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Prevenção da obesidade: por que o problema vai além da alimentação e da balança

A prevenção da obesidade ganhou ainda mais relevância no Brasil diante do crescimento contínuo da doença.

Atualmente, cerca de um em cada quatro adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal vive com obesidade, segundo dados recentes do Vigitel.

Por isso, discutir prevenção significa olhar não apenas para a alimentação, mas também para rotina, sono, atividade física, ambiente urbano, renda e acesso à saúde.

Em 11 de outubro, o país celebra o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, enquanto o Dia Mundial da Obesidade ocorre em 4 de março.

Síntese principal

Além da mudança de abordagem, os números brasileiros mostram por que o tema se tornou ainda mais relevante.

O Vigitel Brasil indica que a frequência de obesidade entre adultos das capitais e do Distrito Federal passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Entre as mulheres, a prevalência chegou a 26,7%.

Em outras palavras, o crescimento ocorreu de forma expressiva em menos de duas décadas.

No cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade. Entre os adultos, a prevalência mundial mais que dobrou desde 1990.

Obesidade afeta adultos e crianças

Durante muitos anos, o debate sobre obesidade ficou concentrado quase exclusivamente no comportamento individual. Entretanto, essa visão vem sendo ampliada.

A alimentação adequada continua sendo fundamental. Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, reduzir o consumo frequente de ultraprocessados e manter uma rotina de atividade física são medidas importantes.

Ao mesmo tempo, outros fatores interferem diretamente nas escolhas. O preço dos alimentos, a jornada de trabalho, o acesso a espaços seguros para caminhar, a publicidade e até a organização das cidades influenciam hábitos cotidianos.

Por isso, a prevenção da obesidade também depende de políticas públicas e ambientes que facilitem escolhas mais saudáveis.

Se a prevenção precisa começar cedo, a infância ocupa um papel importante.

Segundo a OMS, 160 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos viviam com obesidade em 2022.

Nesse sentido, escolas e famílias podem contribuir ao estimular alimentação adequada, atividades físicas e menos exposição frequente a ultraprocessados.

Além disso, espaços públicos de lazer e oportunidades de movimento fazem diferença.

Por outro lado, falar sobre peso com crianças e adolescentes exige cuidado. Comentários depreciativos, cobranças excessivas e estigmatização podem prejudicar a autoestima e a relação com a alimentação.

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Outro avanço importante é abandonar abordagens baseadas em culpa.

Especialistas e organismos de saúde defendem que a obesidade seja tratada como uma condição crônica e multifatorial, influenciada por fatores metabólicos, genéticos, sociais e ambientais.

Além disso, a obesidade está associada a maior risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Por isso, quando já está instalada, a condição exige acompanhamento individualizado.

Prevenir a obesidade, portanto, não depende apenas do que chega ao prato. Depende também das cidades em que vivemos, da rotina de trabalho, do preço dos alimentos, das oportunidades de movimento e do acesso à informação e à saúde.