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Dia Mundial do Turismo

Dia Mundial do Turismo: viajar ainda é privilégio no Brasil digital?

Aplicativos e inteligência artificial facilitam o planejamento, mas renda, transporte, acessibilidade e exclusão digital ainda limitam o acesso dos brasileiros às viagens.

Celebrado em 27 de setembro, o Dia Mundial do Turismo de 2026 propõe uma reflexão sobre agenda digital e inteligência artificial na transformação do setor.

A tecnologia já ajuda a comparar preços, encontrar hospedagens e organizar roteiros. No entanto, ela não elimina a principal barreira enfrentada por milhões de brasileiros: o custo de viajar.

Por isso, a data também levanta uma pergunta necessária: a transformação digital tornará o turismo mais acessível ou oferecerá mais vantagens a quem já possui renda, conectividade e familiaridade com aplicativos?

Antecipe a leitura

O turismo movimenta mais, mas o acesso não avança

A PNAD Contínua Turismo 2024, pesquisa mais recente do IBGE sobre o tema, registrou 20,6 milhões de viagens no país, o mesmo número estimado em 2023.

Entretanto, os gastos com viagens nacionais que incluíram pernoite alcançaram R$ 22,8 bilhões, crescimento de 11,7%. O gasto médio chegou a R$ 1.843 por viagem, diante de R$ 1.706 no ano anterior.

Os dados revelam um contraste. O turismo movimentou mais dinheiro, porém a quantidade de viagens não cresceu. Além disso, 20,6 milhões de viagens não representam 20,6 milhões de pessoas diferentes, pois um mesmo viajante pode realizar vários deslocamentos durante o ano.

Assim, o aumento da receita do setor não significa, necessariamente, democratização do turismo.

Quanto custa exercer o direito ao descanso?

Transporte, hospedagem, alimentação e passeios formam uma conta difícil de acomodar no orçamento familiar.

Mesmo viagens curtas podem exigir meses de planejamento, especialmente quando envolvem passagens aéreas ou períodos de alta temporada.

Por outro lado, o problema não se resume à renda. Moradores de cidades com poucas conexões regionais gastam mais tempo e dinheiro nos deslocamentos.

Pessoas idosas, viajantes com deficiência e brasileiros com pouca familiaridade digital também encontram obstáculos para pesquisar, reservar e alterar serviços.

Viajar amplia repertórios, fortalece vínculos e favorece o descanso. Portanto, o acesso ao turismo se relaciona diretamente aos direitos ao lazer, à cultura e à qualidade de vida.

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Quando o algoritmo influencia a viagem

A inteligência artificial pode sugerir destinos econômicos, elaborar roteiros e localizar opções compatíveis com diferentes necessidades. Recursos de tradução e acessibilidade também ajudam o viajante.

Entretanto, a digitalização traz riscos. Preços dinâmicos mudam rapidamente, anúncios enganosos circulam nas plataformas e golpes imitam sites de companhias aéreas e hotéis.

Além disso, quando empresas transferem todo o atendimento para aplicativos, parte da população perde autonomia.

A tecnologia deve ampliar escolhas, não criar uma nova forma de exclusão.

Dia Mundial do Turismo

Turismo social oferece alternativas

O turismo social mostra que viajar não precisa seguir apenas a lógica do consumo de alto custo. O Sesc, por exemplo, mantém passeios, excursões e meios de hospedagem com proposta educativa, integração cultural e preços mais acessíveis.

O Ministério do Turismo também incluiu entre seus objetivos estratégicos a democratização do acesso, com atenção à inclusão, diversidade, acessibilidade e sustentabilidade.

Contudo, transformar essa meta em realidade exige transporte regional integrado, informações claras, atendimento presencial e digital, preços transparentes e fortalecimento do turismo de proximidade.

Viajar ainda é privilégio?

O Dia Mundial do Turismo não deve celebrar apenas recordes, empreendimentos e avanços tecnológicos. A data também precisa discutir quem permanece fora das viagens.

A inovação terá valor social quando ajudar mais brasileiros a conhecer o próprio país. Até lá, viajar continuará sendo uma experiência desejada por muitos, mas possível para uma parcela limitada da população.

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA

Fontes