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Atividade física no mundo permanece estagnada há 20 anos

Atividade física no mundo permanece estagnada há 20 anos e desafio vai além da conscientização

Durante as últimas duas décadas, academias se multiplicaram, aplicativos de exercícios conquistaram milhões de usuários e campanhas de promoção da saúde ganharam espaço em diversos países.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para tornar a população mundial mais ativa. Um estudo publicado em 2026 na revista Nature Health revela que os níveis de atividade física permanecem praticamente estagnados desde o início dos anos 2000, apesar do avanço das políticas públicas voltadas ao tema.

O levantamento reforça uma constatação importante: informar a população sobre os benefícios do exercício físico é apenas parte da solução.

Ao mesmo tempo, criar ambientes urbanos que incentivem o movimento e investir em políticas públicas eficazes parecem ser fatores ainda mais determinantes para mudar esse cenário.

Segue o fio🧶

Estudo analisou duas décadas de políticas públicas

Os pesquisadores avaliaram 661 políticas nacionais de promoção da atividade física implementadas entre 2004 e 2025 em aproximadamente 200 países. O objetivo foi verificar se essas iniciativas estabeleceram metas claras, mecanismos de monitoramento, financiamento adequado e integração entre diferentes áreas governamentais.

Além disso, o estudo analisou como essas estratégias foram estruturadas e quais resultados produziram ao longo do período. A principal conclusão foi que houve avanços na elaboração de políticas, porém poucos reflexos no comportamento da população.

Segundo os autores, aproximadamente um quarto dos países não definiu indicadores para medir a eficácia de suas ações. Da mesma forma, menos de 40% das políticas envolveram setores como saúde, educação, transporte, esporte e planejamento urbano de forma integrada. Como consequência, muitos programas perderam eficiência antes mesmo de gerar mudanças duradouras.

Atividade física no mundo

Sedentarismo continua sendo uma ameaça global

O sedentarismo permanece entre os maiores desafios da saúde pública mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço dos adultos e quatro em cada cinco adolescentes ainda não alcançam os níveis mínimos recomendados de atividade física.

A recomendação continua sendo de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada para adultos e cerca de 60 minutos diários para crianças e adolescentes.

Além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e alguns tipos de câncer, a inatividade física também está associada ao declínio da saúde mental, à perda da capacidade funcional durante o envelhecimento e ao aumento dos custos dos sistemas públicos de saúde.

O ambiente influencia mais do que a motivação

Um dos aspectos mais relevantes do estudo é mostrar que a decisão de praticar exercícios depende muito mais do ambiente do que apenas da motivação individual.

Pessoas que vivem em cidades com calçadas acessíveis, ciclovias, parques, transporte público eficiente e espaços seguros para lazer tendem a caminhar e pedalar com maior frequência. Por outro lado, regiões com trânsito intenso, violência ou pouca infraestrutura acabam favorecendo o sedentarismo.

Os pesquisadores defendem que investir em urbanismo saudável pode gerar resultados mais consistentes do que campanhas educativas isoladas. Afinal, quando caminhar faz parte da rotina, manter-se ativo torna-se uma consequência natural.

Desigualdade limita o acesso à atividade física

Outro ponto destacado pelo estudo é a influência das desigualdades sociais.

Enquanto pessoas de maior renda costumam ter acesso a academias, clubes, parques e tempo livre para praticar esportes, populações mais vulneráveis frequentemente enfrentam jornadas de trabalho extensas, transporte precário e ausência de espaços públicos adequados.

Ao mesmo tempo, muitos trabalhadores realizam esforço físico intenso durante o expediente, mas não conseguem usufruir dos benefícios da atividade física planejada para prevenção de doenças e promoção da qualidade de vida.

Por isso, os autores defendem que políticas públicas precisam considerar também as diferenças sociais e econômicas de cada país.

O que essa pesquisa significa para o Brasil?

No Brasil, o estudo dialoga diretamente com desafios já conhecidos. Dados do Ministério da Saúde e do sistema Vigitel mostram que uma parcela significativa da população adulta ainda apresenta níveis insuficientes de atividade física, enquanto o excesso de peso e a obesidade continuam crescendo.

O envelhecimento da população brasileira torna esse debate ainda mais urgente. Manter uma rotina ativa reduz o risco de doenças crônicas, preserva a autonomia na terceira idade e melhora a qualidade de vida.

Especialistas também destacam que cidades mais caminháveis, transporte ativo e espaços públicos bem conservados podem estimular hábitos saudáveis sem exigir grandes mudanças na rotina das pessoas.

O futuro depende de políticas mais eficientes

Em resumo, o estudo mostra que o mundo já conhece os benefícios da atividade física. O grande desafio agora é transformar esse conhecimento em ações concretas que facilitem escolhas saudáveis no dia a dia.

Os pesquisadores identificam quatro obstáculos que ainda limitam o avanço da atividade física no mundo:

  • ausência de metas claras nas políticas públicas;
  • pouco monitoramento dos resultados;
  • baixa integração entre diferentes setores governamentais;
  • investimentos insuficientes em infraestrutura urbana.

Por fim, a pesquisa deixa uma reflexão importante: o maior desafio do século XXI talvez não seja convencer as pessoas de que o exercício faz bem, mas construir cidades, comunidades e políticas públicas que tornem o movimento parte natural da vida cotidiana. Se governos, empresas e sociedade conseguirem avançar nessa direção, será possível reduzir o sedentarismo e promover uma população mais saudável nas próximas décadas.

Fontes

  • Nature Health. Physical activity policy progress has not translated into higher activity levels globally (2026).
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour.
  • Ministério da Saúde. Vigitel Brasil.

Por Agnes Adusumilli – Site Cultura Alternativa

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA