Ed Moreira une poesia, fisioterapia e memória no Sarau Cultura Alternativa 2026
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O Sarau Cultura Alternativa 2026 recebeu o fisioterapeuta, poeta e ator Ed Moreira para um encontro com Anand Rao marcado por música, memórias de Brasília e reflexões sobre envelhecimento, trabalho, afetividade e projetos para o futuro. A conversa, ao mesmo tempo, percorreu diferentes momentos da trajetória do convidado e mostrou como experiências profissionais, pessoais e artísticas podem dialogar ao longo da vida.
O programa seguiu a proposta de revisitar o ontem, compreender o presente e imaginar o amanhã. A espontaneidade, nesse sentido, transformou recordações particulares em pontos de partida para temas mais amplos, como juventude, masculinidade, relações humanas, excesso de informação, mobilidade na velhice e planejamento para a aposentadoria.
A música também esteve presente desde os primeiros minutos. O anfitrião abriu o encontro ao violão e, posteriormente, utilizou looping e percussão vocal para improvisar sobre versos apresentados pelo entrevistado. A criação artística, dessa maneira, não ficou restrita às lembranças e aconteceu diante das câmeras.
Brasília, juventude e liderança
Nascido em 1966, o convidado recordou a juventude vivida em Brasília e os tempos de estudante no Objetivo. O profissional da saúde contou que exercia certa liderança entre os colegas e, além disso, relembrou brincadeiras, futebol, festas, carros e hábitos de uma geração que precisava organizar encontros sem celulares, aplicativos ou redes sociais.
As memórias levaram a uma comparação entre gerações. Os participantes discutiram, nesse contexto, como os jovens do passado construíam referências pessoais principalmente a partir da família, da escola, dos amigos e dos ambientes que frequentavam. Atualmente, por outro lado, adolescentes e adultos convivem com um fluxo praticamente permanente de informações provenientes de diferentes partes do mundo.
Brasília surgiu ainda como personagem dessa narrativa. Lugares como a Rodoviária do Plano Piloto, a tradicional Pastelaria Viçosa, o Gilberto Salomão e o Parque da Cidade apareceram nas recordações. A música brasiliense, paralelamente, entrou na conversa quando o entrevistado contou ter estudado com Marcelo Bonfá, que posteriormente se tornaria baterista da Legião Urbana.
Arte transforma experiências em expressão
A trajetória artística do fisioterapeuta ganhou espaço quando ele falou sobre suas experiências como ator. Embora considere essa participação relativamente pequena, o poeta atuou em produções audiovisuais e, posteriormente, manteve o interesse pelo cinema, pela escrita e pela interpretação.
A poesia, contudo, tornou-se um dos pontos centrais do encontro. Entre os textos apresentados está “Cimento Cerrado”, composição que utiliza referências ligadas à capital federal. Os versos, logo depois, foram transformados espontaneamente em música por Anand Rao, que recorreu ao violão, à voz e ao looping para criar uma interpretação durante a própria gravação.
Outras composições literárias apareceram ao longo do programa. A palavra escrita, assim, serviu de ligação entre passado e presente, enquanto os dois artistas trocaram experiências sobre ritmo, improvisação e criatividade. O sarau mostrou, portanto, como um poema pode abandonar temporariamente a página e adquirir novas possibilidades por meio da voz e da música.
Fisioterapia, envelhecimento e afeto
A atividade profissional ocupa atualmente grande parte da rotina do participante. Formado em fisioterapia, ele trabalha especialmente com gerontologia e acompanha pessoas idosas, algumas delas há muitos anos. O exercício da profissão, segundo relatou, envolve conhecimento técnico, porém também exige escuta, proximidade, paciência e sensibilidade.
O atendimento a idosos trouxe uma discussão sobre mobilidade e autonomia. O especialista explicou, nesse sentido, que seu trabalho não se resume ao tratamento de dores ou limitações físicas. Conversas, brincadeiras, incentivo e afeto também passam a integrar a relação construída com pacientes e familiares.
A morte apareceu como consequência inevitável desses vínculos prolongados. O entrevistado contou que perdeu a mãe ainda criança e, por isso, desenvolveu ao longo da vida uma relação particular com a finitude. Quando pacientes idosos morrem, entretanto, permanece a saudade, mas também a percepção de ter participado de uma etapa importante da existência dessas pessoas, oferecendo cuidado, atenção e companhia.
Uma profissão que busca maior valorização
A fisioterapia também foi discutida como mercado de trabalho. O profissional afirmou que a categoria ainda enfrenta dificuldades de valorização e destacou que fisioterapeutas possuem formação, conhecimento e responsabilidades próprios. A atividade, portanto, não deveria ser compreendida simplesmente como execução automática de procedimentos indicados por outras especialidades.
