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Cinema de periferia: como jovens transformam celulares em oportunidades no audiovisual

Projeto no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, mostra como a produção de filmes com smartphones pode revelar talentos, valorizar histórias locais e abrir caminhos profissionais na economia criativa.

O cinema de periferia ganha novos protagonistas com a popularização dos smartphones.

Hoje, jovens podem produzir curtas-metragens utilizando equipamentos acessíveis e recursos de edição digital. Entretanto, transformar a primeira experiência audiovisual em profissão exige mais do que criatividade.

Essa discussão ganhou destaque em 10 de outubro de 2026, quando o projeto Cine Sesi + Curta Periferias apresentou sete filmes produzidos por jovens do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

A mostra aconteceu no Galpão Bela Maré e reuniu histórias inspiradas nas experiências dos próprios moradores.

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A iniciativa recebeu 137 inscrições e selecionou 40 participantes, com idades entre 16 e 35 anos. Desse grupo, 32 concluíram a formação, realizada entre agosto e setembro.

Ao longo de 22 oficinas, que totalizaram 24 horas, os jovens conheceram etapas da produção cinematográfica, incluindo roteiro, filmagem e desenvolvimento de narrativas.

Como resultado, produziram sete curtas-metragens, que somam aproximadamente 38 minutos de conteúdo audiovisual.

Entre os trabalhos apresentados estão A Dança da Vida, Conexão Maré x África, Àdurá e A Maré Ensina.

Mais do que utilizar celulares, os participantes tiveram a oportunidade de apresentar suas próprias perspectivas sobre o território onde vivem.

Dessa forma, o projeto contribui para ampliar a representatividade no cinema brasileiro.

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Para Jordan Balbino Ferreira, de 26 anos, a experiência representou o primeiro contato com conhecimentos técnicos do audiovisual.

Ele participou da produção de A Dança da Vida, curta que acompanha a trajetória de Isis, uma jovem que começou a dançar em um centro comunitário da Maré e posteriormente se tornou professora no mesmo espaço.

Em depoimento à Agência Brasil, Jordan destacou que aprendeu a realizar produções utilizando o próprio telefone. Além disso, valorizou a possibilidade de colocar em prática os conhecimentos adquiridos durante as aulas.

Sua experiência ilustra uma possibilidade concreta: começar a produzir filmes sem depender, inicialmente, de câmeras profissionais.

Entretanto, o celular representa apenas a ferramenta. A qualidade de uma produção também depende de planejamento, narrativa, iluminação e captação de som.

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Depois da primeira exibição, surge uma pergunta importante: como transformar a experiência em oportunidade profissional?

O mercado audiovisual reúne atividades que vão além da direção cinematográfica. Por exemplo, jovens podem desenvolver competências em edição, roteiro, produção, fotografia, documentários e comunicação digital.

Para quem deseja continuar, alguns passos ajudam a construir uma trajetória:

Além disso, conhecer diferentes funções ajuda os iniciantes a identificar suas habilidades e interesses.

Outro desafio envolve o acesso aos recursos financeiros.

Nesse cenário, a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura oferece possibilidades de financiamento por meio de editais estaduais e municipais, conforme os critérios de cada seleção.

Entretanto, conquistar apoio exige organização. Os interessados precisam acompanhar chamadas públicas, preparar propostas e apresentar orçamentos compatíveis com seus projetos.

Por isso, a formação em gestão cultural também merece atenção. Afinal, saber produzir um filme não significa conhecer todos os procedimentos necessários para financiar e distribuir uma obra.

O protagonismo dos moradores da Maré também desperta uma reflexão sobre quem aparece nas telas e quem tem a oportunidade de contar histórias.

Essa discussão dialoga com a trajetória de Grande Othelo, artista que enfrentou barreiras raciais e conquistou reconhecimento no cinema brasileiro.

O Cultura Alternativa abordou sua importância na matéria Othelo, O Grande: documentário resgata a força de Grande Othelo.

Embora pertençam a contextos diferentes, essas experiências reforçam a importância de ampliar a diversidade de vozes na produção cultural.

A experiência da Maré demonstra que a tecnologia pode facilitar o primeiro contato com o cinema. Contudo, sua contribuição será ainda maior quando os participantes encontrarem condições para continuar produzindo.

Portanto, o desafio não está apenas em ensinar jovens a filmar, mas em criar oportunidades permanentes de formação, circulação de obras e geração de renda.

O celular pode abrir a primeira porta. Entretanto, são as políticas culturais, o acesso ao conhecimento e as oportunidades profissionais que ajudam a manter essa porta aberta.

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA