Uma roupa robótica flexível reduziu em 13,6% o custo metabólico da caminhada e ajudou pessoas idosas a se levantar mais vezes durante um teste de um minuto.
Embora os resultados indiquem possibilidades para a autonomia na velhice, o estudo avaliou somente dez participantes.
Portanto, a tecnologia ainda não pode ser considerada uma solução pronta para uso doméstico.
Publicado em 17 de julho de 2026 na revista Nature Communications, o estudo analisou um traje desenvolvido para auxiliar os movimentos do quadril.
O equipamento combina componentes de tecido, sensores, motores, bateria e cabos semelhantes a tendões artificiais.
Breve resumo
- Uma roupa robótica flexível reduziu em 13,6% o custo metabólico da caminhada para idosos, melhorando suas capacidades de locomoção.
- O estudo testou dez participantes com cerca de 78 anos, mas ainda não pode ser considerado uma solução definitiva para uso em casa.
- O traje auxilia nos movimentos de quadril, permitindo que os usuários mantenham controle durante a caminhada e ao se levantar.
- Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores alertam que são necessários mais testes em condições do dia a dia e com grupos maiores.
- A roupa robótica deve ser segura, acessível e fácil de usar para contribuir efetivamente com o envelhecimento ativo.
Como funciona o traje robótico flexível?
Ao contrário dos exoesqueletos rígidos, o dispositivo acompanha o corpo e se aproxima do formato de uma roupa.
O sistema inclui colete, cinto e suportes presos às coxas. Além disso, sensores identificam o movimento do usuário e acionam a assistência no momento adequado.
Durante a caminhada, os cabos aplicam força para auxiliar a extensão do quadril. Da mesma forma, quando a pessoa começa a sair da cadeira, o traje oferece impulso adicional.
No entanto, ele não executa toda a tarefa. O usuário continua participando ativamente do movimento.
Esse aspecto pode favorecer a aceitação da tecnologia. Afinal, um equipamento assistivo precisa ajudar sem retirar da pessoa a percepção de controle sobre o próprio corpo

Roupa robótica
Quanto o equipamento reduziu o esforço da caminhada?
A pesquisa reuniu dez pessoas idosas com média de idade próxima de 78 anos e alguma redução no desempenho dos membros inferiores. Ainda assim, os participantes viviam na comunidade e mantinham capacidade de locomoção independente.
No teste de caminhada, o traje reduziu em média 13,6% o custo metabólico de transporte.
Em outras palavras, os participantes gastaram menos energia para percorrer determinada distância quando receberam a assistência robótica. Quase metade apresentou reduções superiores a 20%.
Na prática, diminuir o esforço pode ajudar a retardar o cansaço e facilitar deslocamentos mais longos. Entretanto, os resultados variaram entre os participantes.
Por isso, uma futura aplicação deverá considerar diferenças de força, equilíbrio, altura, peso e padrão de movimento.
A roupa robótica também ajudou a levantar da cadeira
Levantar-se parece uma tarefa simples, porém exige força muscular, coordenação e estabilidade. Além disso, o movimento faz parte de atividades essenciais, como sair da cama, usar o banheiro, entrar em um veículo e circular pela residência.
Durante o teste de um minuto, os participantes realizaram, em média, 1,8 repetição adicional com o traje ligado. O tempo necessário para completar cada ciclo também caiu cerca de 9%.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores não observaram prejuízo relevante no padrão natural dos movimentos ou na estabilidade dos membros inferiores.
Desse modo, a inovação chama atenção não apenas por facilitar a caminhada, mas também por apoiar uma tarefa diretamente relacionada à independência cotidiana.

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Roupa robótica
Tecnologia pode favorecer o envelhecimento em casa
Muitas pessoas desejam permanecer na própria residência durante o envelhecimento. Contudo, a perda de mobilidade pode dificultar tarefas básicas e aumentar a dependência de familiares ou cuidadores.
Nesse contexto, roupas robóticas mais leves podem complementar adaptações residenciais, fisioterapia e exercícios de fortalecimento.
Além disso, poderão servir como apoio em momentos específicos, sem transformar a casa em um ambiente hospitalar.
Por outro lado, o desenvolvimento tecnológico não substitui políticas de cuidado, prevenção de quedas e acesso à reabilitação.
O benefício real dependerá também de conforto, preço, manutenção e facilidade para vestir o equipamento sem ajuda.
A roupa robótica já pode ser usada em casa?
Por enquanto, não. O estudo teve caráter preliminar, reuniu poucos participantes e ocorreu em condições controladas. Portanto, ainda faltam testes com grupos maiores, períodos prolongados e situações próximas da vida real.
Também será necessário avaliar o funcionamento em pisos irregulares, escadas, ambientes apertados e caminhadas externas.
Da mesma forma, pesquisadores precisarão verificar segurança, durabilidade da bateria e possíveis efeitos do uso frequente.
Assim, a roupa robótica apresenta um caminho promissor para a tecnologia assistiva. Entretanto, seu valor não deverá ser medido apenas pela capacidade de gerar força.
Para contribuir com o envelhecimento ativo, o dispositivo precisará ser seguro, acessível e simples de incorporar à rotina.
Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa
Fonte
Nature Communications: Enhancing sit-to-stand transitions and walking efficiency in older adults with a soft robotic suit, publicado em 17 de julho de 2026.
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