Janine Oliveira revela Brasília real em “Assim como se ama a gente”
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Raízes, linguagem e construção de uma identidade literária
“Assim como se ama a gente” nasce de uma experiência que une origem potiguar e formação consolidada em Brasília. Janine Oliveira chegou ainda criança à capital federal e, desde então, construiu ali sua trajetória pessoal e profissional. Essa convivência entre o Nordeste e o Planalto Central aparece com força em sua escrita, que incorpora ritmo, memória e percepção social com naturalidade.
Sua produção literária reflete essa dualidade cultural e, ao mesmo tempo, revela sensibilidade estética. O ritmo nordestino surge em diversos trechos e dialoga com a tradição do cordel. A experiência urbana, por sua vez, imprime um olhar mais reflexivo, o que permite equilibrar emoção e análise social de forma consistente.
Durante a juventude, ao retornar para Natal, Janine percebeu diferenças marcantes entre os ambientes. O litoral oferecia espontaneidade, enquanto Brasília parecia mais contida. Com o amadurecimento, ela passou a compreender que as cores da vida também surgem do olhar interno, das relações e das experiências acumuladas.
Tabela de conteúdos
- Janine Oliveira revela Brasília real em “Assim como se ama a gente”
- Raízes, linguagem e construção de uma identidade literária
- Entre Direito, Jornalismo e arte: a força da palavra
- Do poema ao livro: um projeto em evolução
- Brasília sem idealização: entre contrastes e realidade
- Amar como se ama gente: um olhar mais humano
- Colaboração, arte e novos caminhos
- Cultura Alternativa Agradece
Entre Direito, Jornalismo e arte: a força da palavra
A formação em Direito amplia a leitura do comportamento humano e, nesse sentido, contribui para compreender conflitos sociais. A área jurídica apresenta limites e desafios da convivência coletiva. Além disso, estimula reflexão crítica sobre as relações e sobre a própria linguagem.
O Jornalismo orienta a clareza e a objetividade e, assim, aproxima o leitor. Inspirada por Paulo José Cunha, Janine valoriza palavras simples. Ela também recorda ensinamentos de Franco Vasconcelos, que defendia comunicação direta e acessível.
A arte, ao mesmo tempo, expande a expressão e fortalece a sensibilidade. Experiências com teatro, música e dublagem ampliam a empatia e, dessa maneira, enriquecem a escrita. Assim, a autora constrói uma linguagem acessível, sem abrir mão da profundidade.
Do poema ao livro: um projeto em evolução
O livro surgiu de um texto publicado em 2020, durante o aniversário de Brasília. A repercussão positiva incentivou Janine Oliveira a ampliar o conteúdo, transformando o poema em uma obra mais estruturada. Esse primeiro impulso foi essencial para o desenvolvimento do projeto.
Inicialmente, a proposta envolvia o fotógrafo Igo Estrela. Após uma pausa, o trabalho evoluiu e ganhou nova direção. Posteriormente, a autora retomou o projeto com Joelson Maia, cuja contribuição trouxe consistência estética.
Esse processo ocorreu de forma gradual e exigiu amadurecimento. O tempo permitiu ajustes e aprofundamento da proposta, o que resultou em uma obra mais sólida e coerente.

Brasília sem idealização: entre contrastes e realidade
A obra evita uma visão romantizada da capital federal e, ao mesmo tempo, apresenta um retrato mais completo. Janine Oliveira reconhece a relevância arquitetônica da cidade, mas também evidencia suas contradições sociais.
O texto aborda desigualdade, distribuição de renda e desafios urbanos de forma equilibrada. Ainda assim, a autora não adota um tom acusatório. Ela integra esses elementos à narrativa cotidiana, o que reforça o realismo.
Essa abordagem amplia a compreensão do leitor e estimula reflexão. Ao mostrar diferentes aspectos da cidade, o livro constrói uma imagem mais fiel e profunda da realidade.
Amar como se ama gente: um olhar mais humano
O título da obra sintetiza a proposta central do livro. Janine Oliveira apresenta o amor como um sentimento que acolhe diferenças e imperfeições. Esse conceito amplia a forma de compreender relações e pertencimento.
Amar um lugar não significa ignorar falhas, mas reconhecê-las como parte da experiência. Ao mesmo tempo, essa visão se aplica às relações humanas, nas quais o vínculo se fortalece na convivência e na compreensão.
Essa perspectiva aproxima o leitor de uma experiência mais realista e sensível. O afeto se constrói ao longo do tempo e envolve aprendizado constante.
Colaboração, arte e novos caminhos
A construção do livro contou com a participação de diversos profissionais. O músico e poeta Pecê Sousa contribuiu como leitor crítico. Já Márcia Zarur e Ana Maria Lopes atuaram na edição pelo Coletivo Editorial Maria Cobogó.
A escritora Claudine Duarte também colaborou com sugestões relevantes. O projeto gráfico ficou sob responsabilidade de Beatriz Araújo. As imagens de Joelson Maia consolidaram a proposta visual da obra.
O livro também apresenta uma proposta multimodal. O audiolivro conta com Adriano Siri e com Márcia Zarur como narradora. A trilha inclui “A terceira ponte”, do violonista Manassés de Sousa. Após o lançamento, Janine participou de eventos como o Canta Brasília 2026, com apoio de Tita Lira, além de apresentações no Espaço Renato Russo.

Cultura Alternativa Agradece
O Portal Cultura Alternativa reconhece a relevância da contribuição de Janine Oliveira para a produção cultural contemporânea. A obra amplia o olhar sobre Brasília e valoriza narrativas que unem sensibilidade e reflexão social.
A equipe editorial destaca a força da colaboração artística e reforça a importância de iniciativas culturais independentes. Esse trabalho conjunto amplia o alcance das produções e fortalece o cenário criativo.
O portal agradece ao Assessor Geral Fernando Araújo e à equipe de criação & arte pelo trabalho contínuo na produção e difusão de conteúdos culturais.
Anand Rao
Editor Chefe
Cultura Alternativa

