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Acesso ao cinema no Brasil: mais salas, mas nem todo mundo consegue chegar até elas

Acesso ao cinema no Brasil

O Brasil fechou 2025 com 3.544 salas de cinema, o maior parque exibidor da série recente da Ancine.

Ainda assim, o crescimento da infraestrutura não resolveu um problema antigo: o acesso continua desigual. Hoje, a principal pergunta não é apenas quantas salas o país tem, mas quem de fato consegue frequentá-las.

Os dados mostram uma contradição importante. Enquanto o número de salas aumentou, o público caiu 10% em 2025, somando 112,8 milhões de ingressos vendidos.

Ao mesmo tempo, 86,6 milhões de brasileiros ainda vivem em municípios sem salas de cinema. Portanto, a expansão física do setor não significa, por si só, democratização cultural.

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Acesso ao cinema no Brasil

Segundo o Informe Anual do Mercado Cinematográfico 2025, da Ancine, o país passou de 3.510 salas em 2024 para 3.544 em 2025. Além disso, o número de complexos chegou a 886. Em um primeiro olhar, o cenário parece positivo. No entanto, a frequência do público seguiu na direção oposta.

Esse contraste ajuda a entender o desafio atual. Embora a oferta tenha crescido, parte da população continua distante das salas por razões geográficas e econômicas.

Assim, o cinema comercial avança, mas não alcança todos os brasileiros na mesma medida.

Em 2025, apenas 466 municípios tinham salas de cinema em funcionamento. Isso significa que 5.105 cidades brasileiras continuavam sem esse equipamento cultural. Como resultado, 40,6% da população do país vivia em municípios sem cinema.

A disparidade regional reforça esse quadro. No Nordeste, 57,6% da população mora em cidades sem salas. No Norte, o índice chega a 51,6%. Já no Sudeste, a proporção cai para 27,6%. Além disso, 55% das salas estão concentradas em cidades com mais de 500 mil habitantes.

O dado chama atenção porque revela um padrão de concentração urbana. Belford Roxo, no Rio de Janeiro, por exemplo, aparece no relatório da Ancine como o único município com mais de 500 mil habitantes sem cinema em funcionamento. Portanto, a exclusão não afeta apenas cidades pequenas ou isoladas.

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Acesso ao cinema no Brasil

O preço médio do ingresso no Brasil ficou em R$ 20,40 em 2025. Ainda que esse valor seja uma média nacional, ele ajuda a medir o peso do lazer no orçamento das famílias. Afinal, ir ao cinema raramente envolve só a entrada. Transporte, alimentação e estacionamento também entram na conta.

A desigualdade econômica aparece com ainda mais clareza na pesquisa Hábitos Culturais 2026, do Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha.

Entre pessoas das classes A e B, 63% foram ao cinema nos últimos 12 meses. Entre as classes D e E, o índice caiu para 18%.

Além disso, 35% dos entrevistados apontaram o custo, incluindo deslocamento e ingresso, como barreira para participar de atividades culturais presenciais.

Se o mercado não alcança todo o território, políticas públicas podem reduzir a distância. Em São Paulo, o Circuito Spcine mantém 32 espaços, sobretudo em bairros sem atendimento das salas comerciais.

Há unidades com ingressos a R$ 4 e até sessões gratuitas. Dessa forma, o acesso deixa de depender apenas da lógica de mercado.

Cineclubes, festivais itinerantes, salas públicas e ações em escolas também podem ampliar a formação de público. Além disso, iniciativas desse tipo fortalecem o cinema brasileiro e aproximam a experiência cultural de quem mora longe dos grandes centros.

Acesso ao cinema no Brasil

A resposta, hoje, ainda passa por renda e endereço. O Brasil tem mais salas de cinema, mas elas seguem concentradas onde há maior poder de consumo. Por isso, a ampliação do parque exibidor é positiva, porém insuficiente.

Para que o acesso ao cinema no Brasil se torne mais amplo, será necessário combinar expansão da oferta, preços mais acessíveis e políticas culturais permanentes.

Só assim a tela grande poderá deixar de ser privilégio e se tornar, de fato, uma experiência cultural mais democrática.

Fontes

Ancine, Informe Anual do Mercado Cinematográfico 2025.
Observatório Fundação Itaú e Datafolha, Hábitos Culturais, 7ª edição, 2026.
Spcine, informações institucionais sobre o Circuito Spcine.