Café está caro demais? Site Cultura Alternativa

Consumo de café no Brasil cresce em 2026, aponta ABIC

O consumo de café no Brasil voltou a crescer em 2026, impulsionado pela queda dos preços e pela melhora na oferta de grãos.

Segundo dados divulgados em 22 de setembro pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), as vendas no varejo aumentaram 2,29% entre janeiro e agosto, em comparação com o mesmo período de 2025.

A recuperação ganhou força entre maio e agosto, quando as vendas cresceram 4,65%. O resultado chama a atenção porque, no ano anterior, os preços elevados haviam levado muitos consumidores a reduzir as compras.

Entretanto, a recuperação revela algo além das estatísticas: mesmo sendo um hábito profundamente enraizado na cultura brasileira, o cafezinho também depende do poder de compra das famílias.

De janeiro a agosto de 2026, o mercado brasileiro comercializou aproximadamente 13,69 milhões de sacas de 60 quilos.

No segundo quadrimestre, o volume chegou a cerca de 7 milhões de sacas, com crescimento de 4,65% em relação ao mesmo período de 2025.

A recuperação contrasta com os primeiros oito meses de 2025, quando as vendas haviam recuado 5,4%.

Contudo, é importante distinguir o crescimento das vendas do aumento do consumo individual.

Os dados mostram que o mercado voltou a comercializar mais café, mas não comprovam que cada brasileiro esteja bebendo mais xícaras diariamente.

A chegada da safra brasileira ampliou a disponibilidade de grãos arábica e canéfora, grupo que inclui o conilon. Dessa forma, a indústria recuperou o abastecimento e passou a trabalhar com condições mais favoráveis.

Como resultado, todas as categorias pesquisadas pela ABIC apresentaram redução no preço médio entre agosto de 2025 e agosto de 2026.

O café tradicional e extraforte registrou a maior queda, de 21,22%. Nesse período, o preço médio passou de R$ 62,83 para R$ 49,50 por quilo.

Por outro lado, as reduções variaram conforme a categoria. O café solúvel ficou 19,31% mais barato, enquanto o gourmet apresentou queda de 13,18%. Já os cafés especiais recuaram 10,34%.

Infográfico: o café brasileiro em números

ABIC | Setembro de 2026

O cafezinho acompanha reuniões de trabalho, encontros familiares e momentos de descanso. Além disso, oferecer uma xícara continua sendo uma expressão de hospitalidade em diferentes regiões do país.

Entretanto, a tradição não protege o consumidor das oscilações econômicas.

Quando o preço sobe, as famílias podem reduzir as compras, procurar marcas mais acessíveis ou aproveitar promoções.

Por isso, a recuperação observada em 2026 evidencia a importância do orçamento doméstico para a manutenção desse hábito.

Ao mesmo tempo, o mercado amplia a oferta de cafés especiais, bebidas geladas e produtos prontos para beber.

Essas alternativas diversificam as ocasiões de consumo e podem atrair novos públicos, especialmente os consumidores mais jovens.

Apesar da recuperação, o setor acompanha as condições meteorológicas com cautela.

Segundo Pavel Cardoso, presidente da ABIC, o fenômeno El Niño pode prejudicar o desenvolvimento dos cafezais e provocar novas oscilações nos preços internacionais.

Além disso, a indústria mantém estoques mais curtos do que no passado. De acordo com a avaliação do dirigente, as reservas atuais cobrem aproximadamente quatro a sete semanas de abastecimento.

Consequentemente, eventuais problemas climáticos podem pressionar os custos e chegar novamente às prateleiras dos supermercados.

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A ABIC considera possível alcançar crescimento superior a 2,5% no ciclo anual que termina em outubro de 2026. Entretanto, esse resultado dependerá principalmente da estabilidade dos preços e das condições climáticas.

Assim, embora o consumidor encontre um cenário mais favorável em 2026, ainda não existe garantia de que os preços continuarão em queda.

O comportamento do mercado deixa uma reflexão: o café permanece como um dos símbolos da cultura brasileira, mas seu consumo também reflete as condições econômicas do país. Afinal, até mesmo os hábitos mais tradicionais precisam caber no orçamento.

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA

Fontes e referências

  • ABIC: Estatísticas sobre preços do café no varejo .
  • Reuters: Consumo de café no Brasil avança 2,29% até agosto, 22/09/2026 .
  • Itatiaia: Dados de consumo e preços por categoria, 22/09/2026 .