Senado Memorável_ Wesley Brito - Cultura Alternativa

Senado Memorável: Wesley Brito transformou conhecimento em inovação no Senado

Senado Memorável: Wesley Brito transformou conhecimento em inovação no Senado

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Wesley Brito transformou conhecimento em inovação no Senado ao longo de 34 anos de serviço público, período em que ocupou cargos superiores durante mais de três décadas. Sem apadrinhamento político, exerceu funções de chefia, assessoria, coordenação e direção, sempre apoiado no mérito, no estudo e nos resultados alcançados. Sua trajetória, agora registrada pelo Projeto Senado Memorável, revela uma contribuição decisiva para a modernização dos processos gráficos, administrativos e financeiros do Senado Federal.

A infância humilde, os estudos em colégios públicos e particulares e a criação na Igreja Presbiteriana estabeleceram os princípios que orientaram sua vida. Honestidade, respeito, dedicação à família, valorização das amizades sinceras, paixão pelos esportes e compromisso com o trabalho formaram sua base pessoal. Para o servidor aposentado, contudo, o conhecimento tornou-se o principal alicerce das conquistas profissionais e individuais.

No Senado, essa formação influenciou sua maneira de liderar. Ele tratava os colegas com educação, respeitava opiniões e procurava manter relações honestas. Além disso, adotava uma gestão participativa, ouvindo os subordinados antes das decisões. Dessa forma, os colaboradores se tornavam corresponsáveis pelas soluções propostas e se empenhavam para alcançar os melhores resultados possíveis.

O conhecimento abriu caminhos dentro do Senado

Antes de ingressar no Senado Federal, o profissional trabalhou como técnico administrativo no Ministério da Agricultura e exerceu a função de chefe de gabinete na Câmara dos Deputados. Ao chegar à Gráfica do Senado, começou como digitador, em uma área bastante diferente das experiências anteriores. Entretanto, não se contentou em conhecer somente a tarefa que executava diariamente.

Ele procurava entender o que acontecia nos setores anteriores e posteriores de todo o fluxo gráfico. Como nem sempre encontrava profissionais que dominassem o processo completo ou tivessem disponibilidade para explicá-lo, decidiu estudar sozinho. Assim, descobriu que a Escola Senai Theobaldo De Nigris, em São Paulo, utilizava um livro importado na formação de profissionais gráficos. Por possuir fluência em inglês, adquiriu a obra e estudou minuciosamente todas as etapas da produção.

O esforço abriu portas rapidamente. Em menos de dois anos, já chefiava o setor. Logo depois, recebeu o convite para atuar como assessor técnico industrial. Com apenas três anos de trabalho, elaborou um documento dirigido ao Diretor-Geral no qual descreveu dezenove problemas que precisavam ser enfrentados para aperfeiçoar o fluxo produtivo, uma iniciativa considerada inédita naquele período.

Cursos, viagens e modernização da Gráfica do Senado

O servidor continuou investindo na própria formação e pagou, com recursos pessoais, diversos cursos realizados no Brasil e no exterior. Também viajou para congressos, simpósios e eventos internacionais, nos quais pôde observar tecnologias e modelos de produção diferentes daqueles conhecidos em Brasília. Entre essas experiências, participou da Drupa, na Alemanha, reconhecida como a maior feira gráfica do mundo.

O conhecimento adquirido nessas viagens permitiu identificar uma tendência mundial que avançava rapidamente: a impressão digital. Naquele momento, a Gráfica do Senado ainda trabalhava principalmente com impressão tipográfica e offset. Por isso, ele e um grupo inicial de quatro servidores defenderam uma mudança ampla na estrutura industrial, com processos mais eficientes, modernos e menos dispendiosos.

A proposta enfrentou desconfianças, resistências e muitas “caras feias”. Mesmo assim, o grupo persistiu durante anos para convencer a direção da Casa a modificar o modelo existente. Posteriormente, a Gráfica do Senado passou a ser reconhecida como uma unidade moderna e bem estruturada, muitas vezes comparada às grandes gráficas de São Paulo e considerada igual ou superior a várias delas.

