Ciberbullying: crianças não sabem como denunciar violência digital, alerta relatório da ONU
O crescimento das redes sociais transformou a forma como crianças e adolescentes se comunicam.
No entanto, junto com as oportunidades de interação e aprendizado, surgiram novos riscos no ambiente digital.
Entre eles, o ciberbullying, também conhecido como bullying virtual, tem se tornado uma das formas de violência mais preocupantes para jovens em todo o mundo.
Relatório apresentado em março de 2026 pela Representante Especial da ONU sobre Violência contra Crianças, Dra. Najat Maalla M’jid, durante sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, trouxe um alerta importante. Segundo o documento, muitas crianças sofrem ciberbullying, mas não sabem como denunciar ou buscar ajuda.
Além disso, o relatório indica que o ambiente digital ainda apresenta falhas na proteção do público infantil, especialmente quando se trata de mecanismos acessíveis de denúncia.
Ciberbullying aparece entre as principais preocupações das crianças
De acordo com o relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas, o ciberbullying está entre as formas de violência mais citadas por crianças em consultas realizadas em diferentes países.
Em geral, essas agressões acontecem por meio de mensagens ofensivas, humilhações públicas, divulgação de imagens constrangedoras, ameaças ou exclusão social em redes digitais.
Nesse cenário, o impacto da violência virtual vai muito além da internet. Muitas vítimas relatam sentimentos de vergonha, ansiedade, medo e isolamento social.
Como consequência, o rendimento escolar pode cair e o convívio social tende a se tornar mais difícil.
Além disso, o bullying online apresenta uma característica particularmente preocupante. Diferentemente do bullying presencial, ele pode acontecer a qualquer momento e alcançar um número muito maior de pessoas. Assim, a exposição da vítima se torna mais intensa e duradoura.
Em poucas linhas
- Ciberbullying é uma preocupação crescente entre crianças que muitas vezes não sabem como denunciar a violência digital.
- Relatório da ONU alerta sobre a falta de informações que impede crianças de reconhecerem e denunciarem o ciberbullying.
- Educação digital contínua é essencial para ensinar crianças a identificar comportamentos abusivos e agir corretamente.
- Plataformas digitais devem melhorar seus mecanismos de denúncia e moderar conteúdo, enquanto governos precisam criar políticas de segurança digital.
- Combater o ciberbullying exige ação conjunta de famílias, escolas e empresas de tecnologia para proteger crianças na internet.
Ciberbullying
Por que crianças não conseguem denunciar o ciberbullying
Segundo o relatório da ONU, um dos maiores desafios está na falta de informação. Muitas crianças não reconhecem imediatamente que estão sendo vítimas de violência digital. Outras, por sua vez, não sabem quais ferramentas utilizar para denunciar os ataques.
Além disso, o medo de represálias ou de piorar a situação faz com que muitos jovens permaneçam em silêncio. Em vários casos, a vítima prefere abandonar a rede social ou simplesmente ignorar as agressões.
Outro problema apontado no relatório é que os sistemas de denúncia em muitas plataformas digitais não foram pensados para usuários mais jovens. Como resultado, o processo pode parecer confuso ou pouco acessível para crianças.
Por esse motivo, especialistas defendem que a educação digital precisa avançar de forma mais consistente.
Educação digital ajuda a prevenir o bullying virtual
Diante desse cenário, especialistas afirmam que ensinar crianças a navegar com segurança na internet se tornou uma tarefa cada vez mais importante.
A educação digital, quando realizada de forma contínua, contribui para que os jovens reconheçam comportamentos abusivos e saibam como reagir.
Entre as orientações mais recomendadas estão:
• explicar o que é ciberbullying e como identificá-lo
+ incentivar a criança a conversar com adultos de confiança
• ensinar como utilizar ferramentas de bloqueio e denúncia
+ guardar provas das agressões, como capturas de tela
• evitar responder a mensagens ofensivas
Além disso, escolas podem desempenhar papel relevante nesse processo. Programas de cidadania digital e convivência online ajudam a criar ambientes virtuais mais respeitosos.
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Plataformas digitais também precisam assumir responsabilidade
O relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU também destaca a responsabilidade das empresas de tecnologia.
Segundo o documento, plataformas digitais precisam aprimorar seus sistemas de moderação e tornar os mecanismos de denúncia mais simples e acessíveis para crianças.
Além disso, especialistas defendem que governos devem avançar na criação de políticas públicas voltadas à segurança digital infantil.
Embora alguns países já tenham legislações sobre violência online, ainda existem lacunas importantes na proteção de crianças no ambiente virtual.
Nesse sentido, iniciativas educativas, regulamentação e tecnologia precisam caminhar juntas.
Como denunciar ciberbullying e proteger crianças na internet
Pais, responsáveis e educadores desempenham papel fundamental na prevenção do ciberbullying infantil.
O acompanhamento da vida digital das crianças, aliado ao diálogo aberto, ajuda a identificar sinais de sofrimento e agir rapidamente.
Algumas atitudes podem fazer diferença:
- manter conversas frequentes sobre o uso das redes sociais
- orientar sobre privacidade e segurança online
- observar mudanças de comportamento ou isolamento
- procurar apoio escolar ou psicológico quando necessário
- denunciar conteúdos ofensivos nas próprias plataformas digitais
Além disso, quando a violência persiste, é possível procurar canais formais de denúncia ou apoio institucional.
Combater o ciberbullying exige ação coletiva
Em resumo, o avanço da internet trouxe novos desafios para a proteção da infância.
O relatório apresentado pela ONU em 2026 mostra que muitas crianças continuam expostas ao ciberbullying sem saber como reagir ou denunciar.
Por isso, combater a violência digital contra crianças exige ação conjunta de famílias, escolas, empresas de tecnologia e governos.
Somente com informação, educação digital e canais de denúncia acessíveis será possível tornar o ambiente online mais seguro para as novas gerações.
Agnes Adusumilli – Site Cultura Alternativa
REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA
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