Celulares e tablets costumam ser associados a vídeos, jogos e redes sociais. No entanto, esses mesmos dispositivos também podem funcionar como pequenas bibliotecas.
Plataformas digitais gratuitas ampliam o acesso a clássicos, contos, fábulas e outras obras, oferecendo às famílias mais uma possibilidade para estimular a leitura infantil.
A proposta ganha relevância diante de um cenário preocupante. A sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que o país perdeu 6,7 milhões de leitores em cinco anos.
Portanto, facilitar o encontro das crianças com os livros, inclusive no ambiente digital, tornou-se ainda mais importante.
MEC Livros reúne milhares de títulos gratuitos
Uma das principais novidades é o MEC Livros, biblioteca digital pública do Ministério da Educação. A plataforma reúne mais de 25 mil títulos e pode ser utilizada gratuitamente pela população brasileira.
O acervo inclui obras em domínio público e livros contemporâneos disponibilizados mediante autorização dos detentores dos direitos autorais. Além disso, o serviço pode ser acessado por computador, tablet ou celular, utilizando uma conta Gov.br.
Dessa forma, clássicos da literatura que já pertencem ao domínio público ganham uma nova porta de entrada para estudantes e famílias. Ao mesmo tempo, a plataforma aproxima a literatura de crianças e jovens acostumados ao ambiente digital.
Leitura infantil
Clássicos e histórias infantis também estão disponíveis no Conta pra Mim
Outra opção gratuita é o programa Conta pra Mim, também mantido pelo Ministério da Educação. Seu acervo oferece livros para leitura online, impressão e, em determinados casos, atividades para colorir.
Entre as histórias disponíveis estão Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, O Gato de Botas e A Princesa e a Ervilha. Há ainda fábulas, contos tradicionais brasileiros, poesias, livros informativos e obras destinadas aos bebês.
Além dos livros, o projeto apresenta histórias narradas e orientações para incentivar a leitura em voz alta dentro de casa. Assim, a tecnologia não precisa significar uma experiência solitária diante da tela.

Livro digital não precisa competir com o impresso
A discussão sobre leitura infantil não deveria colocar o livro digital contra o livro de papel. Na prática, os formatos podem se complementar.
Uma criança pode conhecer uma história pelo celular durante uma viagem e, posteriormente, procurar a obra impressa na biblioteca. Da mesma forma, pais e avós podem utilizar um tablet para realizar uma leitura compartilhada.
O ponto central está menos no suporte e mais na experiência. Quando um adulto conversa sobre os personagens, faz perguntas e permite que a criança participe da narrativa, a leitura deixa de ser apenas consumo de conteúdo.
Brasil perdeu milhões de leitores
A necessidade de estimular esse hábito aparece claramente nos números. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil entrevistou 5.504 pessoas em 208 municípios e constatou uma redução de 6,7 milhões de leitores em comparação com a edição anterior.
Pela primeira vez, o levantamento também investigou a quantidade de livros infantis nas residências e os hábitos de leitura dos pais a partir da percepção de crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos.
Nesse contexto, oferecer livros gratuitos em diferentes formatos ajuda a reduzir uma das barreiras de acesso. Entretanto, disponibilizar o arquivo não basta. Crianças também precisam de mediação, curiosidade e exemplos de adultos que leem.
Leitura infantil
A tela também pode abrir a porta para os livros
Em uma infância cada vez mais conectada, talvez a pergunta não seja apenas quanto tempo a criança passa diante de uma tela, mas também o que ela encontra nela.
Se parte desse tempo levar a Machado de Assis, contos populares, fábulas ou novas histórias, a tecnologia pode assumir outro papel. Afinal, o celular que disputa a atenção com o livro também pode carregar uma biblioteca inteira.
Fontes: Ministério da Educação, MEC Livros, programa Conta pra Mim, Instituto Pró-Livro e Fundação Itaú.
REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA
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