Entusiasmo une teatro, poesia e cultura popular no Sarau
Alexandre Bruno e Bya Braga conversam com Anand Rao sobre teatro, dublagem, ensino, culturas populares, poesia e os projetos que renovam a relação com a arte
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Entusiasmo une teatro, poesia e cultura popular no Sarau Cultura Alternativa 2026, em um encontro marcado pelo improviso, pela memória e pela defesa da criação artística. Anand Rao recebeu Alexandre Bruno e Bya Braga para percorrer passado, presente e futuro. Durante a conversa, entretanto, as histórias pessoais abriram caminhos para reflexões sobre educação, tecnologia e cultura.
O encontro nasceu praticamente por acaso. Anand havia conhecido os convidados no dia anterior, durante uma feira literária em Brasília. O casal estava na capital federal movido, sobretudo, pelo interesse pelas culturas populares e pela arte alternativa. Uma conversa iniciada fora do estúdio, assim, rapidamente se transformou em convite para participar do programa.
Durante quase uma hora, o sarau reuniu teatro, poesia, interpretação e humor. Os convidados falaram, além disso, sobre carreira, pesquisa e novos projetos. Uma palavra, portanto, atravessou toda a entrevista e acabou escolhida no encerramento como síntese do encontro: entusiasmo.
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Da infância ao encontro com o palco
O ator relembrou uma infância marcada pela timidez e pela observação. Inicialmente, encontrou no canto uma forma de expressão e participou do coral da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A atuação apareceu, entretanto, quase inesperadamente, quando recebeu o convite para participar do filme em Super-8 Tempo Sem Glória, dirigido por Henrique de Freitas Lima.
A experiência abriu outras possibilidades. O artista viveu, posteriormente, nove anos na Inglaterra, onde estudou mímica, linguagem que se tornou fundamental em sua formação. Sua trajetória passou, dessa maneira, a reunir diferentes linguagens, entre elas teatro, cinema, interpretação corporal, canto e trabalho com a voz.
A professora e atriz, por sua vez, encontrou referências artísticas no sul de Minas Gerais. Criada em São Lourenço, cresceu cercada por mulheres ligadas à música, à trova e à poesia popular. O carnaval integrou, além disso, sua formação por meio de fantasias, máscaras e transformações. A arte apareceu, portanto, antes mesmo da escolha profissional.
Educação, memória e poesia
Entre as lembranças mais importantes da artista está Josete Braga Mendonça, professora que desenvolveu trabalho pioneiro com educação infantil em São Lourenço. Sua prática aproximava educação, arte e ecologia. A mãe, Berta Braga Mendonça, também foi decisiva, pois apoiou a filha quando ela manifestou vontade de trocar a dança pelo teatro.
No início dos anos 1980, a mineira chegou à Escola de Teatro da Universidade Federal de Minas Gerais. Décadas depois, entretanto, aquela decisão permanece presente em sua vida. Em 2026, completa 40 anos de atuação na área teatral e soma 33 anos como professora da UFMG, conciliando, dessa forma, criação, pesquisa e formação de novos artistas.
A poesia também atravessou o programa. Anand apresentou uma tradução de um poema escrito originalmente em Telugu por seu pai, Bhaskara Rao. O ator interpretou, posteriormente, um trecho de Degustação, texto teatral de sua autoria. Sua companheira, por sua vez, homenageou a poeta mineira Líria Porto apresentando Fôlego. Memória familiar, dramaturgia e poesia contemporânea ocuparam, assim, o mesmo espaço.
Dublagem, pesquisa e novos caminhos
Atualmente, o artista encontrou uma nova frente profissional na dublagem em Belo Horizonte. Sua voz grave abriu espaço, consequentemente, para personagens como policiais e vilões. Ele explicou, contudo, que dublar não significa simplesmente copiar a entonação original. É necessário construir uma versão em português coerente com a cena e, ao mesmo tempo, respeitar sincronia e duração das falas.
O cinema continua igualmente presente. O ator participou recentemente de O Último Prato, dirigido por Emisael Cunha, no qual interpreta o proprietário de um restaurante italiano. Ao recordar outras experiências, além disso, contou que, em 2009, interpretou o Duende Verde em um espetáculo relacionado ao universo do Homem-Aranha.
A pesquisadora, paralelamente, desenvolve pós-doutorado na área das artes da cena em diálogo com o Lume Teatro, da Unicamp. O estudo investiga relações entre culturas populares, teatro profissional e formação artística. Sua passagem por Brasília estava, inclusive, relacionada a esse trabalho e ao interesse pelo Seu Estrelo e pelo Festival de Teatro de Terreiro.

A experiência presencial do teatro
Um dos debates surgiu quando Anand questionou por que alguém deveria sair de casa para assistir presencialmente a um espetáculo diante da quantidade de produções disponíveis pela internet. As plataformas digitais oferecem, atualmente, excelente imagem e som. O conforto doméstico tornou-se, portanto, concorrente real das salas de espetáculo.
A professora não colocou tecnologia e presença como adversárias. O teatro, segundo ela, oferece outra experiência porque incorpora imperfeições, riscos, encontros e acontecimentos imprevisíveis. Existe, dessa maneira, algo genuinamente humano na presença simultânea de artistas e espectadores que uma produção editada não pretende reproduzir.
A defesa não significa, entretanto, abandonar telas ou streaming. Significa permitir-se experimentar diferentes maneiras de acessar a cultura. O palco pode conter falhas e surpresas; justamente por isso, cada apresentação se torna única. Em uma sociedade cada vez mais mediada pela tecnologia, portanto, a presença física ganha outro significado.
O futuro nasce do entusiasmo
Os dois artistas também anteciparam um projeto construído conjuntamente. O espetáculo O Bença tem estreia prevista para o final de novembro, no Teatro Marília, em Belo Horizonte. A criação estabelece relações com o Vale do Jequitinhonha e, especialmente, com o universo da cerâmica artesanal e das culturas populares.
O trabalho combina comicidade e ludicidade com temas mais densos. Ao mesmo tempo, permite ao casal revisitar técnicas cênicas desenvolvidas durante décadas. O espetáculo representa, portanto, uma oportunidade de compartilhar com o público conhecimentos acumulados no teatro, na universidade, na pesquisa e na experiência pessoal.
No encerramento, passado, presente e futuro convergiram em uma mesma ideia. Os convidados atravessaram diferentes etapas profissionais, porém continuam interessados em aprender, criar e experimentar. O sarau mostrou, assim, que amadurecimento artístico não precisa significar acomodação. A palavra escolhida para resumir o encontro foi, consequentemente, entusiasmo.
Assista o Sarau Entrevista
O público pode acompanhar a conversa completa com Alexandre Bruno, Bya Braga e Anand Rao na TV Cultura Alternativa, no YouTube. Além das histórias apresentadas nesta matéria, o programa traz, ainda, improvisações, interpretações, poesia, humor e momentos espontâneos que somente a entrevista integral permite conhecer. Estreou no dia 24/08 às 21 h.
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Anand Rao
Editor Chefe
Fernando Araújo & Equipe
Colaboradores
Cultura Alternativa

