A tecnologia o celular impedem os jovens de malhar -

Design viciante: por que crianças e adolescentes não conseguem largar o celular?

O celular faz parte da rotina de milhões de crianças e adolescentes brasileiros.

Entretanto, o que parece apenas uma dificuldade para interromper vídeos ou redes sociais pode envolver estratégias tecnológicas desenvolvidas para prolongar o tempo de permanência nas plataformas.

No Brasil, o chamado design viciante ganhou espaço no debate regulatório.

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) estuda novas medidas para ampliar a segurança digital de crianças e adolescentes.

Além disso, o ECA Digital, em vigor desde março de 2026, já estabelece obrigações para as empresas de tecnologia.

SAIBA ➕ MAIS

O design viciante reúne recursos que incentivam o usuário a permanecer conectado por períodos prolongados. Muitas vezes, essas funcionalidades dificultam a percepção do tempo gasto diante das telas.

Entre os exemplos mais conhecidos estão:

Além disso, algoritmos de recomendação selecionam conteúdos conforme os interesses e comportamentos dos usuários.

Esses mecanismos não são necessariamente prejudiciais quando utilizados isoladamente. Contudo, sua combinação pode favorecer padrões de uso excessivo, especialmente entre crianças e adolescentes.

A Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, entrou em vigor em 17 de março de 2026.

A legislação determina que plataformas acessíveis ao público infantojuvenil adotem medidas para prevenir riscos à privacidade, à segurança e ao desenvolvimento saudável.

Posteriormente, o Decreto nº 12.880/2026 detalhou mecanismos associados ao uso excessivo, problemático ou compulsivo.

Entre as obrigações previstas estão ferramentas para acompanhar e limitar o tempo de utilização, mecanismos de supervisão parental e medidas de proteção contra práticas manipulativas.

Portanto, a responsabilidade pela segurança digital não pertence exclusivamente às famílias. As empresas também devem considerar os riscos desde a concepção de seus serviços.]

A ANPD incluiu padrões de design seguro e proteção de crianças e adolescentes entre os temas propostos para sua Agenda Regulatória 2027-2028.

A tomada de subsídios para essa agenda terminou em 16 de outubro de 2026. Entretanto, outra consulta, relacionada à atualização das regras de fiscalização da agência, permanece aberta até 26 de outubro.

São processos distintos. Além disso, a inclusão de um tema na agenda regulatória não significa que uma nova obrigação específica já tenha sido aprovada.

O desafio será estabelecer critérios técnicos capazes de identificar quando recursos de engajamento estimulam comportamentos compulsivos.

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, realizada pelo Cetic.br, revela a dimensão da presença digital entre os brasileiros mais jovens.

Segundo o levantamento, 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos utilizaram a internet nos três meses anteriores à entrevista.

Além disso, entre os usuários dessa faixa etária, 67% acessavam a rede exclusivamente pelo telefone celular.

Os indicadores demonstram a importância do smartphone na vida dessa população. Contudo, não significam que todos apresentem problemas relacionados ao tempo de tela.

O Site Cultura Alternativa, já escreveu sobre:

Nem toda criança que utiliza o celular diariamente apresenta comportamento compulsivo. Por isso, observar a qualidade da experiência digital pode ser mais importante do que contabilizar apenas as horas de utilização.

O guia federal Crianças, Adolescentes e Telas apresenta alguns sinais de alerta:

Entretanto, esses comportamentos não permitem estabelecer um diagnóstico isoladamente. Quando persistem e comprometem a rotina, a família deve procurar orientação profissional.

O primeiro passo consiste em estabelecer acordos adequados à idade, com horários definidos e momentos livres de dispositivos.

Além disso, os responsáveis podem desativar notificações desnecessárias, limitar a reprodução automática e utilizar ferramentas de supervisão parental.

Outra recomendação envolve preservar refeições, atividades físicas e períodos anteriores ao sono.

Sobretudo, conversar sobre o funcionamento das plataformas ajuda crianças e adolescentes a compreender como a tecnologia disputa sua atenção.

O debate sobre design viciante revela uma mudança importante: proteger crianças na internet não significa apenas ensinar limites individuais.

Também exige avaliar como as plataformas organizam conteúdos e incentivam a permanência dos usuários.

Afinal, a tecnologia pode contribuir para a educação, a criatividade e a socialização. Entretanto, seu desenvolvimento precisa respeitar as necessidades de quem ainda está aprendendo a exercer autonomia no ambiente digital.

Fontes