Transformações gráficas e projetos pioneiros

Sua atuação alcançou a incorporação da impressão digital ao fluxo produtivo e, posteriormente, a implantação da impressão em braille. Essas mudanças exigiram reestruturação de espaços físicos, redefinição de tarefas, aquisição de máquinas, treinamento de pessoal, elaboração de normas e criação de grupos técnicos e comissões. Como conhecia profundamente o processo industrial, tornou-se autor de projetos e gestor de inúmeros procedimentos.

Entre suas contribuições estão os manuais de procedimentos setoriais, a impressão digital de contracheques, a confecção de envelopes e caixas, a plastificação automática de capas e a impressão em relevo em cartões de visita com fotopolímeros. Também participou da implantação do sistema digital de produção de fotolitos e revelação de chapas, além de colaborar em processos de especificação e aquisição de máquinas destinadas a todos os setores da gráfica.

Outras melhorias incluíram o endereçamento de correspondências, a impressão simultânea de mais de uma ordem de serviço por equipamento, o uso de vários numeradores por rama no sistema tipográfico e a produção de cadernos de doze páginas mediante reprogramação das máquinas de dobra. O especialista ainda sugeriu o uso de papel mais barato na montagem de fotolitos, aperfeiçoou a gestão das convocações extraordinárias nos fins de semana e ministrou aulas de processo gráfico e língua inglesa aos servidores.

Liderança, produtividade e recursos públicos

Quando ocupou a função de Coordenador-Geral de Produção, gerenciou vários setores e centenas de pessoas. Nesse período, a Gráfica do Senado bateu o recorde de produção de páginas impressas, resultado divulgado em um boletim interno da instituição. Nos meses seguintes, a equipe alcançou novas marcas, consolidando uma fase que ele considera especialmente positiva.

A gestão participativa desempenhou papel importante nessas conquistas. Em vez de impor soluções, o coordenador ouvia as equipes e incorporava sugestões aos projetos. Consequentemente, cada servidor compreendia sua responsabilidade no resultado e se envolvia diretamente na execução das tarefas. Esse método facilitava o gerenciamento e aumentava a eficiência coletiva.

Além disso, o administrador relacionava modernização e responsabilidade fiscal. A simplificação das atividades, a aquisição de equipamentos mais eficientes, a redução de desperdícios, a melhoria da ergonomia, a gestão de pessoas e o aperfeiçoamento das compras e vendas de serviços contribuíram para o uso mais racional dos recursos públicos. Posteriormente, a antiga gráfica tornou-se uma Secretaria do Senado.

Mudanças administrativas e economia para a instituição

Na área administrativa, idealizou a criação das funções de coordenadores-gerais e seccionais no Centro Gráfico. A iniciativa culminou em uma reestruturação de cargos e salários dentro da unidade e, posteriormente, no próprio Senado Federal. Também presidiu a comissão responsável pelo primeiro grande balanço dos almoxarifados da gráfica.

A equipe conferiu, peça por peça, mais de quinze mil itens. Antes disso, os inventários eram realizados por amostragem, método que gerava incongruências gerenciais. O trabalho provocou mudanças profundas nas formas de solicitar, armazenar, controlar e destinar materiais. Paralelamente, o então gestor formulou projetos para modificar a aquisição de papéis, filmes e equipamentos, reduzindo processos e melhorando a alocação de recursos financeiros.

Também elaborou o processo que resultou na primeira tabela de custos e preços reais dos produtos e serviços gráficos. Até então, a unidade utilizava valores médios de empresas semelhantes, sem considerar adequadamente o custo da mão de obra, o chamado valor hora-homem, os insumos e outros componentes. Com a nova metodologia, a administração passou a conhecer melhor o custo efetivo de cada serviço.

Doação de equipamentos e modernização das aquisições

Em um período de escassez financeira, o dirigente idealizou a transferência de máquinas e materiais do Departamento de Imprensa Nacional para a Gráfica do Senado. A iniciativa mobilizou as Presidências dos Poderes Legislativo e Executivo e resultou na doação de mais de cem itens, avaliados em centenas de milhares de reais.

Segundo seu relato, essa foi a primeira doação conhecida com tal finalidade e talvez a única. O projeto permitiu incorporar equipamentos e produtos ligados ao serviço gráfico sem exigir grandes aquisições naquele momento, representando economia e melhoria da capacidade produtiva.

