Lena Santos e a Literatura como Voz da Resistência: Uma Entrevista de Vida e Pertencimento
A TV Cultura Alternativa trouxe uma entrevista marcante com Lena Santos, escritora, assistente social e ex-trabalhadora doméstica, que transformou sua trajetória em inspiração.
No programa exibido no dia 13 de março de 2025, Lena compartilhou sua jornada de superação, sua relação com a literatura e sua luta por pertencimento.
Com temas fortes e emocionantes, a conversa revelou como a arte e a escrita podem ser ferramentas de empoderamento e ressignificação.

Lena Santos e a Literatura
A Experiência no Trabalho Doméstico e a Construção da Identidade
Lena Santos iniciou sua vida profissional como empregada doméstica, um trabalho que, embora essencial, muitas vezes é invisibilizado. Cuidando das casas e dos filhos de outras pessoas, ela encontrou desafios que iam além das tarefas diárias, incluindo o vínculo emocional com as crianças que criava e, posteriormente, via partir. Esse ciclo constante de apego e separação deixou marcas profundas, revelando uma realidade comum a muitas trabalhadoras da área.
Apesar das dificuldades, Lena sempre enxergou o lado humano do trabalho, valorizando cada conexão criada. Ela mencionou histórias de colegas que passavam o dia cuidando de filhos de outras famílias, enquanto os próprios estavam em creches ou sob os cuidados de vizinhos. Esse cenário a sensibilizou ainda mais para a importância de políticas públicas de assistência às mulheres, especialmente às mães solo.
A relação com as patroas também trouxe reflexões sobre hierarquias e respeito. Embora tenha encontrado boas relações ao longo da vida, Lena percebeu que a falta de reconhecimento e o distanciamento social ainda são realidades para muitas empregadas domésticas no Brasil. Seu trabalho na assistência social, posteriormente, ampliou essa visão, permitindo que ela ajudasse outras mulheres a encontrarem suas próprias vozes.
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Lena Santos e a Literatura
Pães, Mães e o Papel do Cuidado
A entrevista abordou também a realidade de pais que assumem integralmente a criação dos filhos, os chamados “pães”. Anand Rao compartilhou sua experiência de cuidar sozinho de suas filhas, destacando os desafios e aprendizados que enfrentou. A conversa trouxe uma perspectiva ampla sobre como a parentalidade vai além dos gêneros e como homens podem – e devem – assumir essa responsabilidade de maneira ativa.
Lena complementou o debate trazendo a perspectiva das mães solo, que muitas vezes acumulam múltiplas funções e enfrentam julgamentos por sua condição. Ela ressaltou como a sociedade ainda valoriza mais um pai que cuida do filho do que uma mãe que faz o mesmo, algo que deveria ser naturalizado e não encarado como um ato extraordinário.
A escritora também mencionou a importância de uma rede de apoio para mães e pais solo. Ela relembrou sua própria trajetória, criando um filho sozinha com o suporte de seu irmão, que acabou se tornando uma figura paterna para a criança. Essas histórias reforçam a necessidade de repensarmos o modelo tradicional de família e abrirmos espaço para novas configurações baseadas no afeto e na responsabilidade compartilhada.
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Lena Santos e a Literatura
A Literatura Como Fome e Saciamento
A escrita entrou na vida de Lena como um refúgio e uma forma de expressão. Inspirada nas histórias das mulheres que conheceu na assistência social, ela começou a escrever como uma maneira de dar novos finais a essas narrativas. A literatura, para ela, não é apenas um passatempo, mas uma necessidade vital, algo que preenche lacunas e ressignifica experiências.
Ela contou que sempre teve uma “fome de conhecimento”, especialmente porque, por questões financeiras, não conseguiu frequentar a universidade. Mas, em vez de ver isso como um obstáculo definitivo, Lena encontrou na literatura um caminho alternativo para o aprendizado e a construção do pensamento crítico. O desejo de saber mais e de contar histórias a levou a publicar seu primeiro livro e a participar de diversas antologias.
Além de alimentar a mente, a literatura também proporciona pertencimento. Lena ressaltou que, através dos livros, passou a se ver representada, encontrando identificação em autores negros e periféricos. Esse processo de reconhecimento foi fundamental para fortalecer sua identidade e ampliar sua voz como escritora.
Lena Santos e a Literatura
Luta por Sobrevivência e Descoberta do Pertencimento
A luta por sobrevivência marcou a trajetória de Lena desde a infância. Criada por uma mãe solo que batalhou para criar os filhos sozinha após ser abandonada pelo marido, ela cresceu em um ambiente de resiliência. As dificuldades econômicas e a falta de oportunidades não impediram que ela construísse seu próprio caminho, mas trouxeram desafios que moldaram sua visão de mundo.
Um dos momentos mais impactantes da entrevista foi quando Lena revelou que, após anos de trabalho doméstico, descobriu que suas patroas nunca haviam contribuído para sua aposentadoria, mesmo com carteira assinada. Esse tipo de situação, infelizmente, é comum entre trabalhadoras da área e reforça a necessidade de maior fiscalização e garantia de direitos.
A busca pelo pertencimento foi um dos aspectos centrais de sua jornada. Durante muitos anos, ela se sentiu deslocada, vivendo em espaços que não eram realmente seus. Foi apenas quando se aprofundou na literatura negra e periférica que começou a se enxergar e a entender seu valor. Hoje, Lena se vê como parte de um coletivo maior, um movimento de resistência e valorização da cultura afro-brasileira.
A Literatura Como Porta de Entrada para Novos Espaços
Ao se tornar escritora, Lena passou a frequentar lugares que antes pareciam inacessíveis. Ela contou emocionada sobre a primeira vez que entrou no Itaú Cultural como convidada e foi levada para um camarim. Acostumada a estar nos bastidores, a experiência de ser reconhecida como artista foi um divisor de águas em sua vida.
Desde então, sua trajetória só cresceu. Participou de eventos literários, recebeu convites para entrevistas e viu sua obra ganhar espaço no cenário cultural. A literatura, que começou como uma válvula de escape, tornou-se sua principal ferramenta de transformação e empoderamento.
Hoje, Lena Santos é um exemplo vivo de como a arte pode mudar destinos. Sua história inspira outras mulheres negras, periféricas e trabalhadoras a acreditarem em seu potencial e a usarem a escrita como um meio de expressão e resistência.
Lena Santos e a Literatura
Uma Conversa Para Além da Entrevista
O bate-papo entre Lena Santos e Anand Rao foi muito mais do que uma entrevista – foi um encontro de histórias, reflexões e aprendizados. Cada tema abordado trouxe camadas de significado e abriu espaço para debates necessários sobre trabalho, maternidade, literatura e pertencimento.
A TV Cultura Alternativa segue seu compromisso de dar voz a histórias reais, promovendo entrevistas que vão além do óbvio e resgatam narrativas que precisam ser ouvidas. E, como Anand destacou ao final do programa, o portal está aberto para receber mais vozes como a de Lena, porque contar histórias é também construir um mundo mais justo e diverso.
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REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA

