Quando os animais passam a influenciar o consumo da família
O mercado pet no Brasil vai muito além da compra de ração.
Uma pesquisa do Opinion Box mostra que os animais de estimação já influenciam gastos com saúde, higiene, serviços, lazer e até a escolha de restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos.
O levantamento ouviu 1.078 pessoas que possuem pets. A coleta ocorreu em fevereiro de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais.
Um dos dados mais reveladores mostra essa mudança de comportamento: 47% dos entrevistados já deixaram de frequentar algum lugar porque o estabelecimento não aceitava animais.
SAIBA
MAIS
- O Mercado pet no Brasil ultrapassa a compra de ração, influenciando gastos com saúde, lazer e serviços.
- Cerca de 76% das pessoas têm cachorros, e 49% adotam seus pets, refletindo uma relação mais próxima.
- Além da alimentação, produtos como remédios, higiene e serviços veterinários estão em alta entre os consumidores.
- O fator pet friendly se torna crucial para escolhas em restaurantes e hotéis, afetando o consumo.
- A transformação do mercado reflete uma crescente inclusão dos pets nas decisões familiares e um novo foco em cuidados especializados.
Mercado pet no Brasil acompanha uma relação mais próxima com os animais
Entre os entrevistados, 76% possuem cachorro e 37% têm gatos. Além disso, 8% convivem com aves ou pássaros e 4% com peixes.
A forma como esses animais chegam às famílias também chama atenção. Cerca de 49% afirmaram ter adotado seus pets, enquanto 30% disseram ter comprado e 27% receberam os animais de outras pessoas.
Nesse sentido, os dados ajudam a explicar por que o consumo pet se tornou cada vez mais diversificado. Para muitos tutores, o animal deixou de ocupar um espaço periférico na casa e passou a integrar a rotina familiar.
Alimentação ainda lidera, mas consumo se diversifica
A ração continua sendo o produto mais comprado. Segundo a pesquisa, 89% dos entrevistados adquiriram ração nos três meses anteriores ao levantamento.
Entretanto, outras categorias também apresentam presença relevante. Remédios e vacinas aparecem com 59%, produtos de higiene com 45% e brinquedos com 41%.
Além disso, 31% compraram snacks industrializados e 30% adquiriram areia ou tapetes sanitários.
Na alimentação, 74% afirmaram oferecer apenas ração aos animais, enquanto 20% combinam ração e comida caseira.
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Saúde e serviços ampliam o mercado pet
Ao mesmo tempo, o mercado avança para uma economia baseada em cuidado e serviços.
Entre os gastos realizados nos três meses anteriores à pesquisa, 61% envolveram remédios, vermífugos e vacinas. Banho e tosa aparecem com 51% e consultas veterinárias, com 42%.
Serviços mais especializados também já fazem parte desse cenário. O levantamento cita planos de saúde, hotéis para pets, passeadores, pet sitters, creches, fisioterapia, massagem, acupuntura e acompanhamento comportamental.
Além disso, 80% dos entrevistados afirmaram que gastam o dinheiro necessário para manter o animal seguro e saudável.
Na alimentação, 33% desembolsam entre R$ 101 e R$ 200 em média, enquanto 18% gastam entre R$ 201 e R$ 300. Na saúde, a faixa entre R$ 101 e R$ 200 também aparece com destaque, citada por 26%.
Pet friendly vira fator de escolha
Talvez uma das transformações mais interessantes esteja fora das pet shops.
Entre as pessoas que já deixaram de frequentar algum lugar por não aceitar animais, 50% citaram restaurantes ou lanchonetes e 49% mencionaram hotéis ou pousadas.
Lojas aparecem com 33%, casas de amigos ou parentes com 28% e shoppings com 25%.
Por isso, políticas pet friendly começam a interferir diretamente na experiência de consumo. Para hotéis, restaurantes e estabelecimentos comerciais, aceitar animais pode representar mais do que uma comodidade: pode influenciar a decisão do cliente.
Do mercado de produtos para uma economia do cuidado
O próprio relatório destaca que os animais ocupam um espaço cada vez mais relevante nos lares brasileiros e informa uma população estimada em cerca de 160 milhões de pets no país.
Dessa forma, o mercado pet no Brasil passa por uma transformação que vai além das prateleiras. Alimentação, saúde, serviços especializados, turismo e lazer começam a se conectar em torno de uma relação afetiva cada vez mais presente.
Em outras palavras, o pet não representa apenas uma categoria de consumo. Ele começa a participar das decisões da família.
E essa mudança ajuda a explicar por que empresas de diferentes setores estão olhando com mais atenção para esse público.
Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa
Fonte
Opinion Box. Pesquisa Mercado Pet no Brasil 2026. Levantamento com 1.078 pessoas que possuem pets, realizado em fevereiro de 2026 e divulgado em abril de 2026. Margem de erro de 3 pontos percentuai
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