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Doença mental não é “coisa de doido”

Setembro Amarelo e saúde mental: doença mental não é “coisa de doido”

Em muitas famílias brasileiras, ainda se fala baixo quando o assunto é depressão, ansiedade grave, crise emocional ou tratamento psiquiátrico.

Apesar dos avanços, a doença mental continua cercada por medo, julgamento e frases que machucam. Por isso, o Setembro Amarelo é mais do que uma campanha de prevenção ao suicídio. É também um convite para rever a forma como a sociedade escuta quem sofre.

Sofrimento psíquico não é fraqueza, falta de fé, preguiça ou “coisa de doido”. É questão de saúde pública, pode atingir pessoas de diferentes idades e exige acolhimento, informação e acesso a cuidado adequado.

Na prática, o preconceito aparece quando alguém ouve que precisa “reagir”, “pensar positivo” ou “parar de frescura”. Embora essas frases pareçam inofensivas para quem fala, elas podem aumentar a culpa e afastar a pessoa da ajuda profissional.

Depressão, transtorno bipolar, ansiedade intensa, abuso de álcool e outras drogas, luto prolongado, traumas e isolamento social podem ampliar a vulnerabilidade emocional.

No entanto, nem toda pessoa em sofrimento apresenta sinais óbvios. Muitas continuam trabalhando, estudando, sorrindo e cumprindo compromissos, enquanto enfrentam uma dor silenciosa.

Além disso, o estigma pesa de forma diferente sobre alguns grupos. Homens podem ter mais dificuldade de admitir fragilidade.

Jovens enfrentam pressão por desempenho e comparação nas redes sociais. Idosos, por sua vez, podem viver solidão, perdas afetivas e invisibilidade.

Já trabalhadores sob forte cobrança costumam normalizar exaustão, insônia e irritabilidade como se fossem apenas parte da rotina.

Setembro amarelo

Diante desse cenário, os dados ajudam a dimensionar o problema. A Organização Mundial da Saúde estima que 727 mil pessoas morreram por suicídio no mundo em 2021.

Embora a taxa global tenha caído em relação a anos anteriores, a redução ainda está distante da meta internacional de diminuir esse indicador em um terço até 2030.

No Brasil, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou 16.446 suicídios em 2024, número praticamente igual ao de 2023, quando foram 16.463 registros. A taxa nacional ficou em 7,7 por 100 mil habitantes.

Além disso, o Ministério da Saúde já apontou crescimento das taxas de mortalidade por suicídio e aumento das notificações de lesões autoprovocadas entre 2010 e 2021.

Portanto, o tema não pode ficar restrito a setembro. Ele precisa atravessar escolas, empresas, famílias, unidades de saúde e espaços comunitários durante todo o ano.

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Mudanças bruscas de comportamento devem ser observadas com cuidado. Entre os sinais possíveis estão isolamento, perda de interesse por atividades habituais, alteração intensa no sono ou no apetite, irritabilidade, desesperança, falas sobre desaparecer, despedidas incomuns e sensação de ser um peso para os outros.

Além disso, uma queda repentina no rendimento, abandono de cuidados pessoais, aumento do consumo de álcool, postagens muito melancólicas ou comportamentos impulsivos também podem indicar que algo não vai bem.

Nesse sentido, a escuta faz diferença. Perguntar “como você está de verdade?” pode abrir uma porta.

Em seguida, é importante ouvir sem interromper, sem julgar e sem transformar a conversa em sermão. Quando houver risco imediato, a orientação é procurar ajuda urgente.

Setembro amarelo

A rede de cuidado pode começar por familiares, amigos, escola, trabalho ou profissionais de saúde.

No SUS, a pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, os Centros de Atenção Psicossocial, as UPAs, o SAMU 192 em situações de urgência e outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial.

O Centro de Valorização da Vida também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias. O atendimento também pode ocorrer por chat e e-mail.

Por outro lado, é importante lembrar que amigos e familiares não substituem atendimento profissional. Eles podem acolher, acompanhar e incentivar a busca por cuidado, mas diagnósticos e tratamentos precisam ser conduzidos por equipes qualificadas.

Falar sobre Setembro Amarelo e saúde mental exige responsabilidade. A campanha não deve se limitar a frases motivacionais ou imagens amarelas nas redes sociais.

Ela precisa estimular atitudes concretas: julgar menos, escutar melhor, orientar com cuidado e defender o acesso ao tratamento.

Por fim, pedir ajuda não deve ser motivo de vergonha. Quando a sociedade entende que saúde mental é parte da saúde integral, a conversa deixa de ser tabu e passa a ser uma forma de proteção da vida.

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA

Fontes consultadas

Organização Mundial da Saúde, dados globais sobre suicídio e saúde mental.

Ministério da Saúde, Boletim Epidemiológico sobre suicídios e lesões autoprovocadas no Brasil.

Ministério da Saúde, orientações sobre prevenção do suicídio e rede de cuidado.

Centro de Valorização da Vida, informações sobre atendimento pelo 188.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.

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