Envelhecimento da força de trabalho - Site Cultura Alternativa

Mercado de trabalho: cresce a ocupação entre idosos e recua entre jovens

Trabalhadores com 60 anos ou mais ampliam participação no mercado de trabalho, enquanto jovens recuam

O mercado de trabalho brasileiro passa por uma transformação geracional.

No segundo trimestre de 2026, o número de trabalhadores ocupados com 60 anos ou mais cresceu 4,1%, enquanto a ocupação dos jovens de 18 a 24 anos recuou 1,2%.

Os números fazem parte da Carta de Conjuntura nº 72, Nota 25, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na PNAD Contínua do IBGE.

Além disso, os resultados revelam mudanças na composição da força de trabalho. Entretanto, não comprovam que os profissionais mais velhos estejam retirando oportunidades das novas gerações.

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O levantamento mostra diferenças importantes entre as faixas etárias. Enquanto a ocupação dos profissionais de 40 a 59 anos avançou 1,9%, o grupo de 25 a 39 anos apresentou queda de 0,6%.

Portanto, a expansão do emprego não ocorre de maneira uniforme.

O envelhecimento populacional ajuda a compreender essa transformação. Afinal, o Brasil reúne uma parcela crescente de pessoas com mais de 60 anos.

Além disso, muitos profissionais permanecem economicamente ativos para complementar a aposentadoria, manter a independência financeira ou continuar desenvolvendo suas atividades.

Contudo, o crescimento da ocupação não significa necessariamente melhoria nas condições de trabalho. É preciso observar também remuneração, informalidade e proteção previdenciária.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a redução de 1,2% na ocupação merece atenção. Entretanto, esse resultado não significa que todos estejam enfrentando dificuldades para conseguir emprego.

Parte dessa dinâmica pode refletir a permanência nos estudos e as mudanças demográficas. Ao mesmo tempo, a exigência de experiência profissional e a dificuldade de conciliar formação e trabalho continuam representando desafios.

Outro indicador reforça a importância da qualificação. No segundo trimestre de 2026, a ocupação cresceu 3,6% entre trabalhadores com ensino superior, enquanto avançou apenas 0,6% entre aqueles com ensino médio.

Por outro lado, uma análise do Dieese mostra que o número de ocupados entre 18 e 24 anos cresceu 1,2% entre os segundos trimestres de 2022 e 2026.

Assim, o recuo registrado na comparação anual não representa necessariamente uma tendência contínua de redução do emprego juvenil.

Embora o Brasil apresente indicadores favoráveis de desemprego, as diferenças entre gerações continuam expressivas.

No segundo trimestre de 2026, a taxa nacional de desocupação ficou em 5,4%. Entretanto, entre os jovens de 18 a 24 anos, alcançou 11,7%.

Já entre os trabalhadores com 60 anos ou mais, o indicador ficou em 2,3%.

Essas taxas não devem ser confundidas com a quantidade de pessoas ocupadas. Isso porque a taxa de desemprego considera apenas quem integra a força de trabalho.

Consequentemente, uma pessoa que não trabalha nem procura emprego não entra no cálculo da desocupação.

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O avanço dos profissionais mais velhos abre espaço para discutir a convivência entre gerações.

Enquanto trabalhadores experientes acumulam conhecimento técnico e vivência profissional, os jovens podem contribuir com novas competências e familiaridade com tecnologias.

Nesse contexto, empresas podem investir em programas de mentoria, capacitação contínua e processos seletivos que combatam a discriminação por idade.

Além disso, políticas de primeiro emprego e oportunidades de aprendizagem ajudam a fortalecer a entrada dos jovens no mercado formal.

Os indicadores do Ipea mostram que o envelhecimento da população já influencia a estrutura do emprego brasileiro.

Entretanto, o principal desafio não está em escolher entre contratar jovens ou profissionais mais velhos. Está em ampliar oportunidades de qualidade para diferentes gerações.

Por isso, acompanhar as próximas divulgações da PNAD Contínua será importante para identificar se essas mudanças se consolidam.

Afinal, um mercado de trabalho inclusivo precisa reconhecer tanto a experiência acumulada quanto o potencial de quem inicia a carreira.

Fontes

Cultura Alternativa