Todos os meus amigos me deixam – Por Anand Rao

Todos os meus amigos me deixam – Por Anand Rao

Gostaria de revelar publicamente que um percentual muito pequeno de amigos meus continuam comigo ao longo dos anos. Todos com quem eu faço amizade depois de dois ou três anos não me ligam mais, nem procuram, enfim, esfriam os laços de amizade.

Comecei a refletir sobre a questão e resolvi publicar esta reflexão apara avaliação dos leitores. Fiz uma constatação estranha e vou tentar explicar, rogo a Deus que ele me envie palavras claras à mente para que todos possam entender. Por exemplo, vejo amigos que se dão bem, sempre nessas amizades um é o orientador e o outro o orientado, o orientado precisa do orientador e o orientador tem seu ego inflado, pois, tem que o ouça e admire.

Não sei se a palavra orientado ou orientador está expressando o que quero explicar. Falo que no relacionamento sempre há um que é mais e o outro menos, um necessita mais do outro e o outro necessita de um líder. É tão estranho falar assim da amizade. Me dói. Para mim amizade é sentir falta, admirar, sem essa de um ser mais que o outro. Eu, creio, necessito de poucos e isto não é bem visto. Nunca fui um artista digno de pena, nem um jornalista, nem nada. Sempre fui autossuficiente necessitando é claro do público para apreciar meus textos jornalísticos e minha arte de forma crítica ou admirável.

Outra coisa muito ruim na amizade é a sinceridade. Se você quer ter muitos amigos não precisa ser falso nem sincero, apenas conviver com respeito. Muitos se afastaram de mim porque eu dizia o que eu pensava e achava eu que estava fazendo o maior sucesso. Ledo engano. Eles riam e tal, aguentavam um tempo, e depois se afastavam ou então queriam medir forças comigo na área cultural principalmente e em outras áreas secundariamente.

Algumas regras são infalíveis para você ter amigos. Elogiar é uma delas. Nunca criticar outra. Chamar de um termo que dignifique a pessoa. Sempre estar disponível. Enfim… É um leque de coisas que nem consigo enumerar. Mas, o fato é que meus amigos ficam comigo durante um tempo e depois somem, portanto, sou um derrotado na arte de fazer amigos eternos e um campeão na arte dos amigos passageiros.

Nunca sou convidado para festas, têem medo do que vou dizer, de como vou me expressar, se vou escrever artigos futuros e publicar ações que os amigos não queriam ver publicadas, se vou musicar um fato da vida dele sem pedir autorização. Tanto que pedi para não me contarem segredos, pois sou jornalista e com certeza gostaria de publicar o mesmo.

Acho que morrerei sem saber manter os amigos. Sempre em algum momento serei sincero e os perderei. Isso é uma falta de maturidade, com este texto pretendo mudar minhas ações com meus amigos. Pretendo tê-los e mantê-los. Não gosto de viver na solidão em que estou vivendo, preciso de amigos, de muitos, quero todos e isso é outra deficiência. Você não pode se abrir para todos, tem mesmo é que selecionar, dizem os que tem muitos amigos, e se aprofundar na relação com eles. Não sei se concordo com isso.

É… Depois deste texto eu que tenho uma frase que faz parte da minha vida há muito e é -, o que eu falo eu cumpro – afirmo e tentarei cumprir com novos rumos na amizade. Tentarei não criticar os amigos, admirar suas ações positivas, enfim, tentarei tudo que estiver ao meu alcance, pois gosto de amigos e não quero perder daqui pra frente mais nenhum. Quero que eles estejam comigo sempre.

Se isto é utopia só o tempo dirá, mas eu vou me esforçar para que esta atitude vingue.

Viva a amizade verdadeira, não passageira, infinita, não interesseira, positiva e em busca da felicidade.

Anand Rao

Editor do Portal Cultura Alternativa