente a 9,7% do Produto Interno Bruto.
Desse total, as despesas das famílias e de instituições sem fins lucrativos a serviço delas corresponderam a 5,7% do PIB. Já os gastos governamentais representaram 4%.
Embora os números se refiram a 2021, eles ajudam a dimensionar a participação direta das famílias no financiamento da saúde brasileira.
Gastos das famílias com saúde
Medicamentos pesam mais entre famílias de menor renda
A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018, também do IBGE, mostra uma diferença importante.
Entre as famílias de menor renda, os medicamentos representavam proporcionalmente uma parcela maior das despesas. Nos grupos de renda mais elevada, por outro lado, os planos de saúde tinham participação maior no orçamento.
Esse cenário mostra que o impacto da saúde varia conforme a condição econômica da família. Além disso, uma doença prolongada pode gerar várias despesas ao mesmo tempo.
Por exemplo, uma pessoa com doença crônica pode precisar de consultas, medicamentos contínuos, exames periódicos e transporte. Em alguns casos, também há gastos com alimentação específica, fisioterapia ou cuidadores.
A conta que nem sempre aparece
Para entender os gastos das famílias com saúde, é preciso olhar além da mensalidade do plano ou da compra de medicamentos.
Entre as principais despesas estão:
- medicamentos de uso contínuo ou eventual;
- planos de saúde e coparticipações;
- consultas e exames particulares;
- tratamentos odontológicos;
- transporte para consultas e terapias;
- cuidadores e assistência domiciliar;
- equipamentos e materiais de cuidado.
Consequentemente, quando esses custos se acumulam, outras áreas do orçamento podem ser afetadas, como alimentação, moradia, educação e lazer.
Gastos das famílias com saúde
Como calcular quanto a saúde pesa no orçamento
Uma forma simples é acompanhar as despesas durante pelo menos três meses.
A família pode somar todos os gastos com medicamentos, plano, consultas, exames, odontologia, transporte e cuidados domiciliares. Depois, deve comparar o valor médio mensal com a renda familiar.
Esse acompanhamento ajuda a identificar despesas recorrentes, avaliar alternativas e planejar melhor o orçamento.
Qual é o papel do SUS nessa conta?
Nesse contexto, o Sistema Único de Saúde funciona como uma importante proteção financeira.
O SUS oferece gratuitamente consultas, exames, vacinas, internações, cirurgias, transplantes, tratamentos de alta complexidade e diversos medicamentos. Além disso, atende toda a população brasileira, inclusive quem possui plano privado.
Ainda assim, dificuldades de acesso, filas, diferenças regionais e serviços não disponíveis em determinados locais podem levar algumas famílias a recorrer ao setor privado.
Em agosto de 2026, a Agência Nacional de Saúde Suplementar registrava cobertura de planos de assistência médica para cerca de 24,9% da população.

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Saúde também é questão de proteção financeira
A discussão sobre cobertura universal vai além da existência de hospitais e consultas.
Ter acesso à saúde significa também evitar que uma doença obrigue uma família a escolher entre comprar medicamentos, pagar aluguel ou manter a alimentação.
Por isso, os gastos das famílias com saúde também revelam desigualdades econômicas. Quanto maior a parcela da renda destinada ao tratamento de doenças, menor é a capacidade de enfrentar outros imprevistos.
Portanto, proteger financeiramente quem adoece deve fazer parte da própria discussão sobre acesso universal à saúde.
REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA
Fontes
Organização Mundial da Saúde, campanha 2026 sobre cobertura universal de saúde.
IBGE, Conta-Satélite de Saúde do Brasil 2010-2021.
Agência Nacional de Saúde Suplementar, dados de beneficiários, agosto de 2026.
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