Fadiga de notícias - Doomscrolling - Site Cultura Alternativa

Fadiga de notícias e doomscrolling: como se informar sem prejudicar o bem-estar

A fadiga de notícias é o esgotamento provocado pela exposição repetida e intensa ao noticiário.

Já o doomscrolling descreve o hábito de continuar consumindo conteúdos negativos, mesmo quando eles provocam ansiedade, tensão ou cansaço. Nesse contexto, o desafio atual não é apenas encontrar informação confiável, mas também saber quando parar.

O Digital News Report 2026, do Reuters Institute for the Study of Journalism, mostra que esse comportamento já interfere na relação das pessoas com o jornalismo.

Ao mesmo tempo em que permanecemos conectados durante várias horas por dia, cresce o número de usuários que evitam deliberadamente as notícias.

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O relatório ouviu quase 100 mil consumidores de notícias online em 48 mercados. Entre os resultados, 42% afirmam evitar notícias algumas vezes ou frequentemente. Em 2017, quando essa questão começou a ser acompanhada, eram 29%.

Além disso, o interesse pelo noticiário também caiu. Desde 2021, a proporção de pessoas que se dizem extremamente ou muito interessadas em notícias diminuiu, em média, 13 pontos percentuais, passando de 59% para menos de 46%.

Por outro lado, isso não significa que as pessoas tenham deixado de receber informação. O estudo indica que os smartphones ocupam entre quatro e cinco horas do dia de muitos usuários.

Portanto, mesmo quem evita jornais ou telejornais continua exposto a manchetes, vídeos, comentários e alertas.

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O termo doomscrolling ganhou força para definir a rolagem contínua de conteúdos negativos em redes sociais e plataformas digitais.

Em geral, a pessoa procura novas atualizações esperando compreender melhor uma crise ou diminuir a incerteza. Entretanto, o efeito pode ser justamente o contrário. Quanto mais informações repetitivas e alarmantes aparecem, maior pode ser a sensação de tensão.

Além disso, pesquisas associam níveis elevados de doomscrolling a sofrimento psicológico, ansiedade e menor bem-estar.

Uma revisão publicada em 2026, que reuniu 17 estudos empíricos, reforçou a necessidade de observar esse comportamento dentro das discussões sobre saúde mental e bem-estar digital.

As redes sociais ajudam a explicar por que é tão difícil estabelecer limites. Segundo o Digital News Report 2026, redes sociais e plataformas de vídeo tornaram-se a principal forma de acesso às notícias, usadas por 54% dos entrevistados. Sites e aplicativos de empresas jornalísticas aparecem logo atrás, com 51%.

Além disso, 77% dos participantes assistem semanalmente a vídeos de notícias online.

Nesse ambiente, entretanto, não existe uma divisão clara entre informação, entretenimento, publicidade e opinião.

Uma reportagem sobre guerra pode aparecer imediatamente antes de um vídeo de humor, uma receita ou um anúncio.

Consequentemente, o usuário perde parte do controle sobre o início e o fim da experiência informativa. A repetição também pesa.

Quando diferentes perfis e plataformas reproduzem a mesma notícia durante horas, aumenta a sensação de que algo novo está sempre acontecendo, mesmo quando pouco mudou.

Diante disso, abandonar completamente o noticiário não parece ser a melhor solução. Informação de qualidade continua necessária para compreender decisões políticas, questões de saúde, economia e acontecimentos que afetam a vida cotidiana.

Ainda assim, é possível estabelecer uma relação mais equilibrada com as notícias. Definir horários para consultar o noticiário, reduzir notificações e evitar acompanhar acontecimentos continuamente antes de dormir são medidas simples.

Além disso, vale priorizar veículos confiáveis e acessar diretamente suas páginas, em vez de depender exclusivamente do fluxo oferecido pelos algoritmos.

Também ajuda reconhecer quando a informação deixou de acrescentar contexto. Se diferentes fontes apenas repetem os mesmos fatos, continuar rolando a tela tende a aumentar o desgaste, não o conhecimento.

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A fadiga de notícias revela um paradoxo da sociedade conectada. Nunca tivemos acesso tão rápido aos acontecimentos e, ao mesmo tempo, tantas pessoas demonstraram necessidade de se afastar deles.

Por isso, proteger o bem-estar não exige necessariamente ignorar o mundo. Pelo contrário, pode signific escolher melhor as fontes, reduzir a exposição repetitiva e buscar informação com contexto e propósito.

Para o jornalismo, o fenômeno também traz uma reflexão importante. Em um ambiente marcado por alertas permanentes e excesso de conteúdo, explicar melhor pode ser tão importante quanto publicar primeiro.

Fontes

Reuters Institute for the Study of Journalism. Digital News Report 2026.
The influence of doomscrolling on mental health: a scoping review. Mental Health and Digital Technologies, 2026.

Doomscrolling Scale: its Association with Personality Traits, Psychological Distress, Social Media Use, and Wellbeing.

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