O aposentado também foi coautor da proposta de implantação do sistema de pregões no Senado Federal e das normas relacionadas ao modelo. Posteriormente, tornou-se Pregoeiro Oficial da Casa. Durante sua gestão como diretor, a Secretaria de Aquisições ganhou relevância na área administrativa devido à revisão das normas e ao realinhamento dos processos de compras.

Mérito, resistência e satisfação profissional

O maior desafio de sua carreira, contudo, não foi técnico. O funcionário precisou demonstrar, dentro de uma Casa política, que sua atuação profissional não estava subordinada a partidos, influências ou padrinhos. Ele afirma que não desejava aparecer, mas prestar um serviço de excelência e justificar, diante da administração, o salário que recebia.

Durante a trajetória, enfrentou perseguições, bullying e outras dificuldades. Ainda assim, não esmoreceu. Ao longo dos anos, manteve-se distante de problemas administrativos, evitou criar inimizades e tratou as pessoas com respeito. Assim, colegas e dirigentes perceberam que seu principal interesse consistia em trabalhar com dignidade e responsabilidade.

A função que lhe proporcionou maior satisfação foi a de Assessor Técnico do Diretor Industrial. Naquele período, contava com a confiança da direção e o apoio dos demais assessores, condição que lhe permitia criar projetos e acompanhar os resultados dentro da oficina. Trabalhava mais de dez horas por dia e presidia várias Comissões Especiais responsáveis pela reestruturação dos fluxos gráficos, mas sentia prazer ao ver suas ideias prosperarem.

Valores pessoais, aposentadoria e novos caminhos

A formação cristã e familiar ajudou o profissional a conciliar os objetivos institucionais com o bem-estar dos servidores. Nos setores em que trabalhou, procurou construir ambientes mais tranquilos, leves e menos opressores. Além disso, tratava as pessoas com dignidade, o que lhe permitiu encerrar a carreira com importantes realizações e muitos colegas transformados em amigos pessoais.

Para os novos servidores públicos, deixa uma orientação direta: comprometimento com a instituição, melhoria contínua do trabalho e respeito entre coordenadores e coordenados. Na sua avaliação, esse comportamento fortalece o processo legislativo, traz reconhecimento e consolida relações profissionais. Por isso, afirma que nenhum esforço realizado com responsabilidade terá sido em vão.

Ele não sabe dizer se deixou um legado, pois acredita que essa avaliação cabe a outras pessoas. Depois da aposentadoria, passou a cuidar da saúde física e mental, dos amores, da família e das amizades. Participou de competições de kart, fez viagens nacionais e internacionais de carro, moto, navio e avião e se dedicou a trabalhos voluntários e beneficentes na Liga do Bem e fora dela.

Também passou a valorizar ainda mais os momentos com a esposa, os pais, os filhos, os irmãos e a neta. Reuniões festivas, pescarias e encontros familiares ocupam lugar especial nessa nova fase. Paralelamente, integra o Coral Brasília como tenor, participando de apresentações que unem música, convivência e realização pessoal.

Cultura Alternativa Agradecimento

O Cultura Alternativa agradece ao Coordenador de Produção e Arte do Projeto Senado Memorável, Fernando Araújo, pelo trabalho de pesquisa, organização e preservação da memória dos servidores que contribuíram para a história do Senado Federal.

Agradecemos igualmente a Wesley Brito pela disponibilidade, pela confiança e pelo envio de informações detalhadas sobre sua trajetória pessoal e profissional. Seu depoimento amplia o conhecimento sobre a modernização da Gráfica do Senado, a evolução administrativa da Casa e o papel dos servidores públicos na construção institucional.

Ao registrar essa história, o Projeto Senado Memorável reconhece uma carreira marcada por estudo, mérito, criatividade, respeito às pessoas e compromisso com o interesse público. Embora o entrevistado demonstre humildade ao falar sobre o próprio legado, suas iniciativas permaneceram incorporadas a processos, estruturas e práticas que ajudaram a transformar o Senado Federal.

Anand Rao, Fernando Araújo e Equipe
Cultura Alternativa