A obesidade infantil avançou nos últimos anos e passou a representar um dos principais desafios de saúde pública entre crianças e adolescentes.
No entanto, explicar esse crescimento apenas pela alimentação dentro de casa seria simplificar um problema muito mais amplo.
Hoje, preço dos alimentos, publicidade, rotina escolar, tempo diante das telas e acesso a espaços seguros para brincar também influenciam diretamente a saúde das crianças.
Segundo o UNICEF, em 2025 a obesidade ultrapassou o baixo peso entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos em escala mundial.
Cerca de 188 milhões vivem com obesidade, o equivalente a aproximadamente uma em cada dez pessoas nessa faixa etária.
Para ler devagar….
- A obesidade infantil aumenta devido a fatores como produtos ultraprocessados, rotina escolar e falta de espaços seguros para brincar.
- No Brasil, 31% das crianças de 5 a 10 anos e 35,4% dos adolescentes apresentam excesso de peso.
- A má nutrição inclui dietas ricas em calorias e pobres em nutrientes, coexistindo com a insegurança alimentar.
- A prevenção deve envolver ações coletivas, como alimentação saudável nas escolas e políticas públicas para atividade física.
- A obesidade infantil é um problema social que reflete a organização da alimentação e da infância em nossa sociedade.
Obesidade infantil também cresce no Brasil
No Brasil, os dados reforçam essa preocupação. Informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, o Sisvan, mostram que 31% das crianças de 5 a 10 anos acompanhadas em 2025 apresentavam excesso de peso.
Nesse grupo, 9,7% tinham obesidade e 6% obesidade grave. Entre os adolescentes monitorados, 35,4% apresentavam excesso de peso.
Nesse contexto, a obesidade infantil deixou de representar uma situação pontual e passou a fazer parte da realidade de milhares de famílias brasileiras.
Obesidade
Por que a obesidade infantil está aumentando?
A resposta envolve diferentes fatores.
Por um lado, produtos ultraprocessados são práticos, amplamente disponíveis e fortemente divulgados. Refrigerantes, biscoitos, salgadinhos e outros produtos também costumam ocupar espaço importante na rotina alimentar.
Além disso, muitas famílias enfrentam jornadas de trabalho extensas e pouco tempo para preparar refeições. Em alguns bairros, alimentos frescos também podem custar mais ou ser menos acessíveis.
Ao mesmo tempo, crianças passam mais horas diante de celulares, televisores e videogames. Por consequência, brincadeiras ao ar livre e atividades físicas podem perder espaço.
Portanto, responsabilizar apenas pais ou crianças ignora o ambiente no qual essas escolhas acontecem.

Má alimentação não significa necessariamente falta de comida
Outro aspecto importante está na relação entre obesidade e insegurança alimentar.
Uma família pode ter acesso regular a calorias, mas não necessariamente a alimentos nutritivos. Dessa forma, fome, deficiência de nutrientes e excesso de peso podem coexistir na mesma sociedade e até dentro da mesma família.
Essa realidade modifica a própria ideia de desnutrição.
Hoje, a má nutrição também envolve dietas ricas em calorias, açúcares, gorduras e sódio, mas pobres em vitaminas, fibras e outros nutrientes essenciais.
Obesidade
Obesidade infantil não deve ser tratada como questão estética
A obesidade é uma condição multifatorial e merece acompanhamento adequado.
Na infância, o excesso de peso pode aumentar o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares ao longo da vida. Entretanto, comentários sobre aparência, cobranças constantes ou dietas restritivas podem provocar sofrimento emocional.
Por isso, o foco deve estar na saúde, e não no corpo da criança.
Quando houver preocupação com crescimento ou ganho de peso, o ideal é procurar orientação de pediatras e profissionais especializados. Dietas para emagrecimento não devem ser iniciadas sem acompanhamento.
Como prevenir a obesidade infantil sem culpar a criança?
A prevenção começa no cotidiano. Refeições feitas em família, maior presença de alimentos frescos, água no lugar de bebidas açucaradas, sono adequado e oportunidades para brincar são medidas importantes.
Ainda assim, a responsabilidade não termina dentro de casa.
Escolas podem contribuir com alimentação de qualidade e educação alimentar. Governos, por sua vez, podem ampliar espaços públicos de lazer, incentivar atividade física e regulamentar práticas de publicidade voltadas ao público infantil.
Nesse sentido, combater a obesidade infantil exige uma combinação de escolhas individuais e políticas públicas.

As principais notícias do Site Cultura Alternativa
Você pode receber direto no seu WhatsApp
Um problema coletivo que exige novas respostas
O avanço da obesidade infantil mostra que comer o suficiente já não significa, necessariamente, alimentar-se bem.
O desafio atual envolve acesso, qualidade, informação e ambiente.
Em outras palavras, proteger a saúde das crianças significa olhar para o prato, mas também para a publicidade que elas veem, os alimentos disponíveis perto de casa, a rotina da família, a escola e as condições para brincar e se movimentar.
A obesidade infantil, portanto, não pode ser tratada apenas como problema individual. Ela também revela como nossa sociedade organiza a alimentação, o consumo e a própria infância.
Por Agnes Adusumilli
Fontes: UNICEF, Organização Mundial da Saúde, Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional e Ministério da Saúde.
REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA
REDES SOCIAIS


