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Dia das Abelhas: quem poliniza a comida dos brasileiros?

Na banca da feira, maracujás, acerolas e abóboras chamam atenção pelas cores.

Antes de chegar ali, porém, esses alimentos dependeram de uma etapa que o consumidor raramente acompanha: a polinização das flores.

Celebrado no Brasil em 3 de outubro, o Dia das Abelhas convida a olhar para essa conexão.

Afinal, proteger esses insetos significa cuidar também da produção agrícola, da diversidade alimentar e da vegetação que sustenta diferentes formas de vida.

Um pequeno resumo

Do maracujá à abóbora: as abelhas na nossa mesa

Ao visitar flores em busca de recursos, as abelhas transportam pólen e favorecem a reprodução de muitas plantas. Assim, ajudam na formação de frutos e sementes que fazem parte da alimentação brasileira.

Entretanto, essa relação varia conforme a cultura. Maracujá, acerola, abóbora e castanha-do-brasil estão entre os alimentos cuja produção depende da polinização por abelhas.

Já café, morango e tomate podem apresentar ganhos de produtividade ou qualidade com essas visitas.

No maracujá, as mamangavas desempenham um papel especialmente importante. Quando faltam polinizadores, produtores podem recorrer à polinização manual.

Contudo, essa alternativa exige trabalho e tempo, aumentando os custos do cultivo.

Por isso, a presença de abelhas interessa tanto à conservação quanto à economia de quem produz alimentos.

Abelhas brasileiras: diversidade além do mel

Quando pensamos em abelhas, geralmente lembramos do mel e das colmeias. No entanto, a diversidade brasileira inclui espécies sem ferrão e outras que recebem menos atenção, embora participem da polinização.

Além disso, diferentes flores apresentam características que favorecem a visita de determinados polinizadores. Portanto, conservar essa diversidade ajuda a atender às necessidades de diferentes plantas.

O benefício também alcança a vegetação nativa. Ao favorecer sua reprodução, as abelhas contribuem para manter os ambientes que oferecem alimento e abrigo a outros animais.

Dessa maneira, a conexão entre abelhas e alimentação ultrapassa os limites das lavouras.

Dia das Abelhas: preservar a vegetação também é produzir comida

Uma propriedade agrícola não funciona isoladamente da paisagem ao redor. Áreas de vegetação nativa oferecem recursos e locais de nidificação para polinizadores. Por isso, conservar esses espaços pode favorecer sua presença nos cultivos.

Na prática, o desafio envolve aproximar o conhecimento científico das decisões cotidianas do agricultor.

Em março de 2026, uma capacitação em Jacupiranga, no interior paulista, reuniu agricultores familiares, extensionistas e especialistas para discutir polinização e práticas agrícolas na Mata Atlântica.

A experiência ajuda a compreender uma questão: proteger a biodiversidade também integra o planejamento da produção.

Além do cultivo principal, importa observar quais plantas florescem no entorno e quais condições permitem a permanência dos polinizadores.

O que ameaça essa conexão entre campo e mesa

A perda de habitat, a simplificação das paisagens agrícolas e o uso de pesticidas podem prejudicar as comunidades de abelhas silvestres.

Quando a paisagem oferece poucos recursos, os polinizadores encontram condições menos favoráveis para permanecer naquele ambiente. Consequentemente, a conservação exige atenção ao conjunto da propriedade e às práticas de manejo.

Entretanto, isso não significa que todos os alimentos dependam exclusivamente das abelhas ou que desaparecerão imediatamente sem elas.

A questão envolve preservar a diversidade dos cultivos, sua qualidade e a estabilidade dos serviços de polinização.

Como contribuir em jardins, bairros e propriedades

Cultivar plantas nativas adequadas à região, combinar espécies com diferentes épocas de floração e evitar o uso indiscriminado de inseticidas são caminhos para favorecer os polinizadores.

Em Brasília, essa reflexão pode orientar escolhas em jardins, escolas, condomínios e áreas verdes, valorizando a flora do Cerrado.

Por fim, o Dia das Abelhas oferece uma pergunta para acompanhar a próxima ida à feira: quais relações com a natureza tornaram possível aquele alimento?

Reconhecê-las é um passo para cuidar melhor da nossa mesa.

Fontes