O Dia Mundial da Bicicleta, celebrado todo ano em 3 de junho, lembra o mundo de um dos inventos mais democráticos da história humana.
A Assembleia Geral da ONU proclamou a data em 12 de abril de 2018, por meio da Resolução 72/272, reconhecendo a bicicleta como símbolo de transporte sustentável, simples, acessível, limpo e ecológico. Comemorar, porém, não basta. É preciso agir.
Para os apressados
- O Dia Mundial da Bicicleta celebra a bicicleta como um transporte sustentável e acessível, promovendo a saúde e o meio ambiente.
- A OMS incentiva a mobilidade ativa através da campanha ‘Vamos Mexer-nos!’, destacando os benefícios de pedalar e caminhar.
- No Brasil, a infraestrutura cicloviária está em crescimento, mas ainda é insuficiente, com a maioria das capitais com menos de 10% de cobertura.
- Bicicletas elétricas estão em alta, ampliando o acesso à mobilidade, mas mudanças estruturais são necessárias para uma adoção mais ampla.
- O Dia Mundial da Bicicleta convida governos e cidadãos a transformarem discursos em ações, aumentando o uso de bicicletas nas cidades.
Saúde, meio ambiente e qualidade de vida: os pilares da data
O Dia Mundial da Bicicleta vai além do simbolismo. Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde lançou, em 2025, a campanha “Vamos Mexer-nos!”, que apresenta 100 razões para caminhar e pedalar mais.
A iniciativa destaca benefícios como a prevenção de doenças, a redução do ruído e da poluição, e a construção de cidades mais seguras e verdes. Portanto, a bicicleta não é apenas uma escolha de transporte. É uma escolha de vida.
Com base nisso, a OMS reforça que pedalar e caminhar contribuem significativamente para o bem-estar, para a prevenção de doenças e para a educação física de crianças e jovens, além de favorecerem a inclusão social e o desenvolvimento sustentável.
Dessa forma, os benefícios se estendem muito além da saúde individual e alcançam toda a estrutura das cidades.
SOBRE O ASSUNTO
- Sempre é tempo para começar a pedalar
- Pedalar ao ar livre, benefício para corpo e mente
- Cidades para aproveitar de bicicleta

Dia mundial da bicicleta
Infraestrutura cicloviária no Brasil: avanços reais e gargalos persistentes
No Brasil, os sinais são positivos, mas ainda insuficientes.
O Prêmio Bicicleta Brasil 2025 recebeu 434 propostas habilitadas, quase seis vezes mais do que as 76 registradas no ano anterior, o que demonstra crescimento expressivo do engajamento público e privado em torno da mobilidade ciclística. Assim sendo, o interesse pela bicicleta como solução urbana cresce em ritmo acelerado.
Todavia, a infraestrutura ainda patina. Segundo levantamento da Aliança Bike, realizado entre julho de 2024 e julho de 2025, nenhuma capital brasileira alcança 10% de sua malha viária com ciclovias ou ciclofaixas, e cerca de dois terços das capitais não chegam a 3% de cobertura.
Em outras palavras, o espaço destinado à bicicleta nas cidades brasileiras ainda é marginal, apesar do discurso crescente em favor da mobilidade ativa.
Por outro lado, alguns municípios provam que a mudança é possível quando há vontade política.
Em Niterói, o número de ciclistas registrados na ciclovia da Avenida Marquês do Paraná cresceu 44% em dois anos, chegando ao recorde de 7.965 usuários e superando inclusive o número de passageiros do catamarã, considerado transporte de massa.
Diante disso, o exemplo niteroiense mostra que investimento em infraestrutura gera resultado concreto e mensurável.
Dia mundial da bicicleta
Bicicletas elétricas: um novo perfil de ciclista urbano
Um fenômeno que merece atenção especial é o crescimento das e-bikes no país. No primeiro trimestre de 2025, a produção de bicicletas elétricas no Brasil atingiu 6.800 unidades, um crescimento de 89% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nesse contexto, a bicicleta elétrica amplia o alcance da mobilidade ativa, pois atende públicos que antes encontravam barreiras físicas ou de distância no uso da bicicleta convencional.
Vale ressaltar, contudo, que a tecnologia por si só não resolve o problema estrutural. Especialistas em mobilidade urbana apontam que eventos pontuais não bastam.
Por isso, é necessário um conjunto de ações permanentes para que a bicicleta se torne uma escolha cotidiana, e não apenas um passeio de fim de semana.
Bicicleta e clima: a meta para 2035
Por isso mesmo, o debate sobre bicicletas se conecta diretamente à agenda climática. O Plano Clima brasileiro estabeleceu metas de mobilidade ativa para 2035, apostando na ampliação da infraestrutura cicloviária como ferramenta de redução de emissões.
A proposta inclui a construção de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, além de bicicletários e estruturas de apoio integradas ao transporte público.
Dessa maneira, reduzir emissões nas cidades brasileiras passa, inevitavelmente, por uma decisão política clara: tirar carros das ruas.
Colocar pessoas nas bicicletas é o caminho mais direto para isso. O trajeto existe. O que falta, em muitas cidades, é a coragem de percorrê-lo.
O Dia Mundial da Bicicleta é, portanto, um convite. Para governos, representa o momento de transformar discurso em ciclovia.
Para cada cidadão, é a oportunidade de descobrir que uma cidade melhor pode começar com dois pedais. Compartilhe este conteúdo e ajude a ampliar esse debate.
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