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Em cidades pequenas, somente 5% dos idosos costumam ir ao cinema

Nos seus 68 anos de vida, Ana Batista Tosta foi ao cinema somente uma vez.

Isso já faz mais de 40 anos, conta a dona de casa, que mora em Inocência, cidade sul-mato-grossense com cerca de 7.600 habitantes, e não se lembra mais do nome do filme.

Ela se encaixa em dois grupos de brasileiros que, como identifica pesquisa Datafolha, têm baixa frequência no cinema. Entre idosos que, como Ana, têm renda familiar abaixo de dois salários mínimos, 93% não vão ao cinema.

O outro grupo é o de quem mora em cidades com menos de 50 mil habitantes. Segundo o mesmo estudo, só 5% dos brasileiros que têm mais de 60 anos e que habitam cidades com esse perfil costumam ver filmes na telona.

O número é igual quando se trata de ir ao teatro, mas aumenta quando o lazer em questão são shows (15%).

Há diversas hipóteses para a baixa frequência. Uma das mais significativas é a escassez de cinemas no país. Das 5.570 cidades brasileiras, somente 383 (6,9%) têm salas.

Segundo a Ancine, está decrescendo o número de cidades com até 50 mil habitantes que possuem cinema. Em 2007, eram 102 municípios (ou 2% do total). Em 2016, a cifra caiu para 54 (ou 1%).

Ana Tosta, por exemplo, diz ter “muita vontade” de ir ao cinema. Só que lhe faltam “tempo e coragem”. Por que coragem? “Ah, o tempo vai passando, a gente se desacostuma.” O cinema mais próximo de sua casa fica na região de Três Lagoas (MS), a 139 km.

É mais comum, portanto, que os índices de frequência no cinema, no teatro e em shows subam entre idosos conforme cresce o porte da cidade. Em municípios com população entre 200 mil e 500 mil, por exemplo, 16% costuma ir ao cinema, e 17%, a shows.

Petrolina (PE), onde vive o professor aposentado de história José Ferreira Alcântara, 73, tem cerca de 217 mil habitantes e uma vida cultural que ele classifica como satisfatória, embora saiba de apenas um teatro na cidade.

Ele faz uma ressalva. “Cruzando a ponte, em Juazeiro (BA), cidade vizinha, tem mais uma sala”, diz. A última peça que viu foi “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna, encenada por grupo amador.

Segundo dados do IBGE de 2014, 23,4% das cidades brasileiras têm teatro.

Neste ano, o aposentado também assistiu a um show da cantora Pabllo Vittar. “Sou eclético.” Ele costuma ir aos programas de mototáxi, camisetas de rock e bota de couro.

Alcântara já morou em São Paulo e cita, entre programas especiais de Petrolina, passeios pelo rio São Francisco e as festas juninas, que “tão importantes quanto as de Caruaru”, no mesmo Estado.

Ele não gosta de “filmes de ação”, que dominam os cinemas locais. Diz ser “salvo” pela programação de um pequeno espaço cultural, o Café de Bule, que, aos sábados, promove exibições de filmes cults.

Entre municípios com mais de 500 mil habitantes, 97,6% tem cinemas, segundo dados de 2016 da Ancine. Nessas cidades, 27% dos idosos costumam fazer esse programa.

A moradora de Curitiba Maria Emília Tenório Arruda, 69, vê muitos problemas de acessibilidade para idosos na cidade de 1,7 milhão de habitantes, fator que cita como um forte desestímulo. “Sozinha também prefiro não ir.”

A pedagoga aposentada elogia iniciativas e projetos como o tradicional Festival de Teatro da cidade, que oferece, ao menos durante duas semanas, uma diversidade de espetáculos maior.

Fonte folha

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