Viajar dá mais satisfação do que comprar bens, diz pesquisa
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Viajar dá mais satisfação do que comprar bens materiais para 75% dos viajantes brasileiros ouvidos em uma pesquisa divulgada pela Booking.com em agosto de 2026. O levantamento indica, além disso, que 87% consideram uma viagem um investimento em qualidade de vida. Na prática, experiências como conhecer outra cidade, descansar ou entrar em contato com novas culturas aparecem, portanto, como uma utilização do dinheiro capaz de proporcionar mais satisfação do que adquirir um carro, celular ou outro produto.
A pesquisa ouviu 1.200 brasileiros com 18 anos ou mais, de diferentes regiões do país, durante junho de 2026. Todos haviam realizado pelo menos uma viagem de lazer, dentro ou fora do Brasil, nos 12 meses anteriores. Esse detalhe, entretanto, é importante para interpretar os resultados: o estudo retrata pessoas que já possuem experiência recente com turismo e, por isso, não representa necessariamente todos os brasileiros.
A valorização das viagens cresce com a idade. Entre participantes de 45 a 54 anos, 93% relacionam o turismo à qualidade de vida; entre aqueles com 55 anos ou mais, o índice alcança 90%. O resultado sugere, nesse sentido, que experiências ganham relevância conforme as pessoas acumulam vivências e, ao mesmo tempo, passam a avaliar de outra maneira a utilização do próprio dinheiro.
Tabela de conteúdos
Viajar virou um objetivo pessoal
Mais de um terço dos entrevistados, 35%, afirma que viajar está entre seus principais objetivos pessoais. O percentual chega a 43% entre pessoas de 25 a 44 anos. A viagem, portanto, deixa de aparecer somente como um luxo eventual e passa a ocupar espaço entre projetos que envolvem planejamento, economia e organização financeira.
O entusiasmo não significa gastar sem limites. Para 44% dos participantes, viajar é algo desejável apenas quando os custos cabem no orçamento. Outros 11% precisam de um período prolongado de preparação financeira para conseguir sair de férias. Entre jovens de 18 a 24 anos, por sua vez, essa necessidade sobe para 17%, mostrando que renda e capacidade de poupança continuam, assim, determinantes.
Quando precisam escolher onde cortar despesas, 72% afirmam que reduziriam outros gastos cotidianos para viabilizar uma viagem. Entre pessoas de 25 a 54 anos, essa disposição chega a 76%. Os entrevistados, ao mesmo tempo, não apontaram apenas pequenos cortes: 23% adiariam a compra de bens materiais, outros 23% deixariam eventos sociais ou comemorações para depois e 18%, consequentemente, postergariam a troca do carro ou de eletrônicos.
Brasileiros adaptam a viagem ao bolso
Quase nove em cada dez participantes, 89%, disseram já ter feito algum tipo de ajuste para manter uma viagem dentro do orçamento. A estratégia mais citada foi escolher épocas mais baratas, adotada por 39%. Em seguida, 36% disseram esperar promoções ou preços melhores e 27% recorreram ao parcelamento. O turista brasileiro, dessa forma, parece mais disposto a modificar datas e condições do passeio do que simplesmente abandonar o plano.
Esse comportamento combina com outro levantamento da Booking.com divulgado em 2026. Nele, 62% dos brasileiros disseram pretender realizar mais viagens nacionais de fim de semana, 49% planejavam aumentar as escapadas curtas dentro do país e 41% pretendiam fazer mais viagens de até uma semana. A preferência, consequentemente, também pode estar migrando para períodos menores e mais frequentes de lazer.
Nesse mesmo estudo, 70% afirmaram que pretendiam aumentar seus gastos com viagens durante 2026. Entre quem planejava ampliar o orçamento, 42% desejavam permanecer mais tempo nos destinos e 40% queriam viajar mais vezes. Esses números, em conjunto, reforçam a percepção de que o turismo ganhou espaço nas prioridades de consumo de uma parcela expressiva dos viajantes brasileiros.

Gastar com experiências provoca menos culpa
Um dos resultados mais reveladores da nova pesquisa está ligado à sensação provocada pelo gasto. Sete em cada dez entrevistados, 70%, afirmam sentir menos culpa ao desembolsar dinheiro com uma viagem do que com outras compras. A experiência turística, em outras palavras, parece ser percebida como algo que deixa lembranças e benefícios capazes de justificar melhor a despesa.
Isso não significa que viajar tenha ultrapassado todas as demais prioridades financeiras. Diante de uma quantia inesperada de dinheiro, 29% dos participantes prefeririam investir, enquanto 26% reservariam os recursos para uma viagem futura. Entre pessoas com 55 anos ou mais, contudo, 33% destinariam o valor ao turismo, a maior proporção registrada entre as faixas etárias analisadas.
Os resultados mostram uma relação menos impulsiva com as férias do que a ideia de simplesmente “gastar para viajar”. A maioria procura adaptar datas, pesquisar preços e reorganizar despesas para tornar o passeio possível. A pesquisa indica, assim, uma mudança relevante na percepção do consumo: para muitos brasileiros que já viajam, acumular experiências pode, afinal, proporcionar mais satisfação do que acumular objetos.
Anand Rao
Editor Chefe
Fernando Araújo & Equipe
Colaboradores
Cultura Alternativa

