Adele restaurante em Curitiba combina memória e gastronomia
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Adele restaurante em Curitiba ocupa um endereço discreto no Batel e construiu sua identidade em torno de uma proposta que aproxima o buffet por quilo de técnicas e referências normalmente encontradas em restaurantes à la carte. Inaugurada em 2014, a casa nasceu da percepção de que o formato de autosserviço poderia oferecer maior coerência entre proteínas, acompanhamentos, saladas e preparações quentes. A ideia, nesse sentido, foi criar combinações que permitissem montar pratos equilibrados gastronomicamente, sem abandonar a praticidade característica do almoço por peso.
Instalado na Alameda Dom Pedro II, 628, o restaurante permanece no mesmo endereço do Batel onde iniciou sua trajetória. A localização coloca a casa em uma região de forte concentração gastronômica de Curitiba, enquanto o espaço reúne ambientes internos e uma área externa cercada por vegetação. Atualmente, por sua vez, o próprio restaurante informa funcionamento de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 14h30, e aos sábados, das 12h às 15h.
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Uma história ligada à família
O nome Adele não surgiu de uma estratégia publicitária. André Pasquali, chef e um dos criadores do empreendimento, escolheu homenagear a avó Adele, com quem conviveu. A relação familiar também chegou à cozinha porque uma das receitas associadas à matriarca, o Capeletti Adele, passou a integrar a história gastronômica do estabelecimento. A memória afetiva, portanto, tornou-se um componente conceitual do restaurante e ajudou a diferenciar sua proposta desde os primeiros anos.
André Pasquali e Alexandro Brito aparecem nos registros da fase inicial como proprietários responsáveis pela criação do negócio. Ambos costumavam almoçar em restaurantes por quilo e começaram a observar problemas recorrentes nesse modelo, principalmente a quantidade excessiva de preparações sem relação entre si. A partir dessa experiência, consequentemente, desenvolveram um buffet no qual os itens deveriam dialogar e permitir diferentes composições.
A proposta ganhou visibilidade ainda em 2015, quando publicações gastronômicas de Curitiba destacaram justamente esse sistema de buffet harmonizado. Em vez de apresentar dezenas de opções desconectadas, a cozinha organizava proteínas e acompanhamentos de maneira planejada. Pequenas indicações próximas aos alimentos orientavam as combinações e, ao mesmo tempo, davam ao cliente liberdade para criar seu próprio prato.
Buffet combina influências brasileiras e mediterrâneas
A gastronomia do Adele foi inicialmente construída a partir de referências brasileiras e mediterrâneas. Nos primeiros anos, o buffet oferecia diariamente três proteínas, tradicionalmente peixe, frango e carne vermelha, acompanhadas de preparações pensadas para criar combinações específicas. A estrutura, dessa maneira, transformava o autosserviço em uma experiência mais orientada, mantendo arroz, feijão e elementos cotidianos ao lado de receitas de execução mais elaborada.
O cardápio muda conforme o dia, característica importante para um restaurante baseado principalmente no almoço. Registros históricos mostram cordeiro com molho de hortelã, creme de mandioquinha, abobrinha recheada com ricota, salmão com molho cremoso de alho-poró, risotos e diferentes guarnições. A variedade, porém, não representa uma simples multiplicação de pratos, pois a concepção original busca preservar relações entre texturas, sabores e ingredientes.
O restaurante mantém atualmente a apresentação de um buffet preparado diariamente e destaca o uso de ingredientes frescos. Informações disponíveis nas plataformas de gastronomia também apontam alternativas vegetarianas, veganas e sem glúten, ampliando as possibilidades para diferentes perfis alimentares. Essa diversidade, além disso, permite que uma mesma mesa reúna pessoas com escolhas distintas sem retirar do buffet sua característica central de cozinha brasileira.
Uma proposta diferente para o almoço por quilo
O elemento mais particular do Adele continua sendo sua interpretação do tradicional restaurante por peso. Esse modelo ganhou enorme espaço nas cidades brasileiras pela rapidez e pela possibilidade de personalização. No Adele, entretanto, a liberdade do consumidor recebeu uma camada adicional de orientação gastronômica. As sugestões de harmonização, assim, procuram evitar combinações aleatórias e aproximam o sistema de buffet da lógica utilizada na construção de um prato completo.
Essa filosofia pode ser percebida desde os primeiros registros sobre o estabelecimento. Em 2015, reportagens já descreviam pequenas sinalizações junto às proteínas sugerindo dois acompanhamentos possíveis. Existiam inclusive composições com diferentes cargas calóricas, recurso que permitia ao consumidor escolher entre alternativas mantendo certa coerência culinária. O almoço cotidiano, desse modo, deixava de ser apenas uma refeição rápida para incorporar escolhas estruturadas pelo trabalho da cozinha.
Mais de uma década depois da abertura, o Adele continua em atividade no Batel. O Tripadvisor registra dezenas de avaliações e classificação elevada entre os consumidores, enquanto os canais digitais do restaurante permanecem ativos divulgando o buffet e os horários de atendimento. Esses indicadores, por outro lado, não substituem a avaliação presencial da gastronomia, mas demonstram a continuidade de um empreendimento inaugurado em 2014 em um mercado curitibano marcado por intensa renovação.

Ambiente, jardim e identidade
O espaço físico também participa da experiência. O restaurante possui salão interno e área externa, sendo o jardim um dos elementos mais destacados nos registros sobre o endereço. A vegetação cria uma separação visual em relação ao movimento urbano do Batel e, em contrapartida, mantém o restaurante próximo de uma das regiões mais movimentadas da capital paranaense.
A casa já apresentou outras vertentes além do almoço. Em sua trajetória, funcionou também como café durante a tarde, com bebidas, bolos, sanduíches e preparações próprias para esse período. Um blend de cafés especiais chegou a ser desenvolvido exclusivamente para o estabelecimento. A operação atual concentra-se no almoço; ainda assim, o termo “Gastronomia & Café” preserva uma parte importante da história do empreendimento.
O Adele chega, portanto, a 2026 com aproximadamente 12 anos de funcionamento e uma identidade construída pela combinação entre memória familiar e cozinha cotidiana. A homenagem à avó Adele, o capeletti relacionado à receita da família, o buffet harmonizado e a localização em uma casa com jardim formam, dessa forma, partes de uma mesma narrativa. Em uma cidade reconhecida pela diversidade gastronômica, o restaurante, sobretudo, mostra como um formato popular como o buffet por quilo pode receber planejamento culinário sem perder simplicidade e acessibilidade.
Anand Rao
Editor Chefe
Cultura Alternativa

