Mário Pirata o poeta brincadeiro - Cultura Alternativa

Mário Pirata, o poeta-brincadeiro que encantou gerações

Mário Pirata, o poeta-brincadeiro que encantou gerações

Mário Pirata, o poeta-brincadeiro, transformou a poesia em uma forma viva de brincar, ensinar e encantar. Nascido em Porto Alegre, em 1957, ele ganhou fama nacional pelas suas performances lúdicas e pelos livros que marcaram leitores de todas as idades. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, uniu literatura, música, teatro e educação em uma obra que desafia rótulos e permanece atual por sua força afetiva e coletiva.

Primeiros passos e o nascimento do “Pirata”

Antes de se tornar conhecido como Mário Pirata, o artista era Mário Augusto Franco de Oliveira. Ele se formou em Filosofia pela PUCRS e UFRGS. Além disso, teve passagens por grupos de teatro e fez cursos de dança, música e psicomotricidade. Na juventude, integrou a trupe experimental “Ói Nóis Aqui Traveiz” e começou a compartilhar seus poemas em cadernos mimeografados, típicos da Geração Mimeógrafo dos anos 1970.

Por isso, seu apelido surgiu a partir de uma apresentação em que apareceu vestido de corsário. O crítico Antônio Hohlfeldt gostou da ideia e passou a chamá-lo de “pirata”. A alcunha pegou e, com o tempo, o autor a assumiu de vez, criando o termo “poeta-brincadeiro” para resumir seu estilo: alguém que faz do brincar um ofício literário e afetivo.

Além disso, sua presença era altamente performática. Com pandeiro nas mãos, ele transformava leituras em espetáculos interativos. Assim, aproximava crianças e adultos da poesia por meio da oralidade, da música e do riso inteligente.

Obra diversa e engajada na formação de leitores

Além de entreter, Mário Pirata publicou 17 livros que circularam por escolas, teatros, feiras e bibliotecas do Brasil inteiro. Entre os mais conhecidos estão As Minhocas Também Amam (1991), Bicho Poesia (1994), Cambalhota (2004) e Festaria (2012), todos voltados ao público infantil e juvenil. Com linguagem acessível e sensível, ele provocava o riso ao mesmo tempo em que estimulava a imaginação e a empatia.

Da mesma forma, também dialogou com leitores adultos em obras como Calcinha Rosa na Cadeira de Balanço (1988) e Ventonaveia (2013). Em seu último livro, Ciomacio (2025), explorou haicais e tankas cheios de autorreflexão, ironia e ternura sobre o envelhecer.

Portanto, sua poesia não se limitava à estética. Mário Pirata atuava como mediador de leitura, oficineiro e educador, empenhando-se em democratizar o acesso aos livros. Como criador do festival PortoPoesia, em 2007, promoveu encontros gratuitos entre escritores e público em espaços públicos de Porto Alegre — iniciativa que marcou época na cena cultural gaúcha.

Momentos com Mario Pirata

O legado poético que continua vivo

Por fim, Após sua morte em julho de 2025, aos 67 anos, Mário Pirata foi lembrado por amigos e leitores como um artista que encantou corações e semeou poesia por onde passou. Escrevendo com humor, ritmo e humanidade, ele ensinou que brincar é também uma forma de pensar, criar e dialogar.

Consequentemente, seu legado segue vivo em projetos de leitura, relatos de educadores e memórias afetivas. Seu modelo de “poesia em roda”, onde o público é convidado a responder, cantar e co-criar, tornou-se referência em programas de incentivo à leitura no Brasil.

Além de tudo, Mário Pirata provou que a poesia pode estar em todo lugar — do palco à sala de aula, da feira de livros à calçada — e que, com alegria e verdade, versos conseguem transformar o mundo.

Anand Rao
Editor Chefe
Cultura Alternativa