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Sons da África

Mundão Sound System: Africa 2017

De blues do deserto a nova eletrônica sul-africana, o multiculturalista Dago Donato apresenta 20 sons vindos do berço da humanidade que ele rachou de ouvir este ano.

Imagina fazer uma lista de melhores sons das Américas em 2017, botando no mesmo saco eletrônica, samba, indie rock, cumbia, blues, baile funk, reggaeton, de países tão diferentes como Canadá, Belize, Brasil e Jamaica.

É mais ou menos a mesma coisa. Mas no caso da África ainda é pior. São 54 países na África, contra 35 nas Américas.

Fora que estima-se que são faladas cerca de 2000 línguas no continente africano. Não dá pra pensar em unidade. Também não dá pra querer conhecer tudo. Basicamente, então, o que fiz foi juntar alguns dos sons mais legais vindos de lá que ouvi este ano, de blues do deserto a nova eletrônica sul-africana, nessa playlist que, quem sabe, pode servir como trilha sonora diferentona pros seus bons momentos da praia neste verão.

“One Ghana” – Worlasi
O jovem rapper e produtor de Gana rima em inglês e algumas línguas locais. Já lançou duas mixtapes cabulosas e este ano soltou o Teads

Esse projeto é covardia. Trata-se de um supergrupo de cantoras do oeste Africano que inclui nomes como Angélique Kidjo, Nneka e Mariam Doumbia (Amadou & Marian). “Dombolo” abre o disco République Amazone com percussão pesada e pegada congotronics.

“Pole Pole” – Msafiri Zawose
Filho de Hukwe Zawose, que fez parte da banda de Peter Gabriel nos anos 80 e 90, Msafiri mistura a música tradicional gogo da Tanzânia com elementos eletrônicos e novas influências como dub, ambient e balearic.

“Mooki” – Aero Manyelo
O produtor de Joanesburgo descreve seu som como “township electro” e tem sons lançados por selos como Sound Pellegrino e Awkaaba Music. “Mooki” descola das influências do kwaito house pra uma pegada mais percussiva, com um sample de… “Ciranda, Cirandinha”.

“Omunye” – Distruction Boyz
Um dos nomes mais legais do gqom (pronuncia-se “quom”), estilo eletrônico nascido em Durban, África do Sul, que carrega parentesco com o kwaito house de Joanesburgo e o grime britânico, com climas sombrios e beats duros.

“Uyang’khumbula” – Faka
A dupla sul-africana apresenta um projeto artístico queer experimental e lacra nesse som com pegada gqom.

“Sikiru” – Magnito feat. Tekno
O cantor e produtor nigeriano que fez no ano passado o hit “Pana” participa aqui desse afropop maroto do rapper Magnito.

“Streets of Africa” – Burna Boy
O ferinha do dancehall nigeriano dropa essa faixa marcada por um loop besta que gruda na cabeça e não tem vergonha de evocar o pai de todos se declarando Fela Kuti.

“Muanapoto” – Tshegue
Vale botar uma banda francesa com uma vocalista nascida em Kinshasa (República Democrática do Congo)? Pra mim vale. Só digo que esse pessoal devia reivindicar o rótulo afropunk pra eles.

“Don’t Stop” – Diron Animal
Angolano residente em Portugal, Diron Animal é vocalista do Throes + The Shine, aqui em trampo solo. O disco Alone, de onde saiu esta faixa, leva ritmos angolanos para dialogarem com estilos diversos como a disco music e o pós-punk.

“Tokoliana” – Kokoko!
Falando em pós-punk, “Tokoliana” é uma das faixas da incursão do produtor francês Débruit, que se aliou a músicos da República Democrática do Congo para este projeto que une mensagens políticas, beats eletrônicos, ritmos tradicionais e estética no wave.

“Kamelemba” – Oumou Sangaré
Sangaré é uma das grandes estrelas da música da Mali. Lançou o belo Mogoyaeste ano.

“Tiwàyyen” – Tinariwen feat Kurt Vile e Matt Sweeney
Desses vocês já devem saber o que esperar, né? Não que precisassem, mas nessa faixa ainda contam com o auxílio guitarrístico do Kurt Vile e do Matt Sweeney.

“Eghass Malan” – Les Filles de Illighadad
Mais blues do deserto, dessa vez feito por mulheres da zona rural do Niger. Disco lindo.

“Mamchout” – Bargou 08
Esse disco (Targ) é treta. Cacetada atrás de cacetada. São músicas da região da Tunísia que faz fronteira com a Argélia arranjadas com instrumentos locais e um moog.

“Otim’s War” – Enanga Vision
Colaboração do produtor inglês Jesse Hackett com o multiinstrumentista Albert Ssempeke, de Uganda. Instrumentos típicos e eletrônica torta desconstruindo música tradicional do país.

“Titi Dem Too Service” – Kondi Band
Colaboração do tocador de kalimba Sorie Kondi, natural de Serra Leoa, com o produtor norte-americano Chief Boima, que tem raízes no mesmo país.

“Esfrega Esfrega” – Deejay Telio e Deedz B
Telio é produtor de ango-house e agora incorpora influências do nosso baile funk nesse som.

“Sapelemé” – Staff Paulo, Gaia Beat e DJ Ricardo Orange
Mais house angolano, com raps e percussão no contratempo.

“Tamo a Vir” – Sentimenz e Baebucho Q Kuia
Tá pouco de ango-house. Então toma mais um pra fechar a lista.

Bônus – essas não tão no Spotify

“Abele” – Jowaa

A dupla de Gana faz eletrônica dançante e lançou alguns singles esse ano pela Akwaaba Music. Só petardo.

“Ancestral Match” – Faizal Ddamba Mostrixx

Tribal Match, o disco do músico, coreógrafo e dançarino de Uganda é um arregaço tão grande que eu não sabia qual faixa escolher.

Escuta e comprova.

Fonte Vice

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