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Água termal: o que acontece com o corpo durante um banho quente?

Entrar em uma piscina de água termal pode proporcionar uma sensação imediata de relaxamento. Entretanto, os efeitos vão além do conforto.

O calor modifica a circulação sanguínea, interfere na frequência cardíaca e pode contribuir para aliviar tensões musculares.

Estudos científicos recentes investigam esses benefícios. Contudo, também apontam limites e riscos, especialmente para pessoas com problemas cardiovasculares.

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Água termal e água quente são a mesma coisa?

Embora os termos apareçam frequentemente como sinônimos, existe uma diferença.

A água termal provém de fontes subterrâneas naturalmente aquecidas. Além disso, pode apresentar diferentes composições minerais, conforme as características geológicas da região.

Já a água aquecida artificialmente também produz respostas fisiológicas relacionadas ao calor. Portanto, parte dos benefícios dos banhos termais pode ocorrer em piscinas aquecidas e banheiras comuns.

Como a água quente modifica a circulação sanguínea

Quando o corpo entra em contato com a água quente, os vasos sanguíneos próximos à pele se dilatam. Esse processo, conhecido como vasodilatação, favorece a circulação periférica e ajuda o organismo a dissipar calor.

Uma revisão científica publicada em janeiro de 2026, na revista Physiological Reports, analisou 20 estudos sobre imersão em água quente.

Os pesquisadores identificaram, após uma sessão, aumento médio de 28 batimentos por minuto na frequência cardíaca e redução média de 5 mmHg na pressão arterial diastólica.

Entretanto, esses resultados não significam que os banhos quentes substituam exercícios físicos ou tratamentos cardiovasculares. Os efeitos prolongados ainda precisam de investigações adicionais.

Relaxamento muscular e alívio das dores

O calor pode diminuir temporariamente a tensão muscular e favorecer movimentos mais confortáveis.

Além disso, a flutuação na água reduz a carga sobre determinadas articulações, facilitando exercícios em pessoas com limitações de mobilidade.

Uma revisão publicada em 2025, na revista BMJ Open, investigou a balneoterapia em doenças reumatológicas.

Os resultados sugeriram redução da dor e melhora da qualidade de vida. Contudo, os pesquisadores classificaram a certeza das evidências como muito baixa.

Assim, os banhos podem funcionar como recurso complementar, mas não substituem fisioterapia, acompanhamento médico ou medicamentos prescritos.

A água quente também pode melhorar o sono?

O aquecimento corporal antes de dormir pode favorecer o relaxamento e a preparação para o descanso.

Uma revisão publicada na revista Sleep Medicine Reviews, em 2019, identificou associação entre banhos mornos ou quentes, realizados uma a duas horas antes de dormir, e melhora de determinados indicadores do sono.

Isso ocorre porque, após o banho, o organismo intensifica a dissipação de calor, processo relacionado à regulação da temperatura corporal durante o sono.

Entretanto, temperaturas excessivas podem provocar desconforto e prejudicar a experiência.

Quais são os riscos após os 60 anos?

Com o envelhecimento, algumas pessoas apresentam maior vulnerabilidade a mudanças rápidas de pressão arterial e temperatura corporal.

Por isso, banhos muito quentes podem provocar tontura, fraqueza e sensação de desmaio, principalmente ao sair da piscina.

O cuidado merece atenção especial entre pessoas com pressão baixa, doenças cardiovasculares ou que utilizam medicamentos que interferem na pressão arterial.

Além disso, a exposição prolongada ao calor aumenta o risco de superaquecimento e desidratação.

Qual é a temperatura mais segura para aproveitar?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) estabelece 40°C como temperatura máxima para banheiras de hidromassagem.

Para uma experiência mais moderada, temperaturas entre 37°C e 39°C podem ser uma escolha prudente para adultos saudáveis, desde que sejam confortáveis.

Alguns cuidados ajudam a reduzir riscos:

  • Começar com períodos curtos, de aproximadamente 10 a 15 minutos.
  • Beber água e evitar bebidas alcoólicas.
  • Entrar e sair da piscina lentamente.
  • Interromper o banho diante de tontura ou mal-estar.
  • Verificar as condições de higiene da água.

Gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares devem procurar orientação profissional antes de utilizar piscinas muito quentes.

Vale lembrar que banhos excessivamente quentes também podem ressecar a pele.

Bem-estar sem promessas milagrosas

As águas termais fazem parte da tradição turística de cidades brasileiras como Caldas Novas, Rio Quente, Araxá e Poços de Caldas.

Entretanto, a ciência convida a observar essas experiências com equilíbrio.

O calor pode proporcionar relaxamento, conforto muscular e alterações temporárias na circulação. Por outro lado, ainda não existem evidências suficientes para atribuir aos banhos termais a capacidade de prevenir ou curar diferentes doenças.

Portanto, o maior benefício pode estar na combinação entre temperatura confortável, descanso, movimento e uma experiência agradável.

Fontes consultadas

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