Naide Sousa Soares Menezes - Cultura Alternativa

Naide Sousa Soares Menezes, exemplo de fé e cultura

Naide Sousa Soares Menezes, exemplo de fé e cultura

Aguardamos alguns meses para publicar a matéria, pois, queriamos publicar numa data especial para o Cultura Alternativa. Hoje, 01 de Novembro de 2025, é o Dia de todos os Santos e para nós Naide Sousa Soares Menezes, além de tia, foi uma santa em vida e hoje é mais ainda.

Naide Sousa Soares Menezes, exemplo de fé e cultura, nasceu em 23 de junho de 1926, em São Luís do Maranhão. Filha primogênita de Arthur Sousa e Amélia Matos, passou a infância sob os cuidados de Rita Sousa, decisão tomada por sua mãe em busca de melhores condições para a filha. Desde pequena, demonstrava sensibilidade, serenidade e um profundo senso de responsabilidade.

Ao longo da vida, construiu uma trajetória admirável e inspiradora. Casou-se em 1958 com Luiz Gonzaga Soares Menezes, com quem teve três filhos. Além disso, consolidou uma rotina familiar baseada em amor e convivência, transformando os encontros de domingo em uma tradição repleta de afeto e união.

Com quase um século de vida, deixou um legado que abrange a educação, a espiritualidade, a cultura e o serviço comunitário. Assim, sua história se entrelaça com a da cidade de São Luís, onde viveu intensamente e deixou marcas profundas.

O Texto em Tópicos

  • Naide Sousa Soares Menezes foi um exemplo de fé e cultura, deixando um legado de amor e união familiar.
  • Trabalhou por 31 anos na Biblioteca Pública Benedito Leite, promovendo a cultura e a leitura na comunidade.
  • Ativa na religião, ela dedicou mais de cinquenta anos à Legião de Maria e foi reconhecida por sua devoção.
  • Aos 98 anos, partiu deixando ensinamentos que transcendem o tempo e inspiram futuras gerações.
  • Sua história está intimamente ligada à cidade de São Luís, que valoriza sua trajetória e contribuições culturais.

Vida familiar como expressão do amor

Na vida familiar, foi o elo que mantinha todos próximos. Após seu casamento com Luiz Gonzaga Soares Menezes, deu início à construção de uma rotina baseada na partilha e no afeto. O casal teve três filhos: Carmelita, Jesus e Luiz Filho. Desde então, ela incentivava os laços familiares por meio dos tradicionais almoços de domingo.

Além disso, os netos Melissa, Nivaldo Jr., Diego, Luiza e Larissa, bem como as netas de coração Elizabeth e Cecília, ocuparam lugar central em sua existência. Ela acompanhava cada etapa da vida de seus descendentes, oferecendo apoio, conselhos e ternura.

Por consequência, seu lar tornou-se símbolo de acolhimento e referência afetiva para toda a família. Os valores que transmitiu continuam vivos nos gestos e nas atitudes de quem dela herdou amor e sabedoria.


Três décadas dedicadas à Biblioteca Benedito Leite

A servidora pública construiu uma sólida carreira na Biblioteca Pública Benedito Leite, onde trabalhou por 31 anos como Agente Administrativo. Nesse período, participou do funcionamento da principal biblioteca do estado, contribuindo com o atendimento ao público, a organização do acervo e a promoção de atividades culturais.

Ainda durante o exercício profissional, buscou aprimorar-se com formações como Auxiliar de Bibliotecária, Ortografia Portuguesa, Relações Públicas e Supletivo de Primeiro Grau. Além disso, participou de cursos de memória, comunicação e alimentação, demonstrando o compromisso com o aprendizado contínuo.

Desse modo, sua presença na biblioteca fortaleceu a relação entre a comunidade leitora e o patrimônio literário maranhense. Colegas e frequentadores a descreviam como prestativa, paciente e sempre disposta a ajudar.


Espiritualidade como missão de vida

A fé sempre guiou suas escolhas. Devota de Nossa Senhora, ingressou na Legião de Maria e lá permaneceu por mais de cinquenta anos. Na Igreja dos Remédios, em São Luís, coordenou o grupo Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus e incentivou a prática da oração e do serviço solidário.

Com o passar dos anos, recebeu da Aliança de Fátima o título de Mensageira de Fátima, reconhecimento de sua devoção e compromisso espiritual. Ainda assim, sua religiosidade não se restringia às paredes da igreja. Ela vivia o evangelho nos gestos simples, nas palavras de conforto e na compaixão pelo próximo.

Portanto, tornou-se um exemplo de fé ativa e silenciosa. Inspirou gerações de legionárias e paroquianos, que viam nela uma mulher de serenidade e coragem espiritual.


Educação contínua e amor pelo saber

Mesmo após a aposentadoria, manteve viva sua paixão por aprender. Em 1993, participou de um curso voltado à memória e concentração. Posteriormente, em 2014, aos 88 anos, ingressou na Universidade Integrada da Terceira Idade (UNITI), vinculada à Universidade Federal do Maranhão, onde frequentava aulas com entusiasmo e curiosidade.

Além disso, surpreendia colegas e professores com a disposição em participar ativamente das atividades acadêmicas. Lia com frequência, tomava notas e compartilhava suas experiências de vida.

Com isso, reafirmou que o conhecimento não tem limite de idade. A partir de seu exemplo, inspirou filhos, netos e amigos a valorizarem a educação como instrumento de liberdade e realização pessoal.


São Luís como cenário de sua história

São Luís do Maranhão foi o cenário principal de sua existência. Ela presenciou o crescimento da cidade, a valorização do centro histórico e a transformação da capital em Patrimônio Mundial pela UNESCO. Caminhava pelas ruas de pedra, frequentava igrejas centenárias e se encantava com as tradições locais.

Enquanto isso, o centro histórico se tornava um ponto de referência para a cultura maranhense. Nesse contexto, a ligação entre sua trajetória e a cidade tornou-se simbiótica.

Por fim, seu nome passou a representar um elo entre o passado e o presente, entre a herança cultural e a espiritualidade que caracterizam o povo ludovicense.


Despedida com homenagens e gratidão

Em maio de 2025, aos 98 anos, encerrou sua jornada terrena. Sua partida comoveu familiares, amigos, ex-colegas e membros das comunidades religiosa e cultural. Assim, a Paróquia dos Remédios divulgou nota de pesar, destacando sua trajetória de fé e serviço.

Além disso, diversas homenagens foram prestadas em redes sociais e grupos comunitários. Mensagens lembraram sua generosidade, serenidade e presença constante.

Diante disso, o sepultamento no Cemitério do Gavião, em São Luís, foi marcado por emoção e gratidão. Seu nome foi lembrado em orações e cantos que celebraram uma vida plena de sentido.


Um legado que transcende o tempo

Mais do que lembranças, Naide Sousa Soares Menezes deixou ensinamentos. Sua vida foi um exemplo de como é possível unir fé, cultura, educação e serviço com simplicidade. Entre orações, livros e refeições em família, construiu uma história que permanecerá viva na memória dos que tiveram o privilégio de conhecê-la.

De fato, sem buscar reconhecimento, tornou-se referência. Ao mesmo tempo, demonstrou que a grandeza se revela nas atitudes diárias, no cuidado com o outro e na constância de princípios.

Por fim, sua memória seguirá como farol para as futuras gerações. Seu exemplo ecoa na cidade, nas igrejas, nas bibliotecas e, sobretudo, no coração dos que aprenderam com sua vida o verdadeiro significado da palavra servir.


Anand Rao
Editor Chefe
Cultura Alternativa