O participante combina atendimentos particulares com atuação em uma instituição voltada para idosos. Essa configuração, consequentemente, proporciona experiências distintas e exige organização da agenda. Alguns pacientes permanecem sob seus cuidados durante períodos muito longos, circunstância que fortalece vínculos e permite acompanhar transformações ao longo dos anos.
A longevidade, nesse cenário, torna o debate ainda mais relevante. Mobilidade, equilíbrio, força e independência funcional ganham importância na preservação da qualidade de vida. O próprio encontro, inclusive, relacionou fisioterapia, exercícios físicos e envelhecimento ativo como componentes fundamentais para conservar autonomia durante a maturidade.
Criatividade e novos projetos aos 60 anos
Aos 60 anos, o poeta afirmou viver uma fase de renovação criativa. Apesar da intensa rotina profissional, voltou a escrever e encontra inspiração no lugar onde mora, cercado pela natureza na região de Sobradinho. A paisagem, nesse processo, funciona como estímulo para versos, ideias e novos projetos.
Um desses planos envolve o audiovisual. O artista pretende desenvolver “Padreco”, projeto inspirado em um apelido recebido durante a juventude. Ele deseja, além disso, participar do roteiro, da atuação e da assistência de direção, recuperando artisticamente episódios de uma etapa marcante de sua história.
Os ipês de Brasília também ganharam uma expressão particular durante a conversa. O entrevistado apresentou uma camiseta concebida a partir das diferentes floradas dessas árvores, reunindo referências aos ipês roxo, amarelo, rosa e branco. Arte e natureza, dessa forma, aparecem novamente conectadas em seu universo criativo.
Sonhos exigem planejamento
Quando o diálogo chegou ao amanhã, os participantes falaram sobre viagens, mudanças temporárias de cidade e novas maneiras de aproveitar a maturidade. Anand Rao relatou projetos de passar temporadas em diferentes regiões brasileiras, enquanto o convidado revelou o desejo de manter sua ligação com Brasília e, simultaneamente, possuir uma casa próxima ao mar.
O planejamento financeiro entrou naturalmente no debate. Como profissional que combina atividade particular com vínculo empregatício, o fisioterapeuta afirmou que pretende organizar os próximos anos para alcançar uma aposentadoria capaz de sustentar seus projetos. Sonhar, nesse caso, passa também pela criação de condições concretas para realizar aquilo que se deseja.
Aos 60 e 65 anos, respectivamente, entrevistado e anfitrião apresentaram uma visão da maturidade baseada em projetos, movimento e curiosidade. A idade, portanto, não surgiu como encerramento de possibilidades, mas como oportunidade para reorganizar prioridades, produzir arte, viajar, cuidar da saúde e experimentar outras maneiras de viver.
Respeito às diferenças
O futebol também entrou no sarau. O poeta declarou sua torcida pelo Flamengo, enquanto Anand reafirmou sua ligação com o Fluminense. A rivalidade esportiva, entretanto, serviu como exemplo para uma mensagem que marcou os minutos finais do encontro: diferenças não precisam impedir convivência, amizade e respeito.
A reflexão ultrapassou o esporte. Pessoas podem ter profissões, histórias, preferências e opiniões distintas e, ainda assim, construir espaços de diálogo. A conversa, nesse sentido, defendeu a capacidade de ouvir o próximo sem transformar divergências em hostilidade.
O poema “Palavras”, recitado perto do encerramento, reforçou simbolicamente essa mensagem. Depois de quase uma hora de música, histórias e conversas, a palavra apareceu como instrumento capaz tanto de aproximar quanto de afastar pessoas. O desafio, portanto, está também na maneira como cada indivíduo decide utilizá-la.
Assista ao sarau
O Sarau Cultura Alternativa 2026 com Ed Moreira e Anand Rao está disponível na TV Cultura Alternativa, no YouTube. O público poderá, dessa maneira, acompanhar integralmente as poesias, improvisações musicais, histórias e reflexões que marcaram o encontro.
Para acompanhar os próximos saraus, entrevistas e produções, inscreva-se na TV Cultura Alternativa e ative o sino de notificações. Depois de assistir, além disso, curta o vídeo, deixe seu comentário e compartilhe o conteúdo com amigos, familiares e pessoas interessadas em poesia, música, cultura, saúde e histórias de Brasília.

Assista ao Sarau Cultura Alternativa 2026:
A participação do público, por fim, ajuda a ampliar o alcance do projeto e levar novas histórias à programação. Cada compartilhamento contribui, igualmente, para preservar memórias, divulgar artistas e profissionais e estimular encontros nos quais criação, diversidade e diálogo possam ocupar o mesmo espaço.
Anand Rao
Editor Chefe
Fernando Araújo & Equipe
Colaboradores
Cultura Alternativa

