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Aeroporto de João Pessoa avança com modernização da Aena

Aeroporto de João Pessoa avança com modernização da Aena

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Aeroporto de João Pessoa vive uma transformação que vai além de uma reforma visual. Desde que a Aena assumiu a operação, em 2020, o Presidente Castro Pinto recebeu obras de infraestrutura, sistemas digitais, novas soluções de acessibilidade e medidas ambientais. O contrato do Bloco Nordeste tem prazo de 30 anos e, nesse contexto, a operadora passou a aplicar no terminal paraibano padrões utilizados em sua rede internacional. O resultado aparece, além disso, na capacidade, no fluxo de passageiros e na experiência de quem embarca ou desembarca.

Estrutura renovada e mais capacidade

A modernização entregue em março de 2024 concentrou cerca de R$ 170 milhões em investimentos no complexo de João Pessoa. A intervenção elevou em aproximadamente 80% a capacidade operacional. A própria Aena informa que o sítio aeroportuário, com quase quatro milhões de metros quadrados, pode atender cerca de 2,3 milhões de passageiros por ano. O avanço criou, portanto, margem para acompanhar a expansão turística da capital paraibana e o aumento do fluxo de visitantes.

O lado aéreo também mudou de forma profunda. A concessionária requalificou pistas e pátios, acrescentou cerca de 11 mil metros quadrados ao estacionamento de aeronaves e criou três novas posições. O aeródromo recebeu nova iluminação, áreas de segurança de fim de pista e o sistema PAPI, que auxilia visualmente os pilotos durante a aproximação. A operação ganhou, ao mesmo tempo, condições mais seguras e eficientes para movimentar aviões e reduzir gargalos nos horários de maior demanda.

Dentro do edifício, as salas de embarque e desembarque dobraram de tamanho e duas pontes passaram a ligar diretamente o terminal às aeronaves. A mudança favorece idosos, pessoas com deficiência e viajantes com mobilidade reduzida. A Aena reorganizou, ainda, os acessos de veículos e pedestres, renovou a fachada e ampliou áreas de convivência. O novo desenho interno distribui melhor os fluxos e, consequentemente, torna a circulação mais funcional.

Tecnologia acelera a jornada do passageiro

A principal inovação invisível ao olhar apressado está na automação. Leitores eletrônicos de cartões de embarque e passaportes, novos equipamentos de raios X e sistemas automatizados de processamento de bagagens reduziram etapas manuais. O passageiro encontra, além disso, infraestrutura preparada para tornar inspeção e despacho mais rápidos. A modernização incluiu uma área internacional reversível que, por sua vez, permite adaptar espaços conforme a demanda de voos domésticos ou internacionais.

A experiência digital ganhou outro recurso em fevereiro de 2026. A Aena lançou a assistente virtual Serena, acessível pelo WhatsApp e por QR Codes nos aeroportos brasileiros administrados pela companhia. O serviço informa chegadas, partidas e alterações de voos até o encerramento do embarque. A ferramenta evita, dessa maneira, que o usuário dependa exclusivamente dos painéis físicos e leva atualizações diretamente ao celular do viajante.

João Pessoa recebeu ainda uma das novidades mais interessantes da rede: uma sala multissensorial inaugurada em novembro de 2025 para passageiros neurodivergentes. O ambiente funciona 24 horas, fica próximo ao canal de inspeção e utiliza internet das coisas, inteligência artificial, controle por dispositivos móveis e videomodelamento. O espaço oferece, assim, uma área de descompressão capaz de reduzir estímulos que podem provocar estresse e inclui, igualmente, recursos tecnológicos de apoio aos usuários.

Sustentabilidade entra na operação

A transformação também alcançou a gestão ambiental. A Aena incorporou soluções relacionadas a energia limpa, reaproveitamento de água e melhorias nos serviços de coleta. O sistema de drenagem ganhou recursos para separar água e óleo em áreas operacionais. O aeroporto passou, paralelamente, a integrar programas de monitoramento da qualidade do ar e do ruído aeronáutico, fortalecendo uma abordagem ambiental integrada ao funcionamento cotidiano do terminal.

O Presidente Castro Pinto integra o grupo de aeroportos nordestinos da Aena que conquistaram o Nível 1 do Airport Carbon Accreditation, programa internacional voltado à gestão das emissões de carbono no setor aeroportuário. A certificação demonstra que o operador mede e inventaria suas emissões. Esse estágio representa, entretanto, o começo de um processo mais amplo e não significa neutralidade de carbono. A empresa estabeleceu, por isso, metas progressivas para reduzir suas próprias emissões.

O conceito ambiental aparece também no aproveitamento de áreas não operacionais. A companhia iniciou em João Pessoa um projeto imobiliário inspirado no conceito de aerotrópole, que procura aproximar atividades econômicas do entorno aeroportuário. Hotéis, restaurantes, centros de convenções, comércio, logística e distribuição aparecem entre as possibilidades estudadas. A proposta pretende, desse modo, transformar terrenos subutilizados em serviços ligados ao passageiro e ao desenvolvimento econômico regional.

Crescimento antecipa a próxima expansão

O Castro Pinto movimentou aproximadamente 1,89 milhão de passageiros em 2025, com crescimento de 17,7% em relação ao ano anterior, destacando-se entre os terminais administrados pela Aena no Nordeste. Entre janeiro e agosto de 2026, passaram pelo aeroporto mais de 1,35 milhão de viajantes, com novo avanço sobre igual período de 2025. A expansão do movimento pressionou, consequentemente, a necessidade de antecipar investimentos previstos no planejamento da concessão.

A principal obra anunciada para esta etapa é uma terceira ponte de embarque. O investimento estava inicialmente previsto para um período posterior, mas a operadora antecipou o projeto diante da expansão do movimento. A nova estrutura será instalada no lado onde ainda acontecem embarques e desembarques sem conexão direta entre edifício e aeronave. A intervenção deverá, portanto, aumentar o conforto e reduzir a exposição dos passageiros às condições climáticas.

O Aeroporto de João Pessoa chega, enfim, a uma fase em que inovação não significa apenas instalar equipamentos digitais. A mudança combina segurança de pista, automação, acessibilidade, sustentabilidade, conforto e planejamento para crescer antes que a demanda supere a estrutura disponível. A gestão da Aena transformou, nesse sentido, um terminal que precisava ganhar fôlego em uma plataforma mais preparada para acompanhar a expansão turística e econômica da Paraíba, enquanto um novo ciclo de investimentos começa a se desenhar.

Anand Rao
Editor Chefe
Fernando Araújo & Equipe
Colaboradores
Cultura Alternativa