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Dia Nacional do Rádio: do dial ao algoritmo

No Dia Nacional do Rádio, celebrado em 25 de setembro, uma pergunta ganha força: o rádio está desaparecendo ou se tornou tão presente na comunicação digital que já não percebemos sua influência?

A resposta está nos hábitos cotidianos. O aparelho perdeu espaço em muitos lares, mas a linguagem radiofônica permanece nos podcasts, nas transmissões ao vivo, nos aplicativos, nas mensagens de voz e nos assistentes virtuais. Portanto, o rádio não acabou. Ele mudou de endereço.

Um pequeno resumo

O projeto educativo que atravessou um século

A escolha de 25 de setembro homenageia o nascimento de Edgard Roquette-Pinto, em 1884. Médico, antropólogo e educador, ele enxergou o rádio como instrumento capaz de levar ciência, cultura, informação e educação a diferentes regiões brasileiras.

Em janeiro de 2025, a Lei nº 15.101 instituiu oficialmente o Dia Nacional do Rádio no calendário brasileiro. A celebração, contudo, também convida a observar como o meio se adaptou às mudanças tecnológicas sem abandonar sua capacidade de informar e criar vínculos.

Desde as primeiras transmissões, o rádio ofereceu companhia e prestação de serviço.

Além disso, alcançou pessoas que estavam longe dos centros urbanos, muitas vezes em locais onde outros meios de comunicação demoravam a chegar.

SAIBA ➕ MAIS

O rádio saiu do aparelho

Em 2025, cerca de 37,5 milhões de domicílios brasileiros, o equivalente a 46,9% do total, possuíam aparelho de rádio.

O número representa o menor percentual da série histórica do IBGE. Entretanto, essa redução não significa necessariamente que os brasileiros deixaram de consumir áudio.

Naquele ano, 83,7% dos usuários da internet com 10 anos ou mais ouviram músicas, rádio ou podcasts pela rede.

Como o levantamento agrupa os três formatos, o dado não permite medir cada um separadamente. Ainda assim, ele revela que a escuta permanece integrada à vida digital.

O estudo Inside Audio 2025 reforça essa transformação. Segundo a Kantar IBOPE Media, 92% dos brasileiros consumiram algum formato de áudio em um período de 30 dias.

Ao mesmo tempo, o rádio alcançou 79% da população nas principais regiões metropolitanas. Entre seus ouvintes, metade também ouviu ou baixou podcasts nos três meses anteriores.

Do programador ao algoritmo

No rádio tradicional, a emissora organiza a sequência de notícias, músicas e entrevistas. Já nas plataformas digitais, o público escolhe o tema, o horário e até a velocidade da reprodução.

Por outro lado, essa liberdade não elimina a influência externa. Os algoritmos analisam hábitos e recomendam episódios, músicas e notícias.

Dessa forma, o antigo programador da emissora divide espaço com sistemas automatizados que decidem quais conteúdos terão maior visibilidade.

Surge, então, uma questão relevante: conquistamos autonomia ou apenas trocamos a programação coletiva pela seleção silenciosa dos algoritmos?

Embora a personalização facilite o acesso, ela também pode limitar a descoberta de perspectivas diferentes.

A inteligência artificial entra no estúdio

A inteligência artificial já auxilia na transcrição de entrevistas, na limpeza do som, na tradução, na pesquisa de arquivos e na criação de resumos. Além disso, emissoras podem utilizá-la para organizar rotinas e oferecer conteúdos mais acessíveis.

Entretanto, a mesma tecnologia permite clonar vozes, produzir áudios falsos e imitar profissionais conhecidos. Por isso, as empresas de comunicação precisam informar quando utilizam conteúdo sintético, proteger direitos autorais e manter a supervisão humana.

A UNESCO escolheu “Rádio e Inteligência Artificial” como tema do Dia Mundial do Rádio de 2026, celebrado em 13 de fevereiro.

A organização defendeu a IA como ferramenta de apoio, mas destacou que o julgamento humano deve permanecer no centro da produção.

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A confiança continua sendo o principal ativo

Do dial ao podcast, a força do rádio permanece na relação entre quem fala e quem escuta. Afinal, nenhuma inovação garante, por si mesma, credibilidade, sensibilidade ou responsabilidade jornalística.

Em síntese, o futuro do áudio não depende de uma disputa entre o antigo e o novo. Ele nasce da combinação entre memória, criatividade, tecnologia e ética.

O rádio mudou de plataforma, mas continua presente sempre que uma voz informa, acompanha e cria conexão.

Fontes consultadas