Um estudo multicêntrico estabeleceu parâmetros específicos para avaliar a composição corporal dos brasileiros por meio de tomografia computadorizada.
A pesquisa poderá ajudar profissionais de saúde e pesquisadores a identificar com maior precisão alterações na massa muscular e na distribuição de gordura.
Publicado em 9 de julho de 2026 na revista Scientific Reports, o trabalho analisou exames de 1.621 adultos saudáveis das cinco regiões brasileiras.
Até então, muitas avaliações realizadas no país utilizavam referências construídas a partir de populações estrangeiras. Portanto, os novos dados representam um avanço para compreender melhor as características corporais de homens e mulheres no Brasil.
Ainda assim, os valores apresentados são referências científicas. Eles não constituem, por enquanto, uma nova diretriz clínica nacional.
Breve resumo
- Um estudo multicêntrico avaliou a composição corporal dos brasileiros utilizando tomografia computadorizada e envolveu 1.621 adultos saudáveis.
- Os novos parâmetros visam melhorar a identificação de alterações na massa muscular e na distribuição de gordura, refletindo melhor a diversidade da população.
- Homens e mulheres apresentaram diferenças significativas em massa muscular e gordura visceral, com mudanças relacionadas à idade.
- O Índice de Massa Corporal (IMC) não diferencia entre músculos e gordura, exigindo dados complementares para avaliações mais precisas.
- Embora a tomografia seja precisa, seu uso deve ser restrito devido ao custo e à radiação, e pode não estar disponível em todas as regiões do Brasil.
Referências brasileiras podem melhorar avaliações
A pesquisa evidencia uma questão histórica da medicina: nem sempre parâmetros desenvolvidos em outros países refletem a diversidade corporal, genética, social e regional da população brasileira.
Nesse sentido, referências nacionais podem melhorar a interpretação de exames e contribuir para a identificação de baixa massa muscular, excesso de gordura visceral e mudanças associadas ao envelhecimento.
Para construir os parâmetros, os pesquisadores utilizaram um grupo de referência formado por adultos entre 18 e 39 anos, com IMC dentro da faixa considerada normal. As imagens foram analisadas na região da terceira vértebra lombar, conhecida como L3.
Essa área permite estimar a quantidade de músculos, gordura visceral e gordura subcutânea. Além disso, a tomografia também consegue avaliar a densidade muscular, que oferece informações sobre a qualidade do tecido.

Composição corporal
Homens e mulheres apresentam diferenças corporais
Os resultados confirmaram diferenças importantes entre os sexos. Em média, os homens apresentaram maior quantidade de massa muscular e maior presença de gordura visceral.
As mulheres, por outro lado, concentraram mais gordura subcutânea, localizada logo abaixo da pele. Consequentemente, utilizar um único valor de referência para toda a população pode reduzir a precisão das avaliações.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram mudanças relacionadas à idade. Os indicadores musculares começaram a apresentar diferenças a partir dos 40 anos e se tornaram mais evidentes entre pessoas com 60 anos ou mais.
Além da redução muscular, o estudo encontrou maior infiltração de gordura nos músculos com o avanço da idade. Essa alteração pode prejudicar a qualidade muscular mesmo quando o peso corporal permanece estável.
Sobre o tema leia mais
- Insatisfação corporal: como as redes sociais afetam a autoestima?
- Alimentos e refluxo: o que evitar e o que ajuda na digestão
- Queijos Ricos em Proteínas: Uma Escolha Nutricional para o Ganho Muscular
Por que o IMC não mostra toda a composição corporal
O Índice de Massa Corporal continua sendo útil para avaliações iniciais e estudos populacionais. Entretanto, o cálculo considera apenas a relação entre peso e altura.
Por esse motivo, o IMC não diferencia músculos, gordura, ossos ou líquidos. Também não mostra onde a gordura está localizada.
Duas pessoas com o mesmo IMC, por exemplo, podem apresentar condições corporais muito diferentes. Uma pode possuir boa quantidade de músculos, enquanto a outra pode ter baixa massa muscular e maior acúmulo de gordura visceral.
Portanto, o indicador deve ser interpretado em conjunto com outros dados quando há necessidade de uma avaliação individual mais detalhada.
Composição corporal
Sarcopenia exige atenção depois dos 50 anos
A perda de força muscular é um dos principais sinais considerados na investigação da sarcopenia. Além disso, a baixa quantidade ou qualidade muscular ajuda a confirmar o diagnóstico.
Depois dos 50 anos, sinais como dificuldade para levantar-se de uma cadeira, redução da velocidade ao caminhar, quedas frequentes ou perda de capacidade para carregar objetos merecem atenção. Contudo, esses sintomas não confirmam sozinhos a presença da condição.
A prevenção envolve exercícios de força, alimentação adequada, acompanhamento de doenças crônicas e avaliação profissional.
Dessa forma, preservar os músculos contribui não apenas para a aparência física, mas também para a autonomia e a qualidade de vida.
Tomografia não deve ser exame preventivo de rotina
Apesar da precisão, a tomografia utiliza radiação e possui custo elevado. Por isso, não deve ser solicitada apenas para medir músculos e gordura em pessoas saudáveis.
A aplicação mais viável ocorre quando o paciente já realizou o exame por indicação médica. Nesse caso, programas específicos podem analisar as imagens existentes sem necessidade de uma nova exposição à radiação.
Em contrapartida, a tecnologia ainda não está igualmente disponível em todo o Brasil. Enquanto grandes hospitais contam com equipamentos e softwares avançados, muitas unidades dependem de métodos mais acessíveis.
Na atenção básica, profissionais podem utilizar medidas corporais, circunferência da panturrilha, teste de levantar da cadeira, velocidade da caminhada, avaliação nutricional e dinamometria, quando disponível.
Por fim, o estudo apresenta limitações. A amostra não reproduziu proporcionalmente toda a população brasileira e não incluiu informações detalhadas sobre raça e etnia.
Mesmo assim, o trabalho abre caminho para pesquisas mais amplas e para avaliações adaptadas à realidade nacional.
Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa
Fonte
Scientific Reports. Sex-specific CT-derived reference cutoffs for body composition in healthy Brazilian adults: a multicenter study. Publicado em 9 de julho de 2026.
REDES SOCIAIS

