Pesquisa da Universidade de Heidelberg aponta benefícios de exercícios breves de mindfulness, mas revela que a prática não apresenta vantagens significativas sobre técnicas de relaxamento.
A atenção plena na psicoterapia de adolescentes pode contribuir para a redução de sintomas psicológicos e para a qualidade da relação entre pacientes e terapeutas.
Entretanto, seus benefícios não significam que a técnica seja superior a outras práticas utilizadas durante o tratamento.
Essa é uma das principais conclusões de um estudo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, divulgado em 16 de outubro de 2026.
A pesquisa investigou como exercícios breves de mindfulness, realizados no início das sessões, influenciam o acompanhamento psicológico de jovens.
Além dos resultados positivos, o trabalho apresenta uma questão importante: os benefícios decorrem especificamente da atenção plena ou também da oportunidade de iniciar a terapia com uma atividade estruturada?
Antecipe a leitura
- Estudo da Universidade de Heidelberg revela benefícios da atenção plena na psicoterapia de adolescentes, mas não demonstra superioridade em relação a técnicas de relaxamento.
- Exercícios breves de mindfulness ajudam a reduzir sintomas psicológicos e melhoram a relação entre pacientes e terapeutas, embora não sejam definitivos para todos os casos.
- Os resultados indicam que iniciar sessões com mindfulness ou relaxamento tem efeitos semelhantes, mas continua a haver dúvidas sobre a eficácia específica da técnica.
- A pesquisa recomenda não considerar mindfulness como um substituto para psicoterapia, enfatizando a necessidade de cuidados individualizados na saúde mental dos adolescentes.
- Profissionais e famílias devem entender que a atenção plena pode servir como uma ferramenta complementar dentro de um planejamento terapêutico estruturado.
Como os cientistas investigaram a atenção plena
Para compreender os efeitos da prática, os pesquisadores acompanharam 90 adolescentes, entre 11 e 19 anos, em tratamento psicológico para depressão, ansiedade ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos:
- Atenção plena: exercícios de mindfulness durante cinco a dez minutos no início das sessões.
- Relaxamento: técnicas de relaxamento com duração semelhante.
- Grupo de comparação: psicoterapia sem uma atividade inicial padronizada.
Ao longo de 24 sessões de terapia cognitivo-comportamental, a equipe avaliou a evolução dos sintomas e a qualidade da relação entre adolescentes e terapeutas.
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Atenção plena: como funciona na psicoterapia
Mindfulness significa direcionar a atenção ao momento presente, observando pensamentos, emoções e sensações corporais sem julgamentos imediatos.
Na prática, os exercícios podem envolver respiração consciente, percepção corporal e observação das experiências cotidianas.
Ao contrário de uma interpretação comum, atenção plena não significa esvaziar a mente ou impedir pensamentos desagradáveis.
Em vez disso, a proposta consiste em reconhecer essas experiências e desenvolver uma relação mais consciente com elas.
Durante a adolescência, quando sentimentos e preocupações nem sempre são facilmente verbalizados, atividades desse tipo podem oferecer uma maneira de iniciar o contato terapêutico.
Contudo, essa possibilidade depende das necessidades individuais e da orientação profissional.

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Redução dos sintomas e relação com o terapeuta
De modo geral, os três grupos apresentaram redução dos sintomas psicológicos ao longo do tratamento.
Entretanto, os adolescentes que praticaram mindfulness registraram resultados mais favoráveis do que aqueles que receberam psicoterapia sem uma atividade inicial estruturada.
Além disso, a pesquisa examinou a chamada aliança terapêutica, expressão que descreve a confiança, a colaboração e o entendimento entre paciente e profissional.
Segundo as avaliações dos próprios adolescentes, essa relação melhorou no grupo de atenção plena. Por outro lado, os terapeutas não identificaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
Portanto, os resultados precisam ser interpretados considerando essas diferentes percepções.
Mindfulness e relaxamento apresentam resultados semelhantes
Embora o estudo tenha identificado benefícios associados à atenção plena, não encontrou superioridade estatisticamente significativa do mindfulness em relação ao relaxamento.
Essa distinção merece atenção porque impede conclusões exageradas sobre a eficácia da técnica.
Dessa forma, a pesquisa sugere que reservar alguns minutos iniciais para uma atividade estruturada pode contribuir para o processo terapêutico.
Entretanto, ainda não está esclarecido se os resultados decorrem de características específicas do mindfulness ou de elementos compartilhados com outras práticas.
O que a pesquisa ainda não esclareceu
Apesar da distribuição aleatória dos participantes, o estudo reuniu uma amostra relativamente pequena.
Consequentemente, seus resultados não podem ser generalizados automaticamente para todos os adolescentes ou modalidades de psicoterapia.
Além disso, os pesquisadores avaliaram exercícios integrados ao tratamento profissional, não práticas realizadas isoladamente em casa.
Novas investigações poderão esclarecer quais adolescentes apresentam maior benefício e se os efeitos permanecem após o encerramento do acompanhamento.
O que famílias e profissionais podem aprender
Na prática, o estudo amplia as possibilidades de cuidado com a saúde mental dos adolescentes, sem recomendar uma solução única.
Para os profissionais, exercícios breves podem funcionar como recursos complementares, desde que respeitem o planejamento terapêutico.
Para as famílias, a principal orientação é compreender que mindfulness não substitui psicoterapia, avaliação clínica ou outros tratamentos indicados.
Por fim, a pesquisa reforça uma mensagem importante: cuidar da saúde mental exige considerar as necessidades individuais, a qualidade do vínculo terapêutico e as evidências disponíveis.
Mais do que procurar uma técnica universal, o desafio consiste em oferecer aos adolescentes condições adequadas para expressar suas experiências e participar do próprio tratamento.
Fontes e referências científicas
- Universidade de Heidelberg. Mindfulness Exercises Can Support Psychotherapy for Adolescents. Divulgação em 16 de outubro de 2026.
Zukunft seit 1386
- Kalmar, J. et al. The Impact of Mindfulness as a Session-Introduction on Symptoms and Alliance in Individual Cognitive-Behavioral Therapy With Children and Adolescents: A Randomized Controlled Trial. Journal of Clinical Psychology, 29 de agosto de 2026. Consultar o estudo original.
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Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa
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