Inteligência artificial pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB até 2030 - Cultura Alternativa

Inteligência artificial pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB até 2030

IA deve impulsionar crescimento, inovação e desenvolvimento econômico

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Inteligência artificial pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB até 2030 e transformar profundamente a economia brasileira.

A estimativa ganhou força após um estudo encomendado pela OpenAI e desenvolvido pela RegLab indicar que a adoção ampla da tecnologia poderá acrescentar aproximadamente R$ 967 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro até o fim da década.

O levantamento aponta que o maior impacto virá da integração entre profissionais e sistemas inteligentes, além disso, e não apenas da automação de tarefas.

O cenário acompanha uma tendência observada em diversas economias desenvolvidas. Organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a consultoria PwC também projetam avanços expressivos decorrentes da inteligência artificial. Esses estudos indicam, contudo, que os resultados dependerão da velocidade de adoção, da qualidade da infraestrutura tecnológica e da preparação das organizações.

A perspectiva é positiva, porém o crescimento não ocorrerá automaticamente. Empresas, governos e instituições de ensino precisarão ampliar investimentos em inovação, formação de talentos, proteção de dados e modernização dos processos para que o país consiga converter esse potencial em riqueza, dessa forma, fortalecendo sua posição na economia global.

O fator humano continuará sendo decisivo

O estudo da RegLab conclui que aproximadamente 65% do impacto econômico esperado decorrerá da interação entre trabalhadores e inteligência artificial. Apenas 35% estariam relacionados diretamente aos investimentos em equipamentos, softwares, data centers e demais ativos tecnológicos, por outro lado.

Essa conclusão reforça pesquisas recentes da Microsoft e do LinkedIn, segundo as quais profissionais que utilizam IA para automatizar atividades repetitivas conseguem dedicar mais tempo à criatividade, ao planejamento, à análise e à tomada de decisões. A tecnologia, portanto, tende a ampliar a capacidade das equipes em vez de simplesmente substituir pessoas.

Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial estima que milhões de ocupações passarão por mudanças até 2030. Enquanto algumas funções administrativas e operacionais deverão perder espaço, novas carreiras surgirão em ciência de dados, engenharia de inteligência artificial, segurança cibernética, computação em nuvem e desenvolvimento de soluções digitais, consequentemente, exigindo atualização constante.

Administração pública concentra o maior potencial

Entre todos os segmentos avaliados, a administração pública aparece como aquela com maior possibilidade de ganhos operacionais. O levantamento indica que praticamente todo esse avanço decorre do aumento da eficiência proporcionado aos servidores por ferramentas inteligentes, nesse sentido.

Processos burocráticos, análise documental, atendimento ao cidadão, elaboração de pareceres, fiscalização e cruzamento de grandes bases de dados podem ser executados com mais rapidez e precisão. Diversos governos já utilizam inteligência artificial para reduzir filas, agilizar serviços e melhorar a gestão dos recursos públicos, ao mesmo tempo.

Países como Estônia, Singapura e Coreia do Sul demonstram que a digitalização do setor público pode elevar a qualidade dos serviços oferecidos à população sem necessariamente ampliar o número de servidores, permitindo, assim, melhor aproveitamento do orçamento governamental.

Setores produtivos devem acelerar sua transformação

O levantamento aponta que a indústria de transformação poderá adicionar cerca de R$ 264 bilhões em valor econômico até 2030. Logo depois aparecem os serviços, com aproximadamente R$ 165 bilhões, e o comércio, com cerca de R$ 131 bilhões, igualmente favorecidos pela incorporação da tecnologia.

Nas fábricas, algoritmos inteligentes monitoram equipamentos em tempo real, antecipam falhas, reduzem desperdícios e aperfeiçoam os padrões de qualidade. Esse conjunto de soluções, conhecido como Indústria 4.0, vem sendo adotado por empresas de diferentes portes, inclusive, em cadeias produtivas brasileiras.

No comércio, plataformas baseadas em inteligência artificial analisam hábitos de consumo, personalizam ofertas, administram estoques e apoiam decisões estratégicas. Nos segmentos financeiro, jurídico, hospitalar e de comunicação, aplicações inteligentes também vêm tornando rotinas mais ágeis e eficientes, de maneira semelhante.

O Brasil ainda precisa superar desafios

Embora o potencial econômico seja elevado, especialistas alertam que o país enfrenta limitações importantes. A conectividade permanece desigual entre as regiões, muitas pequenas empresas ainda apresentam baixo nível de digitalização e parcela significativa da força de trabalho necessita desenvolver novas competências, entretanto.

Outro desafio envolve a disponibilidade de profissionais especializados. A procura por cientistas de dados, engenheiros de software, especialistas em computação em nuvem e profissionais de segurança digital cresce em velocidade superior à formação desses talentos, por conseguinte.

Também será indispensável ampliar investimentos em centros de processamento de dados, redes de comunicação de alta capacidade e geração de energia confiável. Esses elementos formarão a base necessária para sustentar aplicações cada vez mais sofisticadas, sobretudo, durante os próximos anos.

Regras claras podem estimular investimentos

Os autores do estudo observam que mudanças no ambiente regulatório poderão alterar as projeções até 2030. Um excesso de burocracia pode retardar investimentos, enquanto normas claras tendem a incentivar inovação, atrair capital e aumentar a segurança jurídica, ainda assim.

O Brasil discute atualmente um marco regulatório específico para inteligência artificial. O desafio consiste em equilibrar proteção aos direitos dos cidadãos, transparência dos algoritmos e estímulo ao desenvolvimento tecnológico, evitando, assim, criar obstáculos que reduzam a velocidade da inovação.

Especialistas defendem que regras proporcionais ao risco das aplicações representam o caminho mais adequado. Sistemas empregados em áreas sensíveis, como saúde, crédito e segurança pública, naturalmente exigem supervisão mais rigorosa, ao passo que aplicações de menor impacto podem evoluir com maior flexibilidade.

Uma oportunidade histórica para a economia brasileira

Diversos estudos internacionais convergem para a mesma conclusão: a inteligência artificial deverá representar uma das maiores revoluções econômicas desde a popularização da internet. A PwC estima que a tecnologia poderá adicionar aproximadamente US$ 15,7 trilhões à economia mundial até 2030, reforçando esse cenário.

O FMI calcula que cerca de 40% dos empregos no mundo sofrerão algum grau de impacto da inteligência artificial, enquanto nas economias avançadas esse percentual poderá alcançar aproximadamente 60%. Isso não significa necessariamente eliminação de postos de trabalho, mas sim uma profunda transformação das atividades profissionais, ou seja, uma mudança estrutural no mercado de trabalho.

Para o Brasil, a oportunidade é expressiva. Caso consiga fortalecer a educação tecnológica, ampliar os investimentos em pesquisa, estimular o empreendedorismo inovador e acelerar a modernização da infraestrutura nacional, o país poderá ampliar sua capacidade produtiva, gerar negócios de maior valor agregado e elevar o nível de renda da população. A inteligência artificial, portanto, deixa de ser apenas uma inovação tecnológica para tornar-se um dos principais vetores da próxima fase de desenvolvimento econômico brasileiro, finalmente, abrindo espaço para uma economia mais dinâmica, competitiva e preparada para os desafios do século XXI.

Anand Rao
Editor Chefe
Cultura Alternativa