Como reduzir o desconforto em noites quentes e dormir melhor
As noites quentes não provocam apenas desconforto.
Quando a temperatura permanece elevada depois do pôr do sol, o corpo encontra mais dificuldade para esfriar, dormir profundamente e se recuperar do desgaste enfrentado durante o dia.
Esse aspecto ganhou destaque em artigo publicado pela Nature em 17 de agosto de 2026.
Os pesquisadores chamam atenção para uma mudança importante no debate climático: além das temperaturas máximas, é preciso observar quanto os termômetros conseguem baixar durante a madrugada.
Afinal, o calor noturno interfere diretamente na capacidade de descanso e recuperação do organismo.
Sobre o sono?

Como reduzir o desconforto em noites quentes
Por que o calor atrapalha o sono
Para adormecer, o corpo reduz naturalmente sua temperatura interna. Entretanto, quando o quarto permanece muito quente, esse processo se torna mais difícil.
Como consequência, podem surgir suor excessivo, inquietação e despertares frequentes. Além disso, o sono tende a se tornar mais fragmentado, justamente quando deveria funcionar como período de recuperação física e mental.
Nesse contexto, os pesquisadores destacam que observar apenas os recordes de calor registrados durante a tarde oferece uma visão incompleta. A temperatura mínima da madrugada também importa.
Em maio de 2026, por exemplo, Nova Délhi registrou mínima noturna de 32,4 °C. Episódios semelhantes em outras regiões mostram por que cientistas estão ampliando o olhar sobre as consequências das ondas de calor.

Como reduzir o desconforto em noites quentes
Noites quentes também afetam a saúde
Além de prejudicar o sono, temperaturas persistentemente altas podem produzir estresse térmico acumulado.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), períodos prolongados de calor durante o dia e a noite aumentam os riscos à saúde porque o corpo encontra menos oportunidades para se recuperar.
O calor extremo pode, ainda, sobrecarregar o sistema cardiovascular e os rins, além de agravar doenças preexistentes.
Pessoas idosas merecem atenção especial. Da mesma forma, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor.
Como reduzir o desconforto em noites quentes
E o que esse debate significa para o Brasil?
No Brasil, a questão ganha relevância especialmente nos grandes centros urbanos. Áreas muito construídas, com pouco verde e grande quantidade de asfalto e concreto, podem reter calor durante horas depois que o sol desaparece.
Esse fenômeno, conhecido como ilha de calor urbana, faz com que determinadas regiões da cidade permaneçam mais aquecidas do que áreas menos urbanizadas.
Consequentemente, a qualidade da moradia, a ventilação natural, a arborização e o planejamento urbano também passam a fazer parte da discussão sobre sono e saúde.
Assim, enfrentar as noites quentes não depende apenas de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. O problema também envolve como construímos nossas cidades e residências.
Como deixar o quarto mais fresco
Na prática, os cuidados devem começar antes de anoitecer.
Durante o dia, fechar cortinas, persianas ou venezianas ajuda a impedir que a radiação solar aqueça excessivamente o ambiente. Além disso, desligar equipamentos elétricos desnecessários reduz outras fontes de calor.
À noite, por outro lado, vale abrir as janelas quando a temperatura externa estiver menor do que a interna, favorecendo a circulação do ar. Essa também é uma das recomendações da OMS para períodos de calor intenso.
Roupas leves e tecidos respiráveis podem melhorar o conforto. Da mesma forma, manter uma hidratação adequada ao longo do dia ajuda o corpo a enfrentar temperaturas elevadas.

As principais notícias do Site Cultura Alternativa
Você pode receber direto no seu WhatsApp
Ventilador e ar-condicionado ajudam?
Sim. Entretanto, é preciso considerar a intensidade do calor e as características de cada pessoa.
A OMS orienta manter os ambientes tão frescos quanto possível durante ondas de calor. Como referência, a organização indica temperatura interna abaixo de 24 °C durante a noite, sobretudo em locais onde vivem crianças, pessoas com mais de 60 anos ou indivíduos com doenças crônicas.
O ventilador pode melhorar a sensação térmica e favorecer a circulação de ar. Porém, em condições extremas, ele pode não ser suficiente para proteger pessoas mais vulneráveis.
Por essa razão, sinais como tontura, fraqueza intensa, confusão, dor de cabeça persistente ou mal-estar durante uma onda de calor exigem atenção.
Dormir bem também é uma questão climática
Durante muito tempo, falar sobre ondas de calor significava acompanhar as temperaturas máximas do dia. Agora, porém, a ciência começa a olhar também para o que acontece quando o sol se põe.
Se a madrugada permanece quente, o corpo perde uma importante oportunidade diária de recuperação.
Por isso, reduzir o desconforto em noites quentes envolve escolhas individuais, como melhorar a ventilação do quarto, mas também passa por arborização, construções adequadas, áreas verdes e políticas públicas de adaptação climática.
Em um cenário de temperaturas cada vez mais elevadas, proteger o sono também passa a integrar a adaptação às mudanças climáticas.
Afinal, uma cidade preparada para o calor não é apenas aquela que oferece sombra durante o dia, mas também aquela que permite que seus moradores descansem à noite.
Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa
REDES SOCIAIS
