Emprego formal bate recorde, mas quase 39 milhões de brasileiros ainda trabalham na informalidade
O mercado de trabalho brasileiro chegou ao trimestre encerrado em julho de 2026 com números positivos.
A taxa de desocupação caiu para 5,3%, enquanto o número de empregados do setor privado com carteira assinada atingiu 39,4 milhões, recorde da série histórica da PNAD Contínua.
No entanto, outro dado chama atenção: 38,8 milhões de pessoas ainda trabalhavam na informalidade.
Portanto, os indicadores mostram duas realidades coexistindo no país. De um lado, cresce a formalização. De outro, milhões de brasileiros continuam trabalhando sem todas as proteções associadas ao emprego formal.
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- O mercado de trabalho brasileiro atingiu um recorde de 39,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada, mas 38,8 milhões ainda atuam na informalidade.
- A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, evidenciando as diferentes realidades no mercado de trabalho.
- Apesar do crescimento do emprego formal, muitos trabalhadores informais enfrentam instabilidade e falta de proteção social.
- A taxa de desemprego caiu para 5,3%, abrindo espaço para discussões sobre a qualidade do emprego, renda e proteção.
- O Brasil precisa focar na melhoria das condições de trabalho e na formalização para garantir direitos aos trabalhadores.
Informalidade continua presente no mercado de trabalho
Segundo a PNAD Contínua divulgada pelo IBGE em 27 de agosto, a taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada no trimestre encerrado em julho.
Isso significa que mais de um terço dos trabalhadores brasileiros ainda está inserido em formas informais de ocupação.
Nesse grupo estão empregados do setor privado sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem registro, trabalhadores por conta própria sem CNPJ, empregadores sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.
Além disso, o país tinha cerca de 13,8 milhões de empregados do setor privado sem carteira assinada. Dessa forma, a melhora geral do emprego não elimina uma característica histórica do mercado brasileiro: a elevada presença de relações de trabalho sem formalização.

Informalidade no Brasil
Carteira assinada também alcança nível recorde
Ao mesmo tempo, o emprego formal avançou. O número de empregados do setor privado com carteira assinada, excluindo trabalhadores domésticos, chegou a 39,4 milhões de pessoas.
Esse movimento é relevante porque a formalização tende a ampliar o acesso a direitos como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e proteção previdenciária.
Porém, o crescimento simultâneo do emprego formal e da informalidade revela que o mercado de trabalho brasileiro está se expandindo por diferentes caminhos.
O aumento da ocupação pode ocorrer tanto pela contratação formal quanto pelo crescimento do trabalho autônomo, temporário ou sem registro.
Trabalhar não significa necessariamente ter proteção
A informalidade não representa uma única realidade. Há profissionais que escolhem trabalhar por conta própria e conseguem rendimentos elevados.
Entretanto, para uma parcela considerável da população, ela está relacionada à ausência de alternativas no mercado formal.
Nesse contexto, o problema não está apenas no vínculo trabalhista. Trabalhadores informais geralmente enfrentam maior instabilidade de renda e precisam organizar individualmente contribuições previdenciárias, períodos de descanso e reservas para situações de emergência.
Além disso, muitos trabalhadores transitam entre emprego formal, trabalho autônomo e períodos de desemprego ao longo da vida profissional.
Informalidade no Brasil
Desemprego baixo muda o debate
A taxa de desocupação de 5,3% confirma um cenário de mercado de trabalho aquecido. A população ocupada chegou a aproximadamente 103,3 milhões de pessoas, outro indicador importante da expansão recente do emprego.
Por isso, o debate sobre trabalho no Brasil começa a mudar. Durante anos, a principal preocupação foi a falta de vagas.
Agora, além da quantidade de empregos, cresce a discussão sobre qualidade da ocupação, estabilidade, renda e proteção social.
Em outras palavras, a queda do desemprego não encerra os desafios do mercado de trabalho.
O próximo desafio é melhorar a qualidade das ocupações
O avanço do emprego formal merece ser reconhecido. Entretanto, os quase 39 milhões de trabalhadores informais mostram que ainda existe uma distância considerável entre estar trabalhando e contar com uma rede consistente de proteção trabalhista e previdenciária.
Assim, os próximos indicadores deverão ser observados não apenas pela taxa de desemprego.
Renda, formalização, jornada e estabilidade também ajudam a responder uma pergunta cada vez mais relevante: que tipo de emprego o Brasil está criando?
REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA
Fontes
IBGE — PNAD Contínua: Desocupação é de 5,3% e subutilização é de 13,0% no trimestre encerrado em julho.
IBGE — Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
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