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PISA 2025: Brasil mantém aprendizagem baixa

O PISA 2025 registrou o pior desempenho médio em leitura, matemática e ciências do grupo de 23 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) utilizado na comparação histórica.

Os resultados, divulgados em 8 de setembro de 2026, também mostram um desafio brasileiro: o país permanece com aprendizagem baixa e resultados próximos aos de uma década atrás.

Embora o debate costume destacar posições no ranking, a questão ultrapassa a competição entre países. Compreender uma notícia, comparar preços e avaliar argumentos exige conhecimentos que precisam acompanhar os estudantes para além da escola.

SAIBA ➕ MAIS

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes examina competências de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências. Em 2025, mais de 760 mil estudantes participaram, em 91 países e economias.

A avaliação procura verificar a aplicação do conhecimento, não apenas a memorização. Por isso, suas pontuações representam níveis de proficiência, e não notas escolares de zero a dez.

Além disso, a queda não se limita aos efeitos da pandemia. Segundo a OCDE, vários sistemas educacionais já enfrentavam dificuldades anteriormente.

Entre 2015 e 2025, a média da organização recuou 28 pontos em leitura, 22 em matemática e sete em ciências.

PISA 2025

O Brasil alcançou 409 pontos em ciências, 408 em leitura e 377 em matemática. Nesta última área, repetiu a média de 2015; em leitura, registrou apenas um ponto a mais.

Entretanto, um indicador traduz melhor a dimensão do problema: 72% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível básico de proficiência em matemática, diante de 35% na OCDE. Esse resultado sinaliza dificuldades para aplicar conhecimentos matemáticos em situações práticas.

Portanto, manter a pontuação enquanto outros países recuam não representa, por si só, avanço educacional.

Da mesma forma, pequenas diferenças numéricas não comprovam melhora consistente: é necessário considerar a significância estatística e a evolução ao longo do tempo.

A leitura merece atenção porque participa da aprendizagem em todas as disciplinas. Antes de resolver um problema matemático ou analisar um experimento, o estudante precisa compreender o enunciado.

Nesse contexto, a OCDE identifica perdas em tarefas que exigem avaliar informações, confrontar evidências e manter a atenção.

Ao mesmo tempo, observa aumento de respostas rápidas e incorretas, associadas à leitura apressada.

O contraste convida à reflexão: ampliar o acesso à informação não garante capacidade de interpretá-la.

Por exemplo, reconhecer uma publicidade disfarçada de notícia ou questionar uma resposta de inteligência artificial exige leitura cuidadosa e julgamento. São situações cotidianas que ajudam a compreender a importância dessas competências.

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PISA 2025

Entre as possíveis explicações, a OCDE discute distrações digitais, redução da leitura por prazer e mudanças na relação dos jovens com a escola. Contudo, os dados não estabelecem uma causa única para a queda.

Assim, responsabilizar exclusivamente celulares, famílias ou professores simplifica um problema que também envolve o funcionamento dos sistemas educacionais.

Para o Brasil, uma resposta consistente deve combinar apoio aos professores, identificação precoce das dificuldades e recuperação da aprendizagem.

Além disso, bibliotecas e práticas de leitura podem aproximar o conhecimento da experiência dos estudantes.

O acompanhamento precisa ir além da presença e da aprovação escolar. É necessário verificar, ao longo do ano, se os alunos avançam na compreensão de textos e na resolução de problemas.

Afinal, melhorar a educação significa transformar o tempo na escola em conhecimento que permita agir com autonomia.