Rafa Caruso relembra herança familiar e defende valorização de Xerém
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A paixão pelo Fluminense acompanha Rafa Caruso desde a infância e está ligada à memória do pai. Aos 62 anos, o torcedor de Juiz de Fora, em Minas Gerais, participou do programa Tricolor Memorável, apresentado por Anand Rao na TV Cultura Alternativa. Na conversa, gravada em 20 de outubro de 2026, ele reuniu, além das lembranças familiares, experiências no Maracanã e opiniões sobre a administração do clube.
Entre os principais assuntos, Caruso destacou a formação de jogadores em Xerém, os critérios para contratações e os benefícios aos sócios-torcedores que vivem longe do Rio de Janeiro. O encontro teve, entretanto, como fio condutor uma história afetiva: o futebol como vínculo entre pai e filho.
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Uma paixão herdada
O pai de Caruso nasceu no Rio de Janeiro e se mudou para Juiz de Fora para estudar engenharia. Levou consigo, porém, o amor pelo Fluminense. Segundo o entrevistado, ainda menino, o pai trabalhava para conseguir comprar ingressos para a antiga geral do Maracanã.
“Eu nasci com o Fluminense no sangue”, afirmou Rafa. Sua formação como torcedor aconteceu, sobretudo, pelas transmissões radiofônicas, numa época em que acompanhar partidas pela televisão era menos comum.
Ele recordou narradores como José Carlos Araújo, Valdir Amaral e Jorge Curi. As vozes do rádio permitiam, conforme explicou, imaginar o jogo e acompanhar cada lance com intensidade. Essa dimensão emocional também aparece, nesse sentido, na matéria Torcer, gritar e se emocionar: quando o futebol vira desabafo, publicada pelo Cultura Alternativa.
Memórias com o pai
Ao escolher momentos inesquecíveis, Caruso citou a primeira ida ao Maracanã com o pai, acompanhada de uma visita e de um almoço nas Laranjeiras. Outra lembrança foi a apresentação de Deco à torcida, em uma partida contra o Internacional. Ele destacou, ainda, a conquista brasileira de 1984 e o gol de Romerito.
O pai morreu em janeiro de 2020. Acompanhar o clube perdeu, depois disso, temporariamente parte do encanto: faltavam as ligações depois dos jogos e os comentários compartilhados. A ausência modificou, portanto, uma rotina que aproximava os dois por meio do futebol.
A conquista da Libertadores, em 4 de novembro de 2023, trouxe uma conexão simbólica. Caruso contou que escreveu no WhatsApp que dois corações haviam batido juntos pelo Fluminense naquele dia: o dele e o do pai. A comemoração representou, dessa maneira, um reencontro afetivo com aquela história familiar. “Com certeza, ele estava comigo”, declarou, emocionado.

Pessoas que marcaram
Questionado sobre ídolos, Rafa diferenciou admiração esportiva de referências pessoais. Na vida, apontou o pai como exemplo de trabalho, honestidade e amizade. No esporte, por sua vez, mencionou Ayrton Senna.
Ao falar do Fluminense, destacou Castilho e Telê Santana pela trajetória, embora não os tenha acompanhado em campo. Entre aqueles que viu atuar, ressaltou Abel Braga, Romerito e Fred. Sobre o centroavante, especificamente, elogiou a técnica, a inteligência e o posicionamento.
Sua admiração pelos jogadores preserva, contudo, a instituição como referência principal. “Ídolo é o Fluminense. Os jogadores, por maiores que sejam, passam e o Fluminense continua”, resumiu.
Torcida e respeito
Caruso relatou ter nascido com cerca de 5% de visão e alcançado aproximadamente 50%, segundo sua estimativa, após os pais procurarem atendimento especializado. Frequentar uma partida significa, por essa razão, participar principalmente da emoção coletiva, mesmo sem enxergar todos os lances.
Durante a entrevista, criticou a violência entre torcedores e os conflitos dentro da própria torcida. Essas atitudes refletem, em sua avaliação, a intolerância presente na sociedade. As divergências acabam, assim, ocupando o espaço que deveria pertencer à convivência e ao espetáculo esportivo.
Anand destacou o respeito encontrado no grupo de conversas criado por Rafa, onde se sente à vontade para comentar futebol. O tema dialoga, nesse contexto, com a reflexão do portal sobre como vencer a polarização com sabedoria e respeito.
Xerém e equilíbrio financeiro
Na discussão sobre gestão, Caruso defendeu maior atenção à formação de atletas, critérios rigorosos nas contratações e gastos compatíveis com o retorno esperado. Suas propostas retomam, nesse sentido, questões abordadas pelo Cultura Alternativa em O Scout do Fluminense: misto de sonho e realidade.
Para Rafa, Xerém representa uma das principais forças do clube. A formação precisa incluir, contudo, preparação técnica, maturidade e convivência no elenco. O Fluminense documenta essa trajetória no livro sobre a história das categorias de base e registra, também, a passagem de Marcelo pela formação tricolor.
Caruso propôs ampliar os incentivos ao sócio-torcedor fora do Rio. Benefícios adicionais poderiam, portanto, estimular adesões e fortalecer receitas previsíveis. O clube registra iniciativas como a experiência de um sócio com a equipe na Copinha, exemplo de relacionamento além da entrada no estádio.
Live
Acompanhe a entrevista completa na TV Cultura Alternativa e conheça, com mais detalhes, as memórias e opiniões de Rafa Caruso sobre o Fluminense. O encontro reúne, dessa forma, histórias familiares, reflexões sobre a torcida e propostas para o futuro do clube.
Inscreva-se no canal, ative as notificações e compartilhe o Tricolor Memorável. Sua participação ajuda, além disso, a ampliar o alcance dessas histórias. Conte também, nos comentários, qual lembrança marcou sua relação com o clube e quem apresentou a você as cores verde, branco e grená.
Anand Rao
Editor Chefe
Fernando Araújo & Equipe
Colaboradores
Cultura Alternativa
culturaalternativa.com